terça-feira, 24 de maio de 2016

Exposição de Arte Sacra é atração no Casarão da Cultura em junho

O Casarão da Cultura abrirá no dia 2 de junho, às 19 horas, a Exposição Hélio Petrus no Casarão – Arte Sacra Neobarroca, que ficará aberta ao público até 12 de junho, de segunda a sábado, das 9 às 21 horas, com entrada franca. O artista, natural de Mariana (MG) é um dos escultores mais prestigiados do Brasil, com reconhecimento internacional. Muitas de suas obras estão nas mãos de colecionadores brasileiros e do exterior.

Sua inspiração inicial, como artista escultor e entalhador autodidata, veio do próprio ambiente onde vive e trabalha. É dele a imagem de São Francisco que foi presenteada pelo governo brasileiro ao Papa Francisco, por ocasião de sua visita ao Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude. Petrus, que produz arte sacra desde 1970, já teve seus trabalhos expostos em grandes museus brasileiros e cidades como Belo Horizonte, Ribeirão Preto e São José dos Campos, entre outras.

O prestígio do artista é incontestável. Sua exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo, por exemplo, permaneceu aberta por oito meses, atestando o interesse do público e da crítica pelos seus trabalhos. Para a exposição em Rio Claro, a Secretaria Municipal de Cultura trará 50 obras do artista, representativas de toda a carreira de Petrus. “É uma oportunidade muito especial para que o público rio-clarense e de toda a região tome contato com a arte sacra brasileira, muito conhecida e prestigiada no País e no exterior”, afirma a coordenadora do Casarão da Cultura, Ilídia Faneco.

“A exposição está incluída no calendário de eventos em comemoração ao aniversário da cidade e proporcionará ao público uma experiência ímpar, permitindo o seu acesso a valiosos bens artísticos e culturais de nosso patrimônio” observa o secretário municipal de Cultura, Sérgio Desiderá. A exposição é realizada pela Secretaria Municipal de Cultura e conta com o apoio cultural do Class Hotel e do Antiquário Cia. do Tempo.

“As exposições de Hélio Petrus são raras”, informa a curadora Léa Maria de Sales Cunha. “Petrus é um dos poucos artistas que ainda trabalham a madeira no estilo barroco”, acrescenta.​

domingo, 22 de maio de 2016

Museu de Arte Sacra junta artistas regionais em mostra com o tema ‘Paisagens – A Presença do Religioso’ (Funchal - Portugal)

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Fotos: Rui Marote
‘Paisagens – A Presença do Religioso’ é como se intitula a exposição que a partir do dia 19, pelas 10 horas, estará patente ao público no Museu de Arte Sacra do Funchal, na sala de exposições temporárias, integrada nas actividades que assinalam o Dia Internacional dos Museus. Realizada sob orientação e coordenação do artista Martinho Mendes, responsável pelos Serviços Educativos do Museu de Arte Sacra, esta mostra junta vários artistas regionais.
São eles Carmen Silva, David Francisco, Fabian Contreras, Flávio Nuno Joaquim, Helder Folgado, Henrique Leal, Hugo Olim, Joana Sousa, João Almeida, José Sousa Monteiro, Juan Abreu, Lucilina Freitas, Patrícia Henriques, Pedro Freitas, Ricardo Sousa, Sandra Boloto, Sílvio Cró e Tiago Perestrelo.
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A celebração desta efeméride propõe para este ano o tema ‘Paisagens Culturais’, num desafio à promoção de uma ampla reflexão nas instituições museológicas, sobre as diversas interacções dinâmicas existentes entre territórios geográficos e as comunidades estabelecidas em diferentes lugares.
“Partindo da identidade artística e simbólica que o configura, o Museu de Arte Sacra do Funchal propõe aqui um encontro dialogante que junta algumas peças da sua colecção, de arte e arquivo documental, com a produção artística de criadores regionais”, sublinham os responsáveis por esta exposição.
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“Com um pé na contemporaneidade, a estratégia expositiva aqui adoptada, cria uma outra percepção museológica, uma nova visualidade dos elementos, uma reconfiguração antropológica da paisagem”, é referido na folha de sala que estará disponível ao público visitante.
A exposição que a partir do dia 19, poderá ser visitada proporciona uma revisitação das linguagens e da iconografia para, de múltiplas formas, mostrar como o religioso pode reconfigurar espaços e vivências, resgatados pelo simbólico da sua materialidade pura: a paisagem religiosa é uma paisagem cultural.
Consciente de que uma abordagem às suas colecções de arte sacra implica sempre uma rememoração dos contextos vivenciais de cada comunidade em torno das imagens e do sagrado, o museu torna mais específica a sua abordagem através da indagação do papel do religioso na percepção geográfica e construção cultural do território insular: a humanização da paisagem que, ao longo dos séculos, se fez por investimento material e cultural na modelação de espaços e formas de vida, integrou nesse processo a dimensão activa da linguagem da crença e das tradições, deixando-nos hoje perceber a contaminação do cultural pelo religioso e o papel incontornável da fé cristã, na sua vertente de religiosidade popular, na construção mais profunda – herança, vivências, memória – da identidade insular, escreve-se na dita informação disponibilizada ao público.
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Uma sessão documental intitulada ‘O Museu, a paisagem e o território’ proporcionará ao público, entre as 10h30 e as 12h30, e entre as 14h30 e as 17h30, uma sessão diária de visualização de documentários realizados entre 1996 e 2011, que pertencem ao arquivo do Museu de Arte Sacra. Nos mesmos, a instituição e respectivas colecções são abordadas no âmbito da paisagem cultural da ilha.  Estes documentários serão exibidos na sala direita da torre do Museu de Arte Sacra do Funchal.
Por outro lado, será realizada, no horário entre as 10h30 e as 12 horas e as 14h30 e as 16 horas, uma visita orientada designada ‘Paisagem: um conceito caleidoscópico’, que pretende abordar as relações entre cultura e paisagem, através das abordagens de diálogo entre arte antiga e arte contemporânea. A entrada é livre, mas tem de ser realizada inscrição prévia na recepção ou através do email masf@netmadeira.com ou pelo telefone 291 228 900.
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Também entre as 16 e as 17h30, será realizada uma visita orientada à exposição temporária no primeiro andar, de trabalhos desenvolvidos por alunos finalistas do curso de Design da Universidade da Madeira, no âmbito do design de espaço e museografia das salas 1 e 2 do primeiro piso. Mais uma vez, a entrada é livre, mas sujeita a inscrição prévia na recepção ou através do email ou telefone supracitados.

sábado, 21 de maio de 2016

Museu de Arte Sacra do Maranhão abre exposição “Maria de Todos os Nomes”




Exposição de rosários atraem visitantes no Museu de Arte Sacra. Foto: Handson Chagas/Secap

O mês de maio é considerado o mês da devoção mariana e pensando nisso o Museu de Arte Sacra do Maranhão, anexo do Museu Histórico e Artístico do Maranhão, órgãos ligados à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Sectur), abriu, na sexta-feira (13), a exposição “Maria de Todos os Nomes”. A intensão é expor ao público imagens de Maria dos séculos XIX e XX, consideradas raras, além de apresentar as mais conhecidas pelos católicos.

A exposição apresenta algumas imagens de Nossa Senhora, com obras que retratam Maria em algumas de suas invocações, onde o público poderá conferir, também, o trabalho da artesã Maria Teresa Azevedo, que apresenta alguns rosários feitos de pérolas que estão sendo comercializados no local, com valores que variam entre R$ 40 e R$ 400.

Para a diretora do Museu Histórico e Artístico do Maranhão, Carollina Ramos, a exposição “Maria de Todos os Nomes” é uma excelente oportunidade para que o público tenha mais uma opção de lazer. “A Sectur sempre está realizando atividades que possam incentivar a cultura e o turismo no Maranhão, queremos que o público sempre tenha uma opção diversificada de entretenimento durante todo o ano. Queremos fomentar o turismo no nosso estado com atividades interessantes fazendo com que o turista sempre tenha mais uma opção”, relata Carollina Ramos.

Para Tereza Cristina de Barreto, técnica em assuntos culturais do Museu Histórico e Artístico do Maranhão, a exposição “Maria de Todos os Nomes” é fundamental para o público que queira conhecer um pouco mais sobre as peças raras. “A nossa intensão é deixar a exposição aberta para o público, até 13 de junho, com objetivo de divulgar o projeto ‘Reserva Técnica: Preservação aos nossos olhos’, sendo esta a segunda das cinco exposições de curta duração. Queremos mostrar algumas imagens que ficam guardadas e queremos que o público tenha acesso a elementos que fazem parte de suas crenças e religiões”, disse a técnica em assuntos culturais do Museu Histórico e Artístico do Maranhão.


Mostra oferece ao público imagens raras de Nossa Senhora. Foto: Handson Chagas/Secap

Além de peças raras, a exposição é composta por imagens da Igreja da Sé, de algumas paróquias de São Luís e de particulares. Entre elas estarão as de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora de Fátima, entre outras, onde possuem atributos que se diferenciam em cada invocação.

Para a visitante Maria Aparecida dos Santos, 64, a exposição é algo novo em São Luís, já que nunca viu algo parecido na capital. “Geralmente participamos de procissões nesta época do ano, nunca tinha visto tantas imagens de Nossa Senhora. Confesso que cheguei a me emocionar quando cheguei diante de algumas delas, pois são tão perfeitas, senti a ternura de Maria só de olhar bem de perto sua imagem”, salientou Maria Aparecida dos Santos.

A devoção mariana começa com o próprio cristianismo. Nossa Senhora de Todos os Nomes Intocáveis são as qualidades de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe. Exatamente por isso, ela é venerada sob muitos nomes, títulos que expressam diferentes características de sua vida e pessoas.

A exposição ocorrerá até o dia 13 de junho, com cerca de 120 peças, entre elas, imagens e terços. Além disso do dia 16 a 22 de maio, durante a Semana de Museus em São Luís, os museus estarão com suas entradas francas para incentivar a visita aos espaços.


Imagens de Nossa Senhora com vários nomes prendem a atenção de visitantes do museu. Foto: Handson Chagas/Secap

sexta-feira, 20 de maio de 2016

As obras, os mecenas e os restauradores que as mimam

Texto de Lina Santos


Foram 16 as esculturas que foram restauradas com o apoio de mecenas

| GERARDO SANTOS/ GLOBAL IMAGENS


No Dia Internacional dos Museus (18/05), uma viagem às catacumbas do Museu de Arte Antiga (de Portugal), onde o restauro funciona graças a voluntários e ao mecenato de antiquários.

"Sou uma passagem, mas as peças são uma permanência. Preservamo-las para que no futuro existam. Esse peso é o que faz que fiquemos arrepiados. É mais do que um trabalho", afirma, convicta, Conceição Ribeiro, conservadora restauradora, fazendo uma pausa na limpeza de esculturas portuguesas que têm de estar prontas para a inauguração do terceiro piso do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em julho.

São, como a tratam nos corredores do MNAA, tem 47 anos, é bolseira e uma das pessoas cujo trabalho no MNAA continua graças ao orçamento extraordinário gerado pelo programa Uma Obra, Um Mecenas, lançado pelo diretor da casa, António Filipe Pimentel, para colmatar o facto de ter apenas uma conservadora-restauradora nos quadros da instituição, entre 64 funcionários, 80 salas abertas ao público e 16 esculturas a precisar de tratamento.


O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel

| GERARDO SANTOS/ GLOBAL IMAGENS


"O museu não vive só de guardas, precisa de técnicos conservadores, bibliotecários, etc.", diz António Filipe Pimentel ao DN, não hesitando em classificar a situação de "miserável".

Entre materiais e a contratação de mais duas pessoas, reuniram cerca de oito mil euros. "O restauro de cada peça custou 500 euros em média. A mais cara, 1800 euros", diz o diretor, referindo-se à estátua de D. João Príncipe Regente, de João José de Aguiar, do século XIX, que já pode ser apreciada na exposição permanente.


Inês Marques aplica white spirite, uma espécie de aguarrás numa escultura de madeira

| GERARDO SANTOS/ GLOBAL IMAGENS


Estava no hospital da Marinha e foi depositada pelo Museu da Marinha, dotando o MNAA de uma obra de um artista que, segundo Pimentel, está para a escultura desta época como Domingos Sequeira para a pintura.

O restauro da peça teve o apoio de AR-PAB Antiguidades/Álvaro Roquette e Pedro Aguiar-Branco, um dos 13 mecenas que se envolveram neste projeto, quase todos antiquários, incluindo dois franceses e a Galerie Mendes, do lusodescendente Philippe Mendes, que mobilizou recursos financeiros para a aquisição em leilão de uma peça de Josefa de Óbidos para o Museu do Louvre, em Paris. "Antiquários nossos amigos foram angariando outros mecenas", diz Pimentel, acrescentando: "Ganham visibilidade associando-se à obra."

O diretor do MNAA tem vindo a reclamar um estatuto de autonomia para a gestão do museu. Um plano que está em debate. "Está tudo em discussão, não há conclusões. As observações de António Filipe Pimentel são inteligentíssimas, de uma pessoa que tem feito um belíssimo trabalho", declarou a diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva, na segunda-feira, à margem da apresentação dos resultados do "Estudo de Públicos dos Museus Nacionais".

O museu exibe no sábado a tela de Domingos Sequeira A Adoração dos Magos, recém-adquirida por 600 mil euros numa campanha de crowdfunding. Na Noite dos Museus, o jardim enche-se de música entre as 18.00 e as 00.00, com paragem às 19.00 para a fotografia coletiva de todos os que ajudaram a pôr o quadro no lugar certo.

Currais Novos (RN) ganhará Museu de Arte Sacra


O anúncio foi feito pelo prefeito Vilton Cunha, durante a abertura da 14ª Semana de Museus – “Museus e Paisagens Culturais”, cuja cerimônia aconteceu na noite do dia 16, em frente à Fundação Cultural José Bezerra Gomes.

O prefeito adiantou que o Museu de Artes Sacra receberá o nome do saudoso Monsenhor Ônio Caldas de Amorim e será instalado, no prédio do antigo Centro de Velório, anexo ao Cemitério Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Paizinho Maria. “Inclusive, já foram doadas algumas peças para o Museu”, salientou Vilton, destacando a importância da preservação da memória de um povo. “A nossa gestão também tem investido nesse aspecto”, frisou.

A Presidente da Fundação Cultural “José Bezerra Gomes”, Socorro Góes disse da importância da valorização dos Museus e o incentivo para que a população os visite e conheça mais sobre a sua História.

Na ocasião, a primeira dama Ana Maria foi homenageada, pela passagem do seu aniversário.

Ainda constou da programação de abertura da 14ª Semana de Museus em Currais Novos, apresentações de artistas locais: Grupo da AABB Comunidade, o poeta Sérgio Cleto, declamando poemas, Francinaldo Moura (Naldinho) coordenador da Casa de Cultura, tocando flauta e com o teatro de João Redondo, e a poetisa Madá.

O ex-presidente da Fundação Cultural José Bezerra Gomes, Ronaldo Gomes prestigiou o evento.

ASSECOM PMCN
Fonte: Jean Souza

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Tesouro da história de Cuiabá-MT será aberto ao público na Semana Nacional dos Museus

Por Augusto Pereira 


Entre os dias 16 e 22 de maio acontece a 14ª Semana Nacional de Museus em todo o país./ Em Mato Grosso 17 instituições culturais do Estado vão apresentar programações especiais./ Oito dessas atrações são em Cuiabá, as outras em cidades do interior./ Museus e Paisagens Culturais é o tema da semana em 2016./ Os museus do Governo do Estado vão apresentar exposições, concurso de fotografia, debates e atividades de conscientização ambiental, como conta o secretário de Cultura Leandro Carvalho./
O museu de arte sacra abre apara o público um tesouro que muitos já imaginavam que havia se perdido: dois retábulos da matriz histórica que foi demolida em 1968./ Retábulo é a estrutura ornamental que envolve os altares de santos./ É o que conta Viviane Lozi, diretora executiva do Museu de Arte Sacra e do Museu de Artes de Mato Grosso./
Além disso o Museu Histórico preparou um concurso de fotografia para amadores, com o tema Museus e Paisagens Culturais./ As inscrições ficam abertas até domingo (15.05). Para participar, basta enviar uma foto e ficha de inscrição para o e-mail museumt@hotmail.com./

Como o diabo ficou vermelho e ganhou chifres?

Pixabay

Image copyrightPIXABAY
Image captionDiabo, Satanás, Lúcifer e, às vezes, Leviatã ou Mefistófeles: varios nomes, várias faces, vários papéis
Se alguém te pedisse para imaginar o diabo, provavelmente viria à mente um demônio com um tridente nas mãos. No entanto, por centenas de anos, o diabo cristão não foi retratado pela arte religiosa e, quando finalmente surgiu, era azul e não tinha chifres ou cascos.
A imagem mais familiar para nós surgiu pelas mãos de gerações de artistas e escritores que pegaram o pouco que é dito pela Bíblia sobre Satanás e o reinventaram ao longo do tempo.
A Bíblia diz que Satanás era o maior adversário de Deus. Na Bíblia judaica, o diabo é apenas outro agente subordinado a Deus, um anjo do mal, uma alegoria que simbolizava a inclinação maligna dos homens e mulheres. Esse personagem foi desenvolvido pelos cristãos até transformá-lo em uma representação da maldade suprema.
Tries Riches Heures Du Duc De Berry Por Limbourg BrothersImage copyrightTRES RICHES HEURES DU DUC DE BERRY POR LIMBOURG BROTHERS
Image captionNa obra dos irmãos Linbourg (1385–1416), Lúcifer tortura e é torturado
A doutrina cristã diz que Satanás assumiu a forma de uma serpente e tentou Eva no Jardim do Éden, mas não há nenhuma menção ao diabo no livro Genesis. Foi só mais tarde que os cristãos interpretaram a serpente como uma encarnação de Satanás.
Também acredita-se que Satanás foi expulso do céu após desafiar a autoridade de Deus. Porém, na Bíblia, um personagem misterioso é expulso após rebelar-se contra Deus. A caracterização de Satanás como um anjo caído deriva dessa tradição.
A imagem de um Satanás que governa o inferno e inflige tortura e castigo aos pecadores também não encontra correspondência no texto sagrado. O livro das Revelações profetiza que Satanás será enviado ao inferno, mas sem qualquer estatus especial e sofrendo as mesmas torturas que os demais pecadores.

As faces do diabo

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Image captionUm anjo a ponto de abrir as portas do inferno nesta imagem feita entre 1121 e 1161
Nos primeiros séculos do Cristianismo, não havia muita necessidade de representar o mal na arte religiosa. Os cristãos acreditavam que os deuses pagãos rivais, como o egípcio Bes e o grego Pan, eram demônios responsáveis por guerras, doenças e desastres naturais.
Cem anos depois, quando o diabo apareceu na arte ocidental, algumas representações incorporaram os atributos físicos destes deuses, como o pêlo facial de Bes e as patas de cabra de Pan.

Anos 1260 ~ O diabo medieval

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Image captionCom barba, cascos, chifres e rabo, o diabo aparece assustado em um jardim da erva que supostamente repele demônios
Na idade média, surgiu o retrato de Satanás mais reconhecível. Foi uma época de muito sofrimento, que ficou ainda pior com o surto de peste negra, a epidemia mais devastadora da história humana, com milhões de mortos na Europa.
Como a Igreja não podia proteger os fiéis da doença, as representações de Satanás centraram-se nos horrores do inferno, refletindo o ânimo do momento e lembrando por que não se devia pecar.
SPLImage copyrightSCIENCE PHOTO LIBRARY
Image captionNa Bíblia de Alba, traduzida do hebraico para o castelhano medieval em 1430, o arcanjo Miguel luta contra Satanás

Anos 1530 ~ Propaganda endiabrada

Há uma longa tradição de associar o diabo aos inimigos do Cristianismo dentro e fora da Igreja.
Quando ela se dividiu durante a Reforma, católicos e protestantes se acusaram mutuamente de estarem sob a influência do diabo com propagandas jocosas e grotescas sobre esta corrupção.
GettyImage copyrightGETTY
Image captionO diabo faz parte de uma linguagem de caricaturas

Anos 1500-1600 ~ Feitiços e sedução

No início do período moderno, pessoas eram acusadas de fazer pactos com o diabo e praticar bruxaria. Satanás era frequentemente representado como um sedutor e se achava que as mulheres eram especialmente vulneráveis a seus encantos.
Imagens mostravam mulheres em atos sexuais com o diabo, por elas serem consideradas o sexo frágil e mais propensas a caírem em pecado por serem incapazes de dominar seus desejos carnais.
Se Satanás conseguia corromper o corpo feminino, era uma ameaça à segurança familiar, à santidade e até mesmo à fertilidade da comunidade.
SPLImage copyrightSCIENCE PHOTO LIBRARY
Image captionDetalhe da la obra 'Ações dos diabos", publicada na Espanha no final do século 14

Anos 1600-1800 ~ Um diabo iluminado

Os escritores e pensadores iluministas reinterpretaram a história do diabo para que se ajustasse às preocupações políticas da época. John Milton descreveu um Lúcifer psicologicamente complexo no poema Paraíso Perdido, que conta a queda em desgraça de Satanás.
Enquanto os textos religiosos anteriores haviam examinado a motivação de Satanás para condená-lo, o Lúcifer de Milton é um personagem atraente e solidário que encarna os sentimentos de rebeldia do republicanismo do século 17.
Para alguns artistas românticos e iluministas, Satanás era um nobre rebelde que travava uma batalha contra a autoridade tirânica de Deus.
Image caption"Lúcifer", de Franz von Stuck (1863-1928), dá a sensacão do diabo estar mais próximo de nós

Anos 1900-2000 ~ Animal político

Quando a ciência conseguiu explicar a morte, as doenças e os desastres naturais, a figura do diabo ficou ameaçada. Havia lugar no mundo laico para Satanás?
Foi quando um diabo urbano e sofisticado entrou em cena. Seguindo uma tradição de identificá-lo com inimigos políticos e religiosos, o diabo foi usado para ilustrar a oposição política por meio de caricaturas e sátiras.
Além disso, Satanás encontrou seu lugar no mundo comercial, tornando-se sinônimo de excessos pecaminosos, aparecendo em propagandas para vender desde chocolate e champagne até carros de luxo.
Fonte: BBC
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