segunda-feira, 18 de março de 2019

Exposição mostra devoção a São Benedito em Porto Seguro




Foi inaugurada, no dia 09/03/19, no Museu de Arte Sacra da Misericórdia, em Porto Seguro, a exposição “São Benedito: o santo negro de Porto Seguro”. O acervo, formado por fac-símiles de documentos históricos e fotografias antigas de festejos e da igreja, e três imagens dos séculos XVIII e XIX de São Benedito, está exposto na capela que leva o nome do santo, na Cidade Histórica.

A exposição, que tem o apoio da Paróquia Nossa Senhora da Pena e da Veracel Celulose, conta a história do frade negro e da devoção da comunidade local ao santo, da Ordem Franciscana. O curador e coordenador do Museu, o historiador Francisco Cancela afirma que a existência da devoção a São Benedito em Porto Seguro comprova a presença e a contribuição da população negra na formação da sociedade portossegurense.

“Historicamente, os santos negros foram instrumentos estratégicos para a Igreja realizar a catequização dos escravizados. Mas a forma como os negros cativos e os seus descendentes se apropriaram e ressignificaram as virtudes e as atribuições dos santos negros produziram novas narrativas e experiências no campo da religiosidade”.

O objetivo da exposição é proporcionar um espaço temporário de valorização da memória da cultura religiosa de Porto Seguro, reconstruindo narrativas, reproduzindo imagens e reafirmando personagens que reivindicam a presença e a participação da população negra na formação da cidade. Segundo o professor, a intensão da curadoria do Museu “é reivindicar exatamente essa outra história que revela como os negros, desde o período colonial, encontraram na devoção a São Benedito um lugar de solidariedade, de sociabilidade e de fé”.

Parcerias
A exposição “São Benedito: o santo negro de Porto Seguro” é resultado de um projeto de pesquisa e extensão financiado pelo Programa Afirmativa da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

A equipe, coordenada pelo professor Francisco Cancela, composta por bolsistas cotistas do Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias do Campus XVIII, em Eunápolis, desenvolveu pesquisa nos arquivos do IPHAN, da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e no Arquivo Público da Bahia, além da análise iconográfica do acervo do Museu de Arte Sacra e de entrevistas com moradores mais antigos da cidade.

A exposição estará no local até o dia 08/04/19, com horário de visitação das 9h às 14h, todos os dias da semana, com entrada franca.
Rua Dr. Antônio Ricaldi, no Centro Histórico de Porto Seguro.

domingo, 17 de março de 2019

Michelangelo Zambelli, 70 anos de sua morte

Escultor italiano faleceu em 10 de abril de 1949, deixando obra que se mesclou à trajetória artística de Caxias ao longo do século 20


Michelangelo Zambelli: morte há 70 anos Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação/divulgação
Michelangelo com a esposa Adelina Stangherlin Zambelli por volta de 1925 Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação / divulgação
 
Texto de
Rodrigo Lopes

Não há residência, igreja, capela, parque, praça, empresa e estabelecimento comercial de Caxias que, em algum momento do século 20 não tenha abrigado — ou abrigue até hoje — alguma imagem sacra desenvolvida no lendário Atelier Zambelli.

Com a recente reabertura do Memorial Zambelli, junto aos Pavilhões da Festa da Uva, e a um mês dos 70 anos da morte de Michelangelo Zambelli, em 10 de abril de 1949, recordamos das homenagens prestadas ao escultor pelos jornais "O Pioneiro" e "O Momento" na época de seu falecimento.

Em ambos, nas edições de 16 de abril de 1949, Michelangelo ocupou a seção "Necrologia", espaço destinado a destacar a trajetória de personagens ilustres da cidade — embrião do tradicional "Obituário". Provavelmente elaborado pela família, o texto publicado nos dois semanários é idêntico, com algumas subtrações de frases no Pioneiro, conforme reproduzido abaixo.
Nascido na comuna de Canneto Sull’ Oglio, província italiana de Mântova, em 26 de agosto de 1883, Michelangelo Zambelli tinha 65 anos.


Foto: Agência RBS / reprodução
Michelangelo com a esposa Adelina Stangherlin Zambelli por volta de 1925Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
 
Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
 
A seção "Necrologia" em 1949  

Após longo período de pertinaz enfermidade, veio a falecer no dia 10, nesta cidade, o senhor Michelangelo Zambelli, um dos mais diletos filhos de Caxias. Pessoa vastamente estimada, descendente de velhos pioneiros da colonização, tinha por Caxias grande simpatia e atração, tanto que, tendo cursado a Academia de Artes de Milão, onde distinguiu-se com invulgar brilhantismo, tornando-se um artista de grandes possibilidades, não se importou de procurar centros maiores para dar a conhecer o seu talento. Retornando ao nosso meio, demonstrou sempre facetas de sua sensibilidade artística, de sua habilidade de escultor exímio e sentimental e de sua capacidade de concepção . 

E assim foi que Michelangelo Zambelli, possuído de um desejo intenso de ver sua terra culta e grandiosa, trouxe para ela a sua contribuição. Os trabalhos artísticos que apresentava em público tiveram destacada admiração, constituindo mesmo verdadeira romaria e atração de forasteiros e artistas que vinham a Caxais à procura de seu atelier. Perpetuando o talento de Michelangelo, ficam nos templos religiosos da nossa cidade inúmeras imagens santas e tantas outras espalhadas pelos demais municípios do Estado — e até mesmo mesmo entre muitos da Federação Brasileira. 

Na Estátua da Liberdade, que alterosa destaca-se na Praça Rui Barbosa, no coração da cidade, deixou ele um marco da sua habilidade e da sua alma de artista. Como chefe de família e como cidadão, demonstrava traços salientes de seu caráter e das suas nobres qualidades de amigo, pois era grandemente estimado pela bondade que sabia expandir. 

Era casado com a senhora Adelina Stangherlin Zambelli, não deixando deste matrimônio nenhum filho. Pranteando-Ihe a morte, deixou seus irmãos Estácio, Edmundo e Ângelo Zambeli e as viúvas Carmela e Octacilia Zambeli, sendo ainda ligado por laços de família com os senhores Antônio Santo Basso, João José Conte e Jonatas Travassos. 

A infausta notícia do falecimento deste caxiense ecoou profundamente no seio da sociedade local, a qual prestou assinalados serviços, pois teve a oportunidade de ocupar com muita dedicação diversos cargos em diretorias de algumas das instituições da cidade. 

O seu sepultamento foi efetuado no dia 11, às 9h, tendo um grande acompanhamento. 


Michelangelo (à esquerda, sentado) e o irmão Mario Cilo Zambelli em um registro de 1905, época em que Michelangelo havia retornado da Itália com o diploma da Academia de Breda, em MilãoFoto: Acervo família Zambelli / divulgação
 
Seção Necrologia publicada no jornal O Momento, em 16 de abril de 1949Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
 
O início
A trajetória dos Zambelli teve início com a chegada do imigrante italiano Tarquinio Zambelli à Serra por volta de 1883. Egresso da Escola de Belas Artes de Milão, com amplo conhecimento em pintura, escultura e decoração, o patriarca logo introduziu os filhos Michelangelo, Mario Cilo, Annunzia, Estácio e Raffaele no ofício, levando-os para trabalhar no então "Grande Laboratório Artístico de Tarquinio Zambelli e Filhos".

De todos os descendentes de Tarquinio, Michelangelo foi o que teve atuação mais intensa na cidade e região da Serra. Após uma temporada em Buenos Aires, o primogênito fundou em 1915 o "Atelier de Escultura Michelangelo Zambelli & Cia Ltda", localizado na Av. Júlio de Castilhos, 815.

Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Com o falecimento de Michelangelo, em 1949, a esposa Adelina assumiu a direção do negócio, juntamente com o sócio Nilo Tomasi. A produção seguiu até o início dos anos 2000, quando o velho casarão de madeira, próximo ao Santo Sepulcro, começou a sofrer com a degradação física.

Passado um período de indefinições, entre 2002 e 2004, parte do acervo remanescente foi adquirido pela Festa Nacional da Uva, com suporte técnico e artístico do extinto Departamento de Memória e Patrimônio Cultural, da Secretaria da Cultura.

Nascia aí, no subsolo do Monumento Jesus Terceiro Milênio, o Memorial Atelier Zambelli — fechado desde agosto de 2017 e reaberto ao público em fevereiro último, após mais de um ano fechado para reformas estruturais visando controlar goteiras, mofo e umidade.


Foto: Reprodução / Agência RBS

Fonte: Pioneiro - RBS

sábado, 16 de março de 2019

Curso no Museu Franciscano (RJ)



Entre brasões e igrejas, obras de Paulo Lachenmayer estão espalhadas por Salvador

Texto de Bruna Castelo Branco

Mesmo vivendo no Brasil há 68 anos, o irmão Paulo Lachenmayer, nascido na Alemanha, esqueceu como se falava português nos últimos dias de vida. Já velhinho, caiu e quebrou o fêmur no Mosteiro de São Bento, onde morava desde os 19 anos. Não conseguia andar e mal saía da cela –  é assim que se chamam os quartos dos mosteiros. Um grupo de noviços se revezava para cuidar dele e de outros monges alemães que ainda viviam por ali. Um desses cuidadores é o padre Maurício. Na noite do dia 7 de abril de 1990, ele atestou que irmão Paulo estava morto.

“Era umas 21h. Eu tinha saído para deixar um padre lá na Barroquinha, que é ali perto. Quando voltei, o monge que estava com ele estava aperreado, dizendo que estava preocupado com irmão Paulo. Entrei na cela e constatei a morte dele. Pedi ao sineiro, irmão Pascoal, que tocasse o sino para que todos soubessem”, lembra. Assim como todos que moram ali, irmão Paulo foi sepultado no mosteiro, bem longe de onde nasceu. Uma casa para sempre.

Quando chegou à cidade, irmão Paulo seguiu à risca o lema da Ordem Beneditina: ora et labora (ora e labora, em português). É uma das regras mais conhecidas de São Bento, que dizia que “a ociosidade é inimiga da alma; por isso, em certas horas devem ocupar-se os irmãos com o trabalho manual, e em outras horas com a leitura espiritual” (Cap. 48 da Regra de São Bento). Irmão Paulo era arquiteto, escultor, ilustrador, designer gráfico e heraldista. Foi ele quem criou o brasão da Universidade Federal da Bahia, o da Universidade Católica do Salvador e o do Museu de Arte Sacra, por exemplo. Também é autor do brasão da cidade de Campina Grande (PB), onde padre Maurício nasceu.

E mais: o arquiteto e pesquisador Paulo Veiga, autor do livro Irmão Paulo Lachenmayer: um artista alemão no mosteiro beneditino da Bahia no Brasil, que vai ser lançado pela Edufba no final deste mês, acrescenta outro talento ao religioso: “Posso afirmar, categoricamente, que ele foi o primeiro artista moderno da Bahia, não tem dúvidas sobre isso. Mário Cravo conhecia ele, se consultava, bebeu dessa fonte”.

O livro veio de uma dissertação de mestrado, que veio de uma capa de livro, a Gramática Nova do Francês, ligada a um nome que ouviu muito na infância. O autor da gramática é o pai dele, o professor e escritor Cláudio Veiga, e o artista da capa é o irmão Paulo Lachenmayer. “Também convivia com as imagens do ex-libris e o busto de São Francisco Xavier, santo de devoção do meu pai e padroeiro da Cidade do Salvador, todos feitos por Irmão Paulo”. Conviveu com as obras, mas não com o biografado em pessoa.
Nascido na Alemanha, o monge atuou como arquiteto, escultor e ilustrador
Nascido na Alemanha, o monge atuou como arquiteto, escultor e ilustrador
Quando percebeu a beleza e a precisão do trabalho do religioso, entrou num caminho sem volta. Foi para a Alemanha, conheceu a família de irmão Paulo e passou por cinco cidades: Munique, Ravensburgo, Langenargen, Beuron e Weingarten.

“A convivência com o mundo e com a vida de irmão Paulo fez nascer um vínculo espiritual com ele. Passou a ser, para mim, um grande amigo. Recebi a missão de divulgar a arte e o nome dele”, diz Veiga. Quer que toda essa informação alcance a Alemanha, onde o sobrenome Lachenmayer ainda é desconhecido. Refez os caminhos do monge.

Arte
Nos tempos do Império, a cultura monástica do Brasil começou a morrer. Já não havia noviços e os monges que restaram estavam envelhecendo. Com a proclamação da República, os mosteiros sobreviventes pediram ajuda a congregações de outros países, que funcionaram mais como  importadoras de aprendizes de padre. A Alemanha, onde sobravam religiosos, deu socorro.

Os pais de irmão Paulo, que nasceu no ano de 1903 na cidadezinha de Langenargen, deram a ele o nome de Ernst. Ernst, antes de ser Paulo, ficou órfão de pai e mãe. Sem casa, um irmão foi embora para Munique, as irmãs entraram num convento beneditino e Ernst foi adotado pelo mestre Theodor Schnell, que o ensinou o ofício da escultura sacra. Aos 19 anos, já era um artista formado. “Ele foi educado em modelos medievais. Mas sua influência artística é marcada fortemente pelo expressionismo alemão e pelo funcionalismo. Pelo modernismo alemão”, explica Veiga.
Lachenmayer desenhou o brasão de universidades, como o da Federal da Bahia
Lachenmayer desenhou o brasão de universidades, como o da Federal da Bahia
E dá para ver. Na casa de Veiga há um acervo imenso das obras de irmão Paulo, dadas para Cláudio Veiga, de quem era muito amigo. “Ele usava muito uma aparência xilográfica, desenhava pessoas com expressões fortes, rostos deformados… É a influência expressionista”. Na Alemanha, não sobrou muita coisa. Numa mudança, os sobrinhos que herdaram as obras, escritos e cartas se desfizeram de grande parte do que ficou por lá, algumas coisas da época da adolescência. “Eles gostaram que vai ter o livro, por isso vai ser bilíngue, português e inglês”.

Na igreja, aquele modernismo todo, que misturava o expressionista ao sacro, não era tão bem visto assim. Para o pesquisador, isso pode ter empacado um pouco a evolução da carreira do monge nas artes modernas. “O abade da época achou as imagens tão esquisitas que não gostou. Ele teve que se enquadrar”.
Ernst veio ao Brasil com outros alemães, aqueles que vieram em socorro aos mosteiros. “A Alemanha pós-guerra passava por mais dificuldades do que o Brasil”, diz Veiga. Logo decidiu que seria um irmão leigo, ou seja, não faria a profissão solene nem ganharia o título de dom. O Labora pesou mais. “Ele nunca quis ser padre. Trabalhava o tempo todo com alegria. Não perdia tempo, nunca o vi à toa”, conta o abade dom Emanuel, do Mosteiro de São Bento, amigo de irmão Paulo.

Na época, aqueles que decidiam não seguir a profissão solene acabavam responsáveis pelos trabalhos braçais. Labora. Cuidar da carpintaria, das galinhas, dos jardins e da cervejaria, trazida pelos alemães. “Eles faziam para consumo próprio. Era uma fórmula milenar dos mosteiros da Alemanha”, conta Denia Gomes, coordenadora do setor de cultura do mosteiro. Quando eles foram envelhecendo, a cervejaria fechou e a fórmula sumiu. “Mas vamos tentar retomar isso”, diz ela.

Padre Antônio, professor aposentado da Universidade Católica, lembra que os irmãos leigos eram, geralmente, pessoas de pouco estudo. Irmão Paulo destoava um tanto. “Ele pertencia a essa categoria, mas era um intelectual. Ele era um artista, trabalhava sozinho. Tinha uma vida de oração e de trabalho”, explica ele, que viveu no Mosteiro de São Bento entre 1959 e 1961.

No mosteiro, na cidade
Andando por aí, com atenção, dá para achar algumas das contribuições do monge em Salvador. Fez o projeto de restauro de monumentos como a Igreja da Graça e a Igreja de Montserrat. A Capela do Carmelo, no bairro do Candeal, é toda obra dele. Como que em agradecimento ao santo que o acolheu, fez também os projetos das portas e do teto da Igreja de São Bento, anexa ao mosteiro. O croqui ainda está lá, guardadinho no arquivo. “Ele fez o desenho das portas laterais, que não existiam na época, era um vão. E o telhado antes era de madeira”, diz dom Anselmo, responsável pelo arquivo do mosteiro.
Desenhou também o Brasão de Armas da  Congregação Beneditina. No mosteiro, deixou tantos rascunhos de brasões que nem dá para contar. “Ele foi o maior heraldista eclesiástico do Brasil. Era um horror a heráldica antes dele, de 1900 a 1930”, opina abade dom  Emanuel. Fora da Bahia, deu consultoria na construção da Catedral do Rio de Janeiro e da Catedral de Brasília, com o arquiteto Oscar Niemeyer. Passou três anos no Mosteiro de São Bento de São Paulo, onde também laborou.

O trabalho árduo com os brasões rendeu e ainda tem rendido estudos. Tanto que chegou ao I Seminário Internacional de Heráldica, organizado pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Lá, a filóloga Alicia Lose, professora de paleografia da Universidade Federal da Bahia, falou sobre a revolução que ele fez na heráldica no Brasil, uma arte ainda muito europeia. “Evidentemente, falei do nosso heraldista beneditino que, com a sua arte e traço firme, ultrapassou os muros do mosteiro”. Agora, ultrapassa as fronteiras do Brasil.

Quem conviveu com irmão Paulo ou conhece a história dele concorda que ele tinha uma característica marcante: gostava de fazer mil coisas ao mesmo tempo. Em bom baianês, era agoniado. “Se pediam para ele fazer uma porta, ele queria fazer a porta e mais duas janelas. E fazia mesmo”, diz Veiga.
Para o pesquisador Paulo Veiga, Lachenmayer é o primeiro artista moderno da Bahia
Para o pesquisador Paulo Veiga, Lachenmayer é o primeiro artista moderno da Bahia
Desde que se foi, muita coisa mudou no Mosteiro de São Bento, a casa que escolheu para viver e morrer. Viajou algumas vezes para a Alemanha, mas sempre voltou. Hoje, nessa correria que a gente conhece bem, os monges usam celular e WhatsApp, meios de comunicação mais rápido do que os sinos centenários do mosteiro, agora usados mais quando a tecnologia resolve  falhar.

Irmão Paulo Lachenmayer tinha outro talento: o de calígrafo. “Ele era tão organizadinho que fez um mapa  numerando as lápides do mosteiro”, mostra Denia. Deixou o desenho de todas as lápides, com a mesma caligrafia de quem fez as inscrições há séculos, como se ele mesmo as tivesse feito. Passando por ali comparando o real ao desenho, encontramos o túmulo dele. A inscrição diz: “Sepultura do nosso Ir. Paulo Lachenmayer, grande arquiteto e heraldista, falecido aos 7 de abril de 1990, aos 87 anos de idade e 64 de profissão”.

Fonte: A tarde/UOL

quinta-feira, 14 de março de 2019

Curso: “Conservação e Preservação de Fotografias”




A proposta da oficina é capacitar profissionais que atuam na área da documentação, arquivistas, bibliotecários, museólogos, conservadores e interessados em geral, no desenvolvimento de ações e práticas de Conservação e Preservação de conjuntos fotográficos históricos e contemporâneos.

PROGRAMA
– Treinamento para identificação dos processos fotográficos praticados nos séculos XIX e XX.
– Elaboração de diagnóstico avaliando o estado de conservação das fotografias em decorrência da guarda inadequada, manuseio incorreto, poluição, umidade, temperatura e iluminação, bem como das causas intrínsecas ao próprio suporte fotográfico.
– Conservação e acondicionamento do conjunto fotográfico, como: higienização química e mecânica; pequenos reparos e acondicionamento.
– Conceitos de Conservação Preventiva e uso de EPI´s.
– Digitalização de acervos fotográficos.


BIBLIOGRAFIA:
LAVÉDRINE. Bertrand. Photographs of the past – Process and Preservation. Los Angeles-USA: The Getty Conservation Institute, 2009.
MOSCIARO, Clara. Diagnóstico de Conservação em Coleções Fotográficas. Cadernos Técnicos No. 6. Rio de Janeiro: Funarte, 2009.
NORRIS, Debra H.; GUTIERREZ, Jennifer J. (Org.). Issues in the Conservation of Photographs. Los Angeles-USA: The Getty Conservation Institute, 2010.
OLIVEIRA, João Sócrates de. “ Manual Prático de Preservação Fotográfica”. In: Revista de Museologia, Ano 1, No. 1, São Paulo: Instituto de Museologia de São Paulo/FESP, 1989.
PAVÃO, Luís. Conservação de coleções de fotografia. Lisboa: Dinalivro, 1997.


Professora
Marli Marcondes. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista – UNESP; Mestre em Multimeios pelo Instituto de Artes – UNICAMP. Especialista em conservação de documentos fotográficos sob orientação do CCPF – FUNARTE/RJ. Possui especialização em “Análise e Perícia em Obra de Arte” pela Escola Templo da Arte (SP). Possui cursos na área de restauro em suporte gesso, barro, madeira e papier mâchépelo Museu de Arte Sacra de São Paulo. Especialista em restauro de pintura pelo Museu de Arte Sacra de São Paulo. Especialização em restauro de pintura de cavalete pelo Istituto per l´Arte e il Restauro Palazzo Spinelli. Foi professora da Universidade de Franca – UNIFRAN (1996), da Universidade Paulista – UNIP (2002-2004) e PUC-Campinas (2003-2005). Atuou como Conservadora de fotografias no Centro de Memória-Unicamp de 1997 a janeiro/2019.


Período: 25 e 26 de abril de 2019 (quinta e sexta)
Horário – das 9 às 17hs (1 h de almoço)
Carga horária: 17 hs
Valor: R$ 380,00 a vista – R$ 420 ,00 (duas vezes) –  15 vagas
Inscrições: mfatima@museuartesacra.org.br
Informações: (11) 5627.5393
Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo
Endereço: Avenida Tiradentes, 676, Luz. Metrô Tiradentes.
Estacionamento gratuito (ou alternativa de acesso):  Rua Jorge Miranda, 43
No final do curso o aluno receberá o certificado.
Fonte: Museu de Arte Sacra de São Paulo
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