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domingo, 22 de janeiro de 2017

10 Igrejas em São Paulo para visitar nas férias






As férias de janeiro podem ser uma ótima oportunidade para você conhecer igrejas importantes da cidade de São Paulo.

Só no centro da capital paulista é possível visitar diversos templos que tem importância e grande significado sob os pontos de vista arquitetônico, histórico, cultural e artístico. Além disso, é claro, em cada uma dessas igrejas é possível renovar sua fé e sentir que Deus habita esta cidade imensa e tem amor pelo seu povo, como dizia a oração pelo centenário de criação da Arquidiocese de São Paulo (celebrado em 2008).

Confira a seleção de Igrejas que o Portal Arquisp indica para você conhecer nas férias:


Catedral da Sé

Inaugurada em 25 de janeiro de 1954, por ocasião das comemorações do IV centenário de fundação da cidade de São Paulo. O estilo neogótico da Catedral é considerado peculiar, com seu aspecto eclético em estilos arquitetônicos. Nas colunas alçadas a 70 metros de altura, encontram-se elementos típicos da fauna e da flora brasileiras, como ramos de café, o tamanduá-bandeira, o tatu-bola, a coruja contrastando com grandes personagens do século XX, da história da Catedral e da história universal.

Na Catedral, você também pode visitar a cripta – capela subterrânea localizado localizada logo abaixo do altar principal. Inaugurada em 1919, contém 30 câmaras mortuárias destinadas a guardar os sarcófagos dos bispos e arcebispos, além de guardar os restos mortais do cacique Tibiriçá, o primeiro cidadão de Piratininga, do padre Feijó, Regente do Império, e recentemente do Cardeal Paulo Evaristo Arns, que foi “Defensor dos pobres, marginalizados” (como destacou o Papa Francisco, em carta para a Arquidiocese de São Paulo por ocasião da morte do Cardeal).
Serviço:

Endereço: Praça da Sé - Sé, São Paulo
Horário de funcionamento: De segunda a sexta-feira e domingo das 7h30 às 18h30 e aos sábados 7h30 às 17h
Missas: De segunda a sexta-feira às 12h e 17h - 9h (Às segundas e sextas feiras) | Sábado: 12h | Domingo: 09h, 11h e 17h
Visitação à Cripta: De segunda a sexta-feira das 9h30 às 17h.

Site: www.arquisp.org.br/regiaose/paroquias/mosteiros-igrejas-historicas-oratorios-da-regiao-se/catedral-metropolitana-nossa-senhora-assuncao-e-sao-paulo-se



Pateo do Collegio

A cidade de São Paulo nasceu em torno do colégio de Piratininga, com a chegada da missão dos jesuítas em 1554. No local onde estava construído o colégio, hoje há uma pequena igreja dedicada a São José de Anchieta, um dos fundadores da cidade. A capela, reconstruída na década de 1980, tem uma relíquia exposta de Anchieta.

No conjunto, também é possível conhecer o Museu Anchieta – que tem um acervo “predominantemente composto de peças de arte sacra que remetem à vida social paulistana intrinsecamente ligada a religiosidade dos primórdios da cidade”, e o Café do Pateo – que serve o café pessegueiro, “produto paulista, cultivado na fazenda que dá nome a bebida na região mogiana desde 1870”.
Serviço:

Endereço: Largo Pátio do Colégio, 34, Centro
Horário de funcionamento da igreja, museu e café é de terça-feira a domingo das 9h às 16h30.
Missas: De terças as sextas-feiras às 12h e aos domingos às 10h.
Site: www.pateodocollegio.com.br



Mosteiro de São Bento

Cenário que ficou famoso com as bênçãos dos Papa Bento XVI na sacada da faculdade, a construção da Basílica tem estilo da escola artística de Beuron, projeto de Richard Berndl – Professor da Universidade de Munique e um dos melhores arquitetos da Alemanha. A decoração interna, os afrescos e murais são de autoria e execução do monge beneditino holandês Dom Adelbert Gresnicht.

No local, é possível participar de missas com cantos gregorianos, acompanhados do som de um grande órgão de tubos.

Outra grande atração é a lojinha, com pães, bolos, doces, biscoitos e geleias feitas pelos próprios monges e cujas receitas são seculares, guardadas há muito no arquivo da abadia. A forma de preparar os quitutes só é transmitida a um outro monge para não se perder a qualidade com a massificação.
Serviço:

Endereço: Largo de São Bento, s/n - Centro, São Paulo
Horário de funcionamento: 6h às 18h30
Missas: Todos os dias, de segunda à sexta às 7h, aos sábados às 6h e no domingo às 10h
Site: mosteiro.org.br


Santuário e Igreja da ordem terceira - Largo São Francisco

O Convento de São Francisco foi instalado ainda na vila de São Paulo, durante o período do Brasil colonial. No século XIX, o convento foi convertido em Faculdade de Direito, mas o Santuário São Francisco ainda existe e faz você viajar para um Brasil do passado, com sua arquitetura mais barroca.

Ao lado do santuário, você também pode conhecer a Igreja de São Francisco das Chagas, levantada pela Ordem Terceira de São Francisco. A igreja foi tombada como patrimônio histórico de São Paulo em 1982 e é considerada uma das mais importantes obras do século XVIII. A construção original foi feita em estilo barroco-rococó, com o projeto arquitetônico assinado por Frei Galvão. Ela foi reaberta em 2014, após 7 anos de restauro.
Serviço:

Endereço: Largo São Francisco, 133 – Centro
Horário de funcionamento: 8h30 às 17h30
Missas: Segunda-feira 7h30, 12h00

Terça-feira a Sábado: 7h30, 10h30, 12h00, 15h00 e 18h00

Domingo: 7h30, 9h00, 10h30, 12h00 e 18h00

Todo dia 25 de cada mês – Missa de Frei Galvão 10h30 e 15h00

Terça-feira - Bênção e distribuição do Pão de Santo Antônio

Quinta-feira - Bênção do Santíssimo – 15h

Site: www.conventosaofrancisco.com.br


Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco
Serviço:

Endereço: Largo São Francisco, 173, Sé

Missas: No 1º e 3º Domingo do mês às 9h;

Horário de funcionamento:
Segunda a sexta-feira 9h às 17h
Sábado: 9h às 13h
Site: arquisp.org.br/regiaose/paroquias/mosteiros-igrejas-historicas-oratorios-da-regiao-se/igreja-das-chagas-do-seraphico-pai-sao-francisco



Igreja Nossa Senhora da Consolação

Construída em 1909 a Igreja Nossa Senhora da Consolação é marcada por missas histórica e foi usada como Catedral no período em que a Sé ficou fechada para reformas – entre 1999 e 2002. Com uma torre gótica de 75 metros e um estilo totalmente neo – romântico, a paróquia tem obras de Benedito Calixto e de Oscar Pereira da Silva.
Serviço:

Endereço: R. da Consolação, 585 - Centro, São Paulo – SP
Horário de funcionamento: Das 7h30 às 20h
Missas: De segunda a sexta-feira às 07h, 12h05, 18h e 19h
Sábado: 08h, 12h e 18h
Domingo:08h, 10h, 12h, 18h e 20:00
Site: arquisp.org.br/regiaose/paroquias/paroquia-nossa-senhora-da-consolacao/matriz-paroquial-nossa-senhora-da-consolacao


Mosteiro da Luz

Principal obra colonial de São Paulo, o Mosteiro da Luz é considerado pela Unesco “Patrimônio Cultural da Humanidade” e é um dos únicos edifícios em taipa de pilão ainda em pé no Estado de São Paulo.

Na capela pública do Mosteiro, é possível rezar diante do túmulo de Frei Galvão (primeiro santo brasileiro e desenhista do projeto do Mosteiro).

No local, também é possível pegar as pílulas milagrosas, preparadas desde a época do santo pelas Irmãs Concepcionistas.

Ainda no terreno do Mosteiro, é possível conhecer o Museu de Arte Sacra de São Paulo – mantido por uma parceria entre a Arquidiocese de São Paulo e o Governo do Estado. No acervo, estão peças importantes ligadas à vida da Igreja na cidade, como os objetos sacros usados durante o IV Congresso Eucarístico Nacional, realizado em São Paulo no ano de 1942.
Serviço:

Endereço: Avenida Tiradentes, 676 - Luz - Centro - São Paulo. (Acesso pelo metrô São Bento).
Horário de funcionamento: Das 7h às 16h30.
Horário das missas no mosteiro: Das 7h às 16h. Missas: de segunda a sexta, às 7h; sábado, às 8h e às 16h; e domingo, às 8h, 10h30 e às 16h. E em todo os dias 23, 24 e 25 de cada mês tem missas em honra a Frei Galvão às 7h e 16h
Horário de distribuição das pílulas: De segunda a sexta-feira das 8h30 às 11h e das 14h30 às 16h45, aos sábados e domingos após a missa das 8h às 16h.
Horário de funcionamento do museu de arte sacra: Terça a Domingo - 9:00 às 17:00

Ingresso:
Sábado: gratuito
Demais dias: R$ 6,00 (estudantes pagam meia)
Isentos: idosos acima de 60 anos; crianças até 7 anos; professores da rede pública (com identificação) e até 4 acompanhantes.

Mais informações entre nos site do MAS: http://www.museuartesacra.org.br/pt/

Site: mosteirodaluz.org.br


Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

Localizada no Largo do Paissandu, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos possui um histórico importante para a cidade de São Paulo, sendo a terceira comunidade mais antiga do Brasil.

Construída no período colonial, a Igreja abriu as portas e deu oportunidade aos negros para frequentar o seu espaço. Apresentando uma diversidade de detalhes nas pinturas das paredes, vestimentas e rebuscando ainda a essência de anos atrás, o ambiente busca dar apoio a quem necessita e conta até os dias atuais com o auxílio da Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
Serviço:

Endereço: Largo do Paissandu, s/nº, Centro
Horário de funcionamento: De segunda a sexta das 7h às 19h e domingo às 7h às 12h
Missas: De segunda a sexta-feira às 07h30, 08h30 e 18h, aos domingos, 07h30, 09h e 10h30.
Site: arquisp.org.br/regiaose/paroquias/mosteiros-igrejas-historicas-oratorios-da-regiao-se/igreja-nossa-senhora-do-rosario-dos-homens-pretos


Igreja da Boa Morte

A Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte se formou em 1728, tendo como principal característica admitir pessoas de todas as classes sociais, sem distinção. Em 1802, adquiriu de Joaquim de Sousa Ferreira um terreno na Rua do Carmo, onde construiu a igreja, inaugurada no dia 14/8/1810.

Em 2009, um ano antes de completar 200 anos, foi reaberta após uma longa restauração. Durante o processo de restauro, foi encontrada uma pintura barroca representando a Coroação da Virgem Maria que estava escondida sob camadas de tinta cinza, em tábuas do forro de madeira sobre o altar.

Site: webmisericordia.wordpress.com/tag/igreja-da-boa-morte/
Serviço:

Endereço: Rua do Carmo, 202, Centro
Horário de funcionamento: Aberta 24h
Missas: De segunda a sexta-feira às 18h, sexta-feira 12h, aos sábados 15h e aos domingos 10h e 18h



Basílica Nossa Senhora do Carmo
Os Carmelitas começaram a sua fundação em São Paulo no ano de 1594, com Frei Antônio de São Paulo, que ergueu uma pequena Igreja.

Era o humilde começo do que seria em séculos posteriores a bonita Igreja do Carmo e o grande Convento da Ladeira do Carmo, na esquina da Rua do Carmo, atualmente Avenida Rangel Pestana.

Sua arquitetura filia-se a um movimento que buscava, na tradição colonial brasileira, os componentes para a sua expressão.
Serviço:

Endereço: Rua Martiniano de Carvalho, 114, Bela Vista
Horário de funcionamento: Das 8h às 21h
Missas:
2ª feira às 19h
De 3ª, 4ª, 5ª e 6ª feira: 12h15
Sábado: 7h15 e 16h00
Domingo: 7h30, 9h, 11h e 18h30
Site: http://www.basilicadocarmo.com.br



Igreja Santo Antônio do Patriarca

O interior da Igreja de Santo Antônio conserva importantes testemunhos da arte produzida em São Paulo no período colonial. Durante a restauração levada a cabo em 2005, descobriu-se no forro do altar-mor pinturas murais seiscentistas de alta qualidade técnica e artística, as mais antigas de que se tem notícia em São Paulo.

Também o altar principal, executado em 1780, é um belo exemplar da talha barroca. A igreja é tombada pelo poder público estadual (Condephaat) desde 1970, em virtude de sua importância histórica, artística e arquitetônica.
Serviço:

Endereço: Praça do Patriarca, 49, Sé.
Horário de funcionamento: Das 7h às 18h30
Missas: De segunda a sexta-feira 07h30, 09h, 12h e 18h
Terça-feira às 16h
Sábado 07h30, 09h e 18h
Domingo 09h e 18h
Site:www.arquisp.org.br/regiaose/paroquias/mosteiros-igrejas-historicas-oratorios-da-regiao-se/igreja-santo-antonio-patriarca

Redação: Larissa Freitas, Millena Guimarães - Edição do Texto: Rafael Alberto

terça-feira, 24 de maio de 2016

Exposição de Arte Sacra é atração no Casarão da Cultura em junho

O Casarão da Cultura abrirá no dia 2 de junho, às 19 horas, a Exposição Hélio Petrus no Casarão – Arte Sacra Neobarroca, que ficará aberta ao público até 12 de junho, de segunda a sábado, das 9 às 21 horas, com entrada franca. O artista, natural de Mariana (MG) é um dos escultores mais prestigiados do Brasil, com reconhecimento internacional. Muitas de suas obras estão nas mãos de colecionadores brasileiros e do exterior.

Sua inspiração inicial, como artista escultor e entalhador autodidata, veio do próprio ambiente onde vive e trabalha. É dele a imagem de São Francisco que foi presenteada pelo governo brasileiro ao Papa Francisco, por ocasião de sua visita ao Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude. Petrus, que produz arte sacra desde 1970, já teve seus trabalhos expostos em grandes museus brasileiros e cidades como Belo Horizonte, Ribeirão Preto e São José dos Campos, entre outras.

O prestígio do artista é incontestável. Sua exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo, por exemplo, permaneceu aberta por oito meses, atestando o interesse do público e da crítica pelos seus trabalhos. Para a exposição em Rio Claro, a Secretaria Municipal de Cultura trará 50 obras do artista, representativas de toda a carreira de Petrus. “É uma oportunidade muito especial para que o público rio-clarense e de toda a região tome contato com a arte sacra brasileira, muito conhecida e prestigiada no País e no exterior”, afirma a coordenadora do Casarão da Cultura, Ilídia Faneco.

“A exposição está incluída no calendário de eventos em comemoração ao aniversário da cidade e proporcionará ao público uma experiência ímpar, permitindo o seu acesso a valiosos bens artísticos e culturais de nosso patrimônio” observa o secretário municipal de Cultura, Sérgio Desiderá. A exposição é realizada pela Secretaria Municipal de Cultura e conta com o apoio cultural do Class Hotel e do Antiquário Cia. do Tempo.

“As exposições de Hélio Petrus são raras”, informa a curadora Léa Maria de Sales Cunha. “Petrus é um dos poucos artistas que ainda trabalham a madeira no estilo barroco”, acrescenta.​

quarta-feira, 7 de maio de 2014

MG – Falsificações de esculturas de Aleijadinho são frequentes e aparecem até em catálogos

No ano do bicentenário da morte do mestre, especialistas denunciam falsificações até em mostras oficiais. comitê liderado pelo Iphan estabelecerá com testes paternidade de obras.
Elias Layon e o catálogo com peças cuja autoria ele reivindica, mas que são atribuídas ao gênio do barroco.
Elias Layon e o catálogo com peças cuja autoria ele reivindica, mas que são atribuídas ao gênio do barroco.

Mariana – O ano de 2014 marca o bicentenário da morte de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814), e acende o sinal vermelho para falsificações de obras do mestre do barroco nascido em Ouro Preto. Segundo denúncias, há imagens em exposição que não passam de cópias, venda de objetos sacros “envelhecidos” como se fossem dos séculos 18 e 19, autenticações de autoria  sem respaldo técnico e até presença, em livros, de peças da lavra de artistas contemporâneos creditadas ao arquiteto, entalhador e escultor mineiro. Autoridades federais e o Ministério Público de Minas estão vigilantes e alertam para o que, além de um escândalo cultural, pode ser enquadrado como estelionato. Uma comissão nacional deve ser formada para examinar a autentuicidade de  peças atribuídas ao gênio. Em Mariana, na Região Central do estado, a situação deixa indignado o artista plástico Elias Layon, com 50 anos de experiência e dono de ateliê no Centro Histórico. “É um absurdo, uma desmoralização ao patrono das artes no Brasil.”

O motivo da irritação do artista, conhecido como “pintor das brumas”, está em duas páginas de O Aleijadinho – Catálogo geral da obra/Inventário das coleções públicas e particulares, de autoria de Márcio Jardim, Herbert Sardinha Pinto e Marcelo Coimbra, com quase 500 peças fotografadas e descrições detalhadas. Layon se declara autor de São Joaquim, de 23 centímetros de altura e esculpido em madeira – o original de Antonio Francisco Lisboa se encontra no Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana – e de Nossa Senhora da Expectação, de 22cm, também em madeira. A relíquia verdadeira é fruto da oficina de Aleijadinho, e não propriamente do mestre. Curiosamente, as duas peças originais, em que o escultor diz ter se inspirado, também estão publicadas no catálogo.

“Aleijadinho não merece tal afronta, nem eu mereço semelhante glória. Esculpi as duas imagens na década de 1980 e as vendi, explicando que eram cópias. Para minha surpresa, vi no livro que rasparam meu nome, mudaram a policromia e ainda amputaram o braço direito de São Joaquim”, conta o artista, que aponta, na foto do livro, um pino na madeira característico de seu trabalho.

O episódio motivou uma “carta-desabafo” encaminhada por ele à ministra da Cultura, Marta Suplicy, pedindo providências sobre as falsificações, e outra a Márcio Jardim. Na sequência, Layon diz ter sido contatado pelo ministério e recebido correspondência de Jardim. Na semana passada, houve suspeita de que as duas peças integrassem mostra no espaço cultural da Caixa Econômica Federal em Brasília, mas técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) estiveram no local e nada constataram.

Ao olhar cuidadosamente o catálogo, Layon, que faz um trabalho no estilo neobarroco e pesquisa a obra de Aleijadinho há décadas, diz ter verificado que há mais de 200 peças que nunca passaram pelas mãos do gênio do barroco ou pela oficina dele em Ouro Preto. E acrescenta que vai enviar correspondência a outros autores de livros igualmente dedicados a Antonio Francisco Lisboa, informando sobre equívocos nas atribuições – termo que define estudos indicando a autoria da peça, com base nas características, estilo etc., adotados quando não há provas documentais da origem da obra.

Diante do problema, que pode se agravar agora que o nome de Aleijadinho está mais do que nunca em evidência, Layon defende a criação de uma comissão nacional de especialistas para atestar a autenticidade das peças. A providência já foi anunciada pelo Iphan e deve ser adotada ainda este ano.

Controvérsia – Na carta em resposta aos questionamentos de Layon, Márcio Jardim escreveu: “Respeito sua opinião, mas não concordo com ela, como é natural. A sua dúvida, especialmente quanto à autoria do Aleijadinho, é a mesma que venho encontrando há mais de 30 anos, desde que comecei a procurar as coleções particulares, coisa que ninguém fez antes de mim, isso em 1981. (…) Até hoje, nenhum outro pesquisador teve também a coragem e disposição para viajar e vê-las pessoalmente. Não estranho suas dúvidas; várias pessoas têm me apresentado as mesmas opiniões, algumas com incrível violência, acredite”, diz um trecho do texto. “Desde já, apoio incondicionalmente sua ideia de se criar uma comissão nacional , organizada pelo Iphan, com a participação do Iepha-MG e outras instituições, para se fazer a relação oficial, o que, aliás, já foi feito pelo Iphan em 1951”. O Estado de Minas tentou por diversas vezes contato com Márcio Jardim, por telefone, sem sucesso.

Instituto de Museus pede providências contra ‘desova de obras falsas’ de Aleijadinho
Representante do Instituto Brasileiro de Museus questiona equívocos em exposição de peças atribuídas ao gênio mineiro e defende providências para estancar a ‘desova de obras falsas’.
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O presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Angelo Oswaldo de Araújo Santos, enviou no dia 22 e-mail ao coordenador das Promotorias do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, destacando que “a apresentação pública de obras falsas do patrono da arte do Brasil é um atentado ao patrimônio histórico e artístico de Minas Gerais, do país e da humanidade”. Ele visitou a exposição Berço do barroco brasileiro e seu apogeu com o Aleijadinho, na Caixa Cultural, com 140 peças, 47 das quais atribuídas a Aleijadinho, e verificou que há enganos nas atribuições. “Não podemos admitir que atribuições superficialmente embasadas consagrem equívocos. A obra de Antonio Francisco Lisboa constitui o acervo artístico mais importante do Brasil, por ser ele o patrono das artes e patrimônio cultural da humanidade, pelo conjunto do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, e de Ouro Preto, primeira cidade brasileira reconhecida, em 1980, como patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) devido ao legado de Aleijadinho.”

Angelo Oswaldo também defende a criação de um comitê para avaliar a obra e diz que já conversou a respeito do assunto com a presidente do Iphan, Jurema Machado. “Não se trata de uma questão de controle ou censura, mas precisamos de um catálogo exaustivo sobre a obra de Aleijadinho, de forma a orientar – para que fiquem atentos – os que trabalham na preservação e conservação de bens culturais, estudiosos da história da arte, museólogos e outros profissionais. É inadmissível continuar essa desova de obras falsas sem que haja reação”, afirmou.

A presidente do Iphan, Jurema Machado, informa que no segundo semestre será formada comissão para fazer um trabalho científico e consolidar todas as informações sobre a obra de Aleijadinho. “Já está passando da hora”, disse Jurema, que deverá contar com a participação de profissionais não só da instituição que dirige, mas também do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (Cecor), da Escola de Belas-Artes (EBA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), profissionais de outros órgãos e especialistas independentes. “Já venho conversando com o presidente do Ibram, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, sobre isso e vamos buscar um equilíbrio nessa situação”, disse a presidente do Iphan.

Perícia – São muitas as denúncias sobre a falsificação de bens culturais que chegam ao Ministério Público de Minas Gerais . Titular da Coordenadoria das Promotorias de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), o promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda cita como exemplo a escultura Soldado romano, inicialmente atribuída a Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. A peça de madeira, com 2,05 metros de altura, estava em Embu das Artes (SP) e chegou a Belo Horizonte em dezembro de 2005 para perícia no Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). “Depois de feito exame de raios X, os restauradores verificaram que se tratava de escultura feita com vários tipos de madeira, inclusive com parafusos no interior. Nada de colonial, muito menos de Aleijadinho.”

Na época, o caso foi divulgado pelo Estado de Minas. A entrega foi intermediada pelo MP, via CPPC e o antiquário paulista Marcelo Aguila Arco, que estava com a peça, assinou um termo de ajustamento de conduta (TAC) na presença dos promotores de Justiça Fernando Galvão da Rocha e Souza Miranda. Foi instaurado procedimento administrativo para apurar a origem e a autenticidade do Soldado romano e, na sequência, Aguila cooperou nas investigações, entregando o objeto para perícia.

Outros casos registrados recentemente incluem a análise técnica de uma arca que estava à venda em um antiquário de São João del-Rei, na Região do Campo das Vertentes. “O objeto era comercializado como pertencente à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de uma antiga vila do ouro de Minas, constando até a data. Depois, verificou-se que a data era anterior à própria criação da irmandade e o comerciante confessou que era uma imitação”, diz o coordenador do CPPC. Ele destaca ainda a apreensão de uma peça de cantaria, que era cópia de uma portada e havia sido envelhecida para parecer antiga, sendo exposta à venda.

Para Marcos Paulo, a situação é preocupante e tende a se agravar em razão das comemorações do bicentenário de Aleijadinho. Segundo ele, é fundamental a presença maior do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para autenticar ou não uma peça, o que está bem explícito no artigo 28 do Decreto-lei 25, de 1937. “O comerciante que põe à venda uma peça fraudada  comete estelionato. E exibir peças falsificadas ou adulteradas não passa de embuste. Se houver cobrança de ingresso, pior ainda, pois as pessoas vão pagar para ver o que é falso. Isso afronta a proteção do patrimônio cultural e até mesmo os direitos do consumidor”, afirma o promotor de Justiça.

Vida e obra de um gênio
Antonio Francisco Lisboa nasceu em 29 de agosto de 1738, no Bom Sucesso, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto. Era filho natural do mestre-arquiteto português Manuel Francisco Lisboa e da sua escrava Isabel. Quando menino, frequentou o internato do Seminário dos Franciscanos Donatos do Hospício da Terra Santa, em Ouro Preto, onde aprendeu gramática, latim, matemática e religião. Em 1763, fez a primeira intervenção com características arquitetônicas: o frontispício e torres sineiras da Matriz de São João Batista, em Barão de Cocais. A imagem de São João Batista para o nicho da fachada e a cartela do fecho do arco-cruzeiro são também da sua autoria. Três anos depois, executou o projeto da Igreja de São Francisco de Assis, as imagens do frontispício e a fonte-lavabo da sacristia.

Em 1790, o arquiteto, escultor, entalhador, mestre e louvado (perito) recebeu o apelido de Aleijadinho, com o qual passou à história. A sua obra é elogiada no levantamento de fatos notáveis, ordenado pela Coroa em 1782 e elaborado pelo segundo vereador da Câmara da Cidade de Mariana, capitão Joaquim José da Silva. De 1790 a 1794, ele se ocupou do retábulo do altar-mor da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, com uma grande equipe de oficiais de talha (Henrique Gomes de Brito, Luiz Ferreira da Silva e Faustino da Silva Correia). A obra é o coroamento da atividade de escultor e entalhador.

De 1796 a 1799, ele trabalhou nas capelas que recriam a via-crúcis, em Congonhas, e produziu o conjunto de 64 esculturas em tamanho natural. Os Passos da Paixão de Cristo têm, nas paredes, as pinturas bíblicas de Manoel da Costa Ataíde (1762-1830). Aleijadinho morreu em 18 de novembro de 1814, aos 76 anos, segundo certidão de óbito arquivada na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.

Cidade de Itu é palco de recente controvérsia sobre obras de Aleijadinho
Município paulista ,que tem proposta de criar museu da obra do artista mineiro, vive polêmica sobre peça que seria o seu segundo santo negro.
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Chegam de uma cidade do interior paulista as mais recentes polêmicas envolvendo o nome de Antonio Francisco Lisboa. “O absurdo mais recente é a proposta de criação de um museu dedicado a Aleijadinho em Itu (SP), por onde, pelo que se sabe, ele nunca passou”, ataca o artista plástico Elias Layon, de Mariana, com 50 anos de experiência no ramo e que pesquisa há décadas a obra do mestre do barroco mineiro. A proposta é criticada também pelo presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Angelo Oswaldo de Araújo Santos, que a considera “um exagero”.

Além da ideia controvertida, Itu foi a origem de outra polêmica recente envolvendo o nome de Aleijadinho. Há duas semanas foi localizado em antiquário uma imagem de São Benedito das Flores, santo negro esculpido em madeira, com 26,5 centímetros de altura e possivelmente feito entre 1761 e 1780. Em entrevista à imprensa de São Paulo, o pesquisador Marcelo Coimbra, a quem foi confiado o achado, informou que a peça sacra tem características de outras obras do gênio. Se confirmada a atribuição, será a segunda imagem de personagem negro associada ao escultor – a outra é uma representação do rei mago Gaspar, produzida entre 1775 e 1790, em exposição no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Coimbra é curador da exposição na Caixa Cultural, em Brasília, e autor da ideia do museu no estado de São Paulo.

Pesquisador do tema, o escultor Luciomar Sebastião de Jesus, de Congonhas, na Região Central, viu a foto de São Benedito das Flores em um site de notícias e não notou similaridades. “A peça não se parece com outras de Antonio Francisco Lisboa”, disse Luciomar, acreditando que, com a lembrança do bicentenário de morte do artista, “muitas peças vão aparecer como sendo de autoria dele”. “É impossível afirmar sem documentação”, alerta. O restaurador e professor Antônio Fernando Batista dos Santos também viu a notícia na internet e afirmou que a imagem não traz referências suficientes que possam ser atribuídas a Aleijadinho. E especificou o panejamento (vestes), que não traz as marcas, como “dobras marcantes e elaboradas”.

Marcelo Coimbra informou que não há registro formalizado de atribuição da autoria do santo, havendo, no entanto, um estudo cuidadoso dos estilemas “levando-nos à possibilidade de sua autoria ser atribuída ao mestre Aleijadinho”.

Assinatura do Gênio – Para facilitar a vida de quem verá este ano as exposições e outros eventos dedicados a Aleijadinho, estudiosos do barroco mineiro apontam os principais traços comuns, os chamados estilemas presentes nas suas peças. Para os leigos é mais difícil identificar as descaracterizações, mas conhecedores percebem logo as adulterações, inclusive se a finalidade foi mal-intencionanda. De todo jeito, vale a orientação preciosa da professora de história da arte da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Adalgisa Arantes Campos, especialista em barroco: “A obra de Aleijadinho é expressionista, deforma conscientemente para causar emoção”. Uma bela referência é a imagem de São Simão Stock, da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Três perguntas para Marcelo Coimbra, consultor de exposição sobre aleijadinho e um dos autores do catálogo com obras do mestre:

1 - Um artista plástico de Mariana informa que há duas imagens (São Joaquim e Nossa Senhora da Expectação) no Catálogo Geral da Obra, de sua autoria, Márcio Jardim e Herbert Sardinha Pinto. Ele diz que as duas foram esculpidas por ele em 1980 e não por Aleijadinho. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Não há identificação, quer seja do autor da informação, quer seja das obras, com detalhes merecedores de uma análise mais minuciosa. Considero na realidade essa afirmação meramente gratuita.

2 - É verdade que o senhor quer instalar um Museu do Aleijadinho em Itu (SP)? De onde são essas peças? E por que em Itu?
São questões que, no momento, não estão em cogitação, porque estamos focados na exposição itinerante Berço do barroco brasileiro e seu apogeu com o Aleijadinho com patrocínio da Caixa e do governo federal.

3 - Na exposição em cartaz em Brasília, todas as obras são genuinamente de Aleijadinho? Quem fez as atribuições e com base em quais critérios?
Genuinamente, só se poderia afirmar sem nenhuma margem de erro se o próprio autor confirmasse sua autoria com minúcias. Quanto às atribuições e critérios, os mesmos já estão detalhadamente registrados no catálogo oficial da exposição que está sendo realizada na Caixa Cultural, em Brasília
(www.exposicaoaleijadinho. com.br).  

Por Gustavo Werneck
Fonte: em.com.br
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