quarta-feira, 14 de agosto de 2013

MOGI DAS CRUZES E OS AGOSTINHOS DE JESUS

Mogi das Cruzes, a caminho do Vale do Paraíba e das Minas Gerais, foi importante centro de atividades culturais no período colonial. Hoje seu patrimônio cultural tem no conjunto carmelita seu ponto de resistência, pois muitas de suas obras coloniais estão dispersas. Políticas de meados do século XX aviltaram aqueles centros culturais coloniais em detrimento do progresso industrial que, à maneira do ocorrido no século XIX, encobriu com tintas brancas as belezas das tintas e dourados barrocos. Passado o modismo neoclássico imperial, a República se pautou no positivismo, deixando à mingua os conventos religiosos e as antigas matrizes em taipa de pilão, que foram substituídas por igrejas neocoloniais. Nestas mudanças as imagens dos santos barrocos foram trocadas por santos de gesso e os altares levados para outras localidades, como o da antiga matriz mogiana que se encontra na igreja N. S. do Brasil, na Av. Europa, capital paulista.

Foi um apelo do arquiteto Lúcio Costa, o criador de Brasília, que salvou o conjunto carmelita de Mogi das Cruzes. O Iphan restaurou o conjunto devolvendo-lhe o aspecto colonial que vemos hoje, removendo inclusive uma pequena torre da igreja da Ordem Terceira. Na década de 80 ficou conhecido no meio musical como o local onde foram encontradas, por Régis Duprat, as mais antigas partituras de obras musicais assinadas. No final do século XX foi a vez das pinturas da igreja da Ordem Terceira serem amplamente divulgadas, ainda que a comunidade tivesse consciência da importância de tais obras. No início do século XXI avançam os restauros internos e se incrementa o Museu das Igrejas Carmelitas, que abriga o retábulo jesuítico da capela de Santo Alberto. Da mesma maneira que se festeja as partituras musicais de cerca de 1730, deve-se divulgar e apreciar naquele retábulo uma das mais antigas pinturas da plástica colonial o São João Batista dos meados do século XVII.

Tenho mantido diferentes contatos com especialistas e responsáveis pelas obras coloniais mogianas; sempre fui ali muito bem recebido e pude assim pesquisar o rico acervo carmelita da cidade e dos arredores, como a Fazenda Parateí dos beneditinos, Santo Alberto e Santo Ângelo. Também dos historiadores, pesquisadores e equipe do restauro tenho tido apoio para minhas pesquisas sobre a arte colonial paulista e sua divulgação. Em recente visita, em abril de 2007, tive acesso às imagens do acervo do museu, obtendo gratas surpresas e possíveis descobertas a se confirmarem.
As imagens atribuídas a Frei Agostinho de Jesus

Examinando três esculturas em barro, um Santo Antônio, e duas imagens da Virgem Maria, uma Imaculada Conceição e uma da Assunção, surpreendi-me ao reconhecer, inicialmente pelas bases, possíveis imagens de Frei Agostinho de Jesus. Este beneditino é considerado pelos estudiosos de arte sacra colonial - ou seja, imaginária setecentista em barro - o primeiro escultor brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro em 1610 e foi discípulo de outro beneditino que era santeiro português e por coincidência tem o mesmo nome de Agostinho; ambos morreram em 1661. Sabe-se que o artista europeu veio da região do mosteiro de Alcobaça, centro luso de estatuária sacra e ensinou ao santeiro carioca o ofício de fazer santos em barro na cidade de Salvador, onde existe um convento beneditino. O primeiro, da Piedade, fez importantes obras para todos os conventos beneditos daquela época. O segundo, o de Jesus, veio morar em São Paulo, Santos e Santana de Parnaíba, locais onde deixou extensa obra. Sua influência em todos os santeiros paulistas foi imensa, visto que naquele período pode-se dizer que se fazia apenas santos em barro, mesmo nas oficinas franciscanas e jesuíticas. As atividades dos padres carmelitas como santeiros e mesmo pintores ainda estão em estudos - no caso de outras ordens religiosas, eles estão mais avançados.

Não se tem notícias da atuação deste importante artista colonial em Mogi das Cruzes, pois o levantamento foi feito pelo seu mais profundo pesquisador, o beneditino Dom Clemente da Silva-Nigra. Ele escreveu os primeiros estudos comparativos sobre os dois santeiros, mas não descreve que o monge tivesse atuado em Mogi das Cruzes. No entanto, a proximidade da Fazenda Parateí é um indicativo, já que o artista teria ido para a fazenda que existia em São Caetano, na região paulistana. Porém não necessariamente se exigiria a estadia do artista para se fazer as três imagens, pois, de pequenas dimensões, eram de fácil transporte de Santa de Parnaíba, ou mesmo da capital, para a cidade de Mogi das Cruzes.

Antes de descrever as imagens gostaria de completar que Frei Agostinho de Jesus é indicado pelos especialistas como autor da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Uma família se deslocando para Minas Gerais teria jogado no rio Paraíba do Sul a pequena imagem em barro, de oratório , que teria se quebrado. Em 1717 foi encontrada por pescadores e se tornou a mais popular das invocações de Maria no Brasil. Uma outra imagem, quase idêntica, é padroeira da Argentina sob a invocação de Nossa Senhora de Luján.
Atribuições das imagens do Museu das Igrejas Carmelitas

A atribuição de uma obra que é descoberta - ou seja, não se sabe ao certo sobre sua origem, não se tem informações sobre quem as encomendou e não têm assinatura - se faz pela aproximação das obras reconhecidamente daquele autor, analisando os aspectos materiais e os estéticos que se denominam de formais. Toda obra de Frei Agostinho de Jesus é em barro e, como atuou em diversas localidades, pode ter colorações diversas como cinza claro ou escuro, assim como avermelhados. O que se caracteriza é a ocagem, sempre muito bem feita. Para que uma imagem em barro não se rompa na queima mais baixa (cerca de setecentos graus) deve ser oca pela base ou por furos na parte posterior da imagem. Quando muito grandes, são apenas ressecadas, de difícil transporte e em geral permanecem onde foram confeccionadas. Estas três em estudos são de fácil transporte.

As bases com anjinhos

As diversas invocações da Virgem Maria requerem anjinhos em suas bases. A isso se chama iconografia, a forma ou símbolos como ela é apresentada. Para a Imaculada Conceição bastam três anjinhos, que o artista sempre usa, e para a Virgem da Assunção, são necessários mais anjinhos - para levá-la para o céu. Esta última imagem do museu chega a ter doze anjinhos de gola - com asinhas na altura do pescoço - rechonchudos, que se acomodam entre nuvens circundadas por quatro volutas. Mais que os anjinhos graciosos, o formato da base, bastante criativo, é que nos indica ser obra de Agostinho de Jesus. Comparando com a Virgem do Rosário, exposta na ocasião da visita do papa Bento XVI no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista, tem-se a certeza: as duas apresentam a mesma configuração quando vistas por baixo. Têm partes retas na parte posterior, e três curvas acompanhando as nuvens na parte anterior. Ainda na base pode-se ver a solução das quatro volutas que sustentam de maneira criativa o peso do barro, enquanto se confecciona a peça de maneira firme. Na mesma exposição está a Nossa Senhora do Montesserrate, da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, com solução surpreendente da base, com uma grande lua em quarto crescente à frente; o trono no qual a Virgem se senta tem configuração semelhante às anteriores, reto na parte posterior, além da ocagem limpa na parte interna.

A base da Imaculada Conceição também tem as volutas da mesma maneira que a Virgem dos Prazeres, do Museu de Arte Sacra de São Paulo, descrita por Carlos Lemos. Os anjinhos, espremidos entre nuvens e asas, também conferem. As duas pontas da lua crescente fechando o amassado da túnica apresentam a mesma solução plástica da Conceição do acervo palaciano paulista.

O panejamento

Outra característica que se pode ver ao atribuir ao frei estas imagens é o panejamento ou seja, a maneira de se fazer as roupas, as pregas e como os tecidos são dispostos ou puxados, e como caem na base formando os amassados e pregas. O beneditino opta na maioria das vezes por pesadas curvas em S na parte posterior, que vai da base até a mão onde segura, além do manto, o Menino Jesus. Este elemento plástico em S rima com as volutas da base, levantando visualmente o olhar do fiel. O capricho continua nas mãos bem definidas, assim como os dedos que se entreabrem. Nos braços as mangas podem ser bufantes e os punhos duplos arregaçados.

O Santo Antônio não tem este repuxado da túnica pois usa hábito franciscano, mas os punhos arregaçados e duplos mostram as mãos muito bem feitas.

As faces e cabelos

Em geral têm faces serenas e olhares baixos, parecendo vigiar os fiéis. As pálpebras são duplas e olhos bem elaborados - nos lábios um discreto sorriso. Os cabelos são repartidos sobre a fronte larga, terminando em pontas um pouco desalinhadas. O sentido dos fios de cabelo é elaborado como que em penteados, sulcados pela esteca - ponta de madeira ou metal para sulcar o barro ainda brando. As sucessivas pinturas e repinturas feitas ao longo do tempo podem desfigurar as delicadas faces. O tamanho reduzido das peças, em especial do santo Antônio, mesmo sendo o menos repintado deles, prejudica a visibilidade dos traços faciais que retornariam apenas com restauro ou no olho acurado do especialista.

Conclusões

A mostra no Museus das Igrejas Carmelitas de Mogi das Cruzes é sem dúvida uma acontecimento memorável, combinada com as obras de restauros, por Julio de Moraes, já iniciados pelo altar-mor da igreja terceira e, na sequência, a igreja da ordem primeira. Comemoram-se portanto estas atribuições, que precisam de mais tempo para análises mais aprofundadas, em especial do santo Antônio, mesmo sendo ele datado. A grafia da datação servirá para as análises posteriores: se são realmente de frei Agostinho de Jesus ou se se unem às de outros tantos santeiros setecentistas que dataram suas obras no interior paulista, e mesmo no litoral, onde em São Sebastião também se encontrou uma imagem de Santa Luzia, datada de 1652. A base da Nossa Senhora da Assunção não deixa dúvidas sobre sua autenticidade como uma jóia da escultura colonial brasileira. Pode, portanto, Mogi das Cruzes comemorar este verdadeiro encontro com a melhor arte nacional.

Fonte: Blog do Prof. Dr. Percival Tirapeli
doutor e livre-docente, professor do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista, autor dentre outros livros, de "Igrejas Paulistas - Barroco e Rococó" e "Arte Sacra Colonial - Barroco Memória Viva" (ambos Imprensa Oficial do Estado/ Editora Unesp),"Patrimônios da Humanidade no Brasil" e "Festas de Fé" (ambos Editora Metalivros, port.-ingl), e Coleção Arte Brasileira (Ibep-Nacional, 5 volumes).

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Frei Agostinho da Piedade

Frei Agostinho da Piedade (1580: Alcobaça, Portugal – 1661: Salvador, BA).

Santo Amaro-Sec.XVII
Frei Agostinho da Piedade-Barro cozido e policromado
Veio para a Bahia ainda muito jovem, ordenando-se monge no Mosteiro de Săo Bento de Salvador (BA) por volta de 1610, anda que sua presença ali só seja documentalmente atestada a partir de 1619. Permaneceu na Bahia até o final da vida, alternando-se entre o referido mosteiro e a administração da Fazenda de Itapuã, também pertencente à ordem beneditina.
Sua obra escultórica, produzida ao que parece exclusivamente em barro cozido, constitui provavelmente a primeira manifestação de arte erudita realizada no Brasil, ainda nas primeiras décadas do século XVII. A comprovação documental de sua autoria se estende por um conjunto de cerca de 30 peças sacras.

Entre seus trabalhos, merecem destaque uma detalhada imagem de Nossa Senhora do Monserrate, atualmente guardada no Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia, em Salvador; e os doze bustos relicários do Mosteiro de Săo Bento, produzidos ainda no início de sua carreira, nos quais se pode notar de forma mais intensa a influência das imagens renascentistas vistas por ele na infância em Portugal e guardadas em sua memória.
Săo também de sua autoria as imagens de Senhora Santana-Mestra, pertencente à Igreja dos Aflitos; de Santa Mônica, atualmente na sede da seção baiana do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN); de Săo Pedro Arrependido, na Igreja de Nossa Senhora do Monserrate, todas em Salvador; e também as do Menino Jesus, existente no Mosteiro de Săo Bento, em Olinda (PE); de Săo Bento, na Paraíba; de Nossa Senhora do Monserrate, no Mosteiro de Săo Bento de Săo Paulo; de Santo Amaro, no Museu de Arte Sacra de Săo Paulo; e de Nossa Senhora com o Menino Jesus, que pertenceu à coleçăo particular do poeta Jorge de Lima, no Rio de Janeiro.

Nossa Senhora dos Prazeres-Sec.XVII
Frei Agostinho da Piedade-
Barro cozido e policromado

Dom Clemente Maria da Silva Nigra, monge do Mosteiro de Săo Bento do Rio de Janeiro, dedicou-lhe os estudos “Frei Agostinho, religioso de Săo Bento”, publicado na Revista do Instituto Brasileiro de História da Arte, em 1954; e “A descoberta do artista Frei Agostinho da Piedade”, publicado no caderno Artes e Letras do Diário de Notícias, de Salvador, em abril de 1961.
Teve como discípulo, em Salvador, o também frei beneditino Agostinho de Jesus, primeiro grande artista nascido no Rio de Janeiro, e que desempenhou papel relevante na história das artes brasileiras no período colonial.
Nossa Senhora do Monserrate

Săo Pedro Arrependido

Ao longo dos anos, obras de sua autoria vem sendo incluídas em exposições sobre arte barroca e colonial brasileira, como a Retrospectiva de Arte Sacra Brasileira, realizada no Rio de Janeiro, em 1955; a exposiçăo Tradiçăo e ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, promovida pela Fundaçăo Bienal, na capital paulista, em 1984; e Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Arte Barroca, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 2000.



Fontes
CAVALCANTI, Carlos. Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos. MEC/INL, 1974.
PONTUAL, Roberto. Dicionário das Artes Plásticas no Brasil. Civilizaçăo Brasileira, Rio de
Janeiro, 1969.

RODRIGUEZ, Vanessa Brasil Campos. O lugar do Amado: uma leitura da imagem de Nossa Senhora do Monteserrate, de frei Agostinho da Piedade (séculoXVII). Revista Ohun, agosto, 2004. <http://www.revistaohun.ufba.br/html/o_lugar_do_amado.html>
< http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/Enc_Artistas/
dsp_dados_artista.cfm?id_nome=280632&cd_idioma=28555>

Lançado guia para viajar pela história de Minas

Publicação do Iepha reúne pela primeira vez todos os bens protegidos pelo estado ao longo de 40 anos, incluindo o trabalho de pesquisa histórica e bibliográfica do instituto.

Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, em Conceição do Mato Dentro, é um dos tesouros abrigados nas páginas da coletânea.

Prédios da época da construção de Belo Horizonte, fazendas monumentais do século 18, o vapor Benjamim Guimarães, que desliza sobre as águas do Rio São Francisco, o conjunto modernista da Pampulha e centenas de bens que contam – e valorizam – a história das Gerais. Pela primeira vez, o patrimônio cultural mineiro ganha um documento que reúne os bens protegidos pelo estado em quatro décadas, incluindo desde alguns muito visitados e de expressão política, como o Palácio da Liberdade, na capital, até os religiosos, como o Convento de Macaúbas, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de BH. Há também cinemas, museus, capelas, casarões, cassinos, escolas, pontes, cadeias e ruínas. O Guia de bens tombados – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG) será lançado terça-feira, às 18h30, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1.466), em Belo Horizonte, como parte da Semana do Patrimônio Histórico, que terá o ponto alto no próximo sábado.

“Neste guia está o trabalho de pesquisa histórica e bibliográfica desenvolvido desde 1971, quando foi criado o Iepha”, diz o presidente do instituto, vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, Fernando Cabral. Ele explica que os 1,5 mil exemplares da obra contendo 99 processos de tombamento são dirigidos a gestores culturais, prefeituras, autoridades da Justiça, Ministério Público Federal e de Minas Gerais, além de pesquisadores. “Trata-se de uma ferramenta importante para fiscalização e preservação dos bens, já que o estado detém o maior patrimônio cultural do país”, acrescenta Cabral. O guia, com 400 páginas e foco em mais de 40 cidades, foi produzido com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Uma segunda edição ampliada já está em fase de produção – o atual volume contempla tombamentos feitos até 2002. “De lá para cá, tivemos outros processos e torna-se imprescindível incluí-los. A proteção de outros bens está a caminho, entre eles a Fazenda Santa Clara, em Santa Rita do Jacutinga, na Região Sul, e o Colégio Dom Bosco, no distrito de Cachoeira do Campo, em Ouro Preto”, diz o presidente do Iepha. Para a edição ampliada, o instituto busca parceiros na iniciativa privada: “Grandes empresas que atuam em Minas investem mais em projetos culturais no Rio de Janeiro e em São Paulo do que aqui. Queremos que participem desse projeto”.

Recheado de fotos atuais e antigas, mapas, plantas originais das construções, desenhos e detalhes, o guia foi organizado na forma de fascículos e tem cores distintas para cada cidade: a Matriz de Nossa Senhora Aparecida, no distrito de Córregos, em Conceição do Mato Dentro, em vermelho, a casa onde nasceu o pai da aviação, no Parque Cabangu, em Santos Dumont, em laranja, o conjunto da Praça Rui Barbosa (Estação), em BH, em verde, e Biribiri, em Diamantina, em marrom. Os textos ficaram a cargo de 39 autores, todos especialistas do Iepha, entre arqueólogos, arquitetos, restauradores, historiadores, espeleólogos, desenhistas, comunicadores visuais, museólogos e técnicos.

A iconografia (mapas, imagens, plantas etc.) presente no guia é muito rica, observa o técnico em gestão e proteção do Iepha Adalberto Mateus. E, com tantos séculos de história, não poderiam faltar curiosidades que dão mais sabor à leitura. Adalberto cita a Igreja de Santo Amaro, no distrito de Brumal, em Santa Bárbara, que tem um quadro emoldurando o vão de uma janela, na lateral direita do altar. De acordo com o texto escrito por Andrea Sasdelli Leite Praça, em setembro de 2011, “a abertura desse vão relaciona-se com a imagem da cena pintada por artista desconhecido, que teve a preocupação de criar, como muitas experimentações artísticas empreendidas na Europa, entre fins do século 13 e meados do século 17, um jogo de perspectiva que, junto a tal abertura, fortalece a sensação de tridimensionalidade de seu quadro, na realidade, plano”. Por Gustavo Werneck

As cidades com bens tombados pelo Iepha/MG

Belo Horizonte, Belo Vale, Barbacena, Santana dos Montes, Pedro Leopoldo , Santa Luzia, Couto de Magalhães de Minas, Brumadinho, Sabará, Conselheiro Lafaiete, Cristiano Otoni, Mateus Leme, Congonhas, Oliveira, Caxambu, Ouro Branco, Jequitibá, Araxá, Caeté, Minas Novas, Serro, Chapada do Norte, Sacramento, Conceição do Mato Dentro, Pirapora, Buritizeiro, Várzea da Palma, Santa Bárbara, Catas Altas, Piranga, Simão Pereira, Viçosa, Barão de, Cocais, Água Comprida, Mariana, Matozinhos, Leopoldina, São Thomé das Letras, Uberlândia, Ouro Preto, Itacambira, Diamantina, Santos Dumont, Varginha, Cordisburgo e Lambari.

Fonte: em.com.br

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Festa de N. Sra. da Abadia


Veja a Programação da Festa aqui



HISTÓRICO Da Romaria a Nossa Senhora da Abadia de Água Suja

Água Suja, hoje Romaria, começou sua existência como povoado, no tempo da guerra do Paraguai, quando alguns garimpeiros, vindos de Estrela do Sul, descobriram aí ricas jazidas de diamante. Em 1867 foi descoberto o primeiro e daí por diante, o córrego “Água Suja”, que se desemboca no rio Bagagem, tornou-se célebre, emprestando seu nome à povoação que logo foi surgindo com os diamantes.

Nossa Senhora- Seus primeiros habitantes, sempre devotos de Nossa Senhora, como seus antepassados, com grandes dificuldades, iam todos os anos à longínqua Ermida de Muquém (norte de Goiás) a fim de cumprir suas promessas e honrar a mãe de Deus, participando da concorrida romaria anual.

Nossa Senhora da Abadia- Nessa Ermida  era invocada Nossa Senhora da Abadia, invocação importada de Portugal para a capela de São Tomé, na paróquia de São José do Tocantins, em Goiás.

Capela de Nossa Senhora da Abadia- Crescendo, porém, a população de Água Suja, crescia também a dificuldade de se deslocarem os devotos até Muquém. Surgiu então entre os habitantes a idéia de se construir uma capela em honra de Nossa Senhora da Abadia, se os emissários do governo imperial os não viessem incomodar nesse recanto, com a designação para o serviço da campanha do Paraguai. 

Levaram a idéia ao conhecimento de D. Joaquim Gonçalves de Azevedo, bispo de Goiás, pedindo licença para que na capela a ser construída gozassem os peregrinos dos mesmos favores espirituais de que gozavam os de Muquém. O prelado concordou  graciosamente.

Capela provisória e imagem-  No ano de 1870 foi construída uma capela provisória e deu-se início também ao transporte de material para o futuro santuário. Providenciaram logo a aquisição de uma imagem de Nossa Senhora da Abadia. Foi encomendada de Portugal, na capital de império. Foi transportada do Rio a Barra do Piraí em lombos de animais. E daí em diante veio de trens e carro de bois, trazida pelo viajante português Custódio da Costa Guimarães. O povo feliz foi esperar a imagem a algumas léguas de distância do arraial nascente.  No encontro do povo com o comboio, a imagem foi benta ali mesmo. E assim Nossa Senhora da Abadia, rodeada pelos seus filhos e devotos, foi recebida triunfalmente entre aclamações  apoteóticas e o espocar de fogos de artifício, foguetes e morteiros e aos acordes marciais, sendo entronizada na capela provisória. Quatro anos depois foi levada para a nova igreja ainda inacabada. 

Favores-  A SS. Virgem, vendo a grande fé com que esse povo venerava sua imagem, não cessou, até o dia de hoje, de alcançar de seu Divino Filho, graças extraordinárias e até milagres em favor dos que a  Ela  recorrem e procuram neste santuário.

Peregrinos fiéis- Quem uma vez lá ia a Água Suja, por curiosidade, ou por sentimento religioso, assistir aos festejos em honra a SS. Mãe de Deus, nunca mais deixava de lá ir, de modo que as romarias começaram a crescer de ano para ano. De todas as partes do Triângulo Mineiro e dos estados vizinhos, acorriam os romeiros em busca da imagem. A fé, às vezes fraca, aumenta sempre, ao vermos favores dispensados tão generosamente por intercessão de Nossa Senhora da Abadia neste Santuário.

Promessas- Foram e são ainda milhares os peregrinos que se deslocam de grande distância, a fim de cumprirem suas promessas. Incontáveis são os ex-votos que se recebem no Santuário.

Já no ano de 1919, no dia 15 de agosto, dia anual da festa, o número dos que vieram à romaria foi de mais ou menos 40.000. A festa é sempre precedida de piedosa e concorrida novena, iniciando-se a 06 de agosto.

Santuário episcopal-  Em 1874 pode já a festa ser celebrada na nova igreja, ainda em fase de construção. Em 18 de dezembro de 1907 foi-lhe concedido o título de “Santuário Episcopal de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja”. Era paróquia desde o ano 1872.

Padre Eustáquio-  A 16 de julho de 1925 a paróquia foi confiada à Congregação dos Sagrados Corações. De 1926 a 1935 foi vigário da mesma o Revmo. Pe. Eustáquio Van Lieshout, ss. cc., que faleceu em Belo Horizonte, em 30 de agosto 1943, com fama de santidade.

Foi beatificado aos 15 de junho de 2006 em Belo Horizonte. Em  Eustáquio e junto dele o Memorial de Padre Eustáquio. Os dois inaugurados no mesmo dia da beatificação.

1929 Padre Eustáquio havia construído um monumento em homenagem a Nossa Senhora da Piedade. Ao lado desse monumento foi construído o Oratório do Bem Aventurado

O Novo Santuário- Em 1926, quando o número dos romeiros já ultrapassava a casa dos cinqüenta mil, na festa de agosto, o santo Vigário de Água Suja, hoje Romaria, Padre Eustáquio Van Lieshout iniciou a construção do majestoso Santuário.

A Imagem de Nossa Senhora da Abadia representa o mistério da Assunção de Nossa Senhora. Leva nos braços seu Filho. Sua festa é por isso mesmo no dia15 de agosto, dia em que a Igreja Universal comemora a Assunção de Nossa Senhora ao céu.

A Congregação dos Sagrados Corações deixou a coordenação do santuário em 31 de março de 1991 – festa da Páscoa.

1867 – “O descobrimento de diamantes no córrego de Água Suja deu origem ao povoado de mesmo nome.” (Pe. Primo Maria Vieira)

1870 – “Joaquim Perfeito Alves Ribeiro, em companhia do viajante Custódio da Costa Guimarães, faz a aquisição da imagem de Nossa Senhora da Abadia; Esta meiga e linda Imagem, personificando a Virgem, Por todos aclamada e a todos abençoando, entra triunfalmente neste povoado.” (Pe. Primo Maria Vieira)
Daí começaram as romarias.

A pé, a cavalo, de carro de boi... de automóvel, caminhão, ônibus...
“ Quem uma vez veio a este Santuário assistir aos festejos, nunca mais deixou de vir.” (Pe. Primo Maria Viera)

1872 – 19 de julho: foi criada a Paróquia de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja. Até 1899, os padres da diocese de Goiás, tomaram conta de Água Suja.

Em 1899 – Chegaram os padres agostinianos, vindos da Espanha. Ficaram até 1916.
1916 – Padre Primo Maria Vieira nascido em Portugal, foi pároco até 1922. Escreveu a “Monografia da Paróquia e Santuário Episcopal de Nossa Senha da Abadia de Água Suja”. É a nossa história do período de 1870 a 1920.

1925 – Chegaram os padres dos Sagrados Corações, vindos da Holanda, tendo à frente Padre Eustáquio; Ficaram até 31 de março de 1991.

1926 – O atual santuário, escolhido pela Mãe de Deus para nele distribuir graças e favores, foi iniciado por Padre Eustáquio. Mutirões de carros de bois ajuda dos romeiros e devotos; O deixaram pronto em maio de 1975.

1994 - Monsenhor Primo Vieira, nascido em Romaria (11/06/1919), sobrinho de Pe. Primo Maria Vieira, padre da diocese de Santos, terminou o livro “Nossa Senhora da Abadia – A História de uma devoção”. Faleceu em Portugal em 22/07/1994.

2001 – 30 de dezembro: A ACADEMIA SENHORA DA ABADIA (ASA), quer com carinho cuidar dessa nossa história.

Santuário Nossa Senhora da Abadia de Água Suja – Romaria - MG

sábado, 10 de agosto de 2013

Frei Agostinho de Jesus

Nossa Senhora da Purificação (século XVII). Obra de Frei Agostinho de Jesus no Museu de Arte Sacra de São Paulo.
Frei Agostinho de Jesus, um dos mais expressivos escultores do Séc. XVII esculpiu, modelou e policromou em terra cota, dezenas de imagens que hoje se fazem presentes na Arte Sacra Brasileira, originária do Estado de São Paulo, e também as famosas "Paulistinhas" esculturas sacras em terracota dos seculos XVIII e XIX, que fora muito presente nas devoções de cultos domésticos dos Paulistanos,da Capital e interior.

Nossa Senhora do Rosário-Sec.XVII
Barro cozido e policromado-
Frei Agostinho de Jesus
 Frei Agostinho de Jesus (c. 1600-1661) foi um dos primeiros escultores a trabalhar no Brasil.
Possivelmente foi discípulo do frei Agostinho da Piedade, trabalhando em estilo semelhante na produção de estatuária sacra em terracota. A maior parte de suas obras foram criadas para as congregações beneditinas do Rio de Janeiro e São Paulo. Das suas obras reconhecidas estão as estátuas em tamanho natural de São Bento e de Santa Escolástica, preservadas no Mosteiro de São Bento, e uma Nossa Senhora da Purificação, no Museu de Arte Sacra de São Paulo.
Nascido no Rio de Janeiro, passou boa parte de sua vida na cidade de Santana do Parnaíba, região da Grande São Paulo, onde, segundo estudiosos, confeccionou a belíssima imagem de Nossa Senhora da Conceição em terracota, que, encontrada nas águas do Rio Paraíba do sul, região de Guaratinguetá, em meados de outubro do ano de 1717, veio a dar início a uma grande devoção à milagrosa santa "aparecida", mais tarde conhecida como Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil.

Nossa Senhora da Conceição-Sec.XVII
Barro cozido e policromado-
Frei Agostinho de Jesus


O Brasil sempre nos surpreende. Um país tão rico de cultura, com grande variedade artística, conhece muito pouco sobre sua história e aqueles que construíram esta grande nação. No Século XVIII Nosso país conheceu a arte de um dos mais importantes artistas Brasileiros e o precursores da chamada arte barroca colonial. Trata-se de Frei Agostinho de Jesus. Nascido no Rio de Janeiro em 1600, Agostinho de Jesus foi monge Beneditino e um dos discípulos de um outro Agostinho, o da Piedade. Sabe-se que a maioria de suas obras foi criada para os mosteiros Beneditinos, especialmente os do Rio de Janeiro e São Paulo.
No Mosteiro de São Bento paulistano, encontram-se as mais importantes obras de Agostinho de Jesus. No altar mor da Basílica de Nossa Senhora da Assunção – nome oficial da igreja do Mosteiro – estão as estátuas em tamanho natural de São Bento e de Santa Escolástica.
Assinado no Mosteiro de São Bento de São Paulo, Agostinho de Jesus passou boa parte de sua vida na cidade de Santana do Parnaíba, onde havia um mosteiro, hoje desaparecido.
Os Mosteiros beneditinos sempre foram grandes propagadores da arte e da cultura. Seguindo a mesma tendência, Os mosteiros de São Bento de São Paulo, Santana do Parnaína e Sorocaba também deram sua contribuição às artes. Tais mosteiros se concentraram como grandes difusores da escola artística de barro cozido – arte bandeirante. É aqui que Frei Agostinho de Jesus ganha destaque. Sua influência foi tamanha chegando aos santeiros populares. Acredita-se que sua obra tenha inspirado o trabalho do mestre do barroco brasileiro, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
Ainda hoje, a influência artística de Frei Agostinho de Jesus nos alcança com grande força. Um dos maiores símbolos brasileiros, a imagem milagrosa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, situada na Basílica Nacional em Aparecida do Norte, São Paulo, foi confeccionada por este ilustre beneditino. A catalogação da obra de Agostinho de Jesus se deve a um outro ilustre beneditino, Dom Clemente Maria da Silva Nigra. Com maestria incomparável Dom Clemente reuniu toda obra de nosso artista e a partir de pesquisas minuciosas de estilemas e demais técnicas, atribuiu a imagem de Aparecida a Frei Agostinho de Jesus.
O monge-escultor Agostinho de Jesus morreu em São Paulo em 1661.
frei Agostinho de Jesus - Murilo Sá Toledo (2001) Santana do Parnaíba, São Paulo
Em Santana do Parnaíba, no ano de 2001, houve um reconhecimento singular a este grande religioso-artista brasileiro. Foi inaugurado na cidade um monumento, a estátua de Frei Agostinho de Jesus no seu ofício de escultor. A estátua faz alusão à produção da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Esculpida pelo artista plástico parnaibano Murilo Sá Toledo, a estátua de Frei Agostinho de Jesus e pode ser vista no Largo São Bento – local originário do Mosteiro beneditino onde viveu o escultor.
Ir. João Baptista Barbosa Neto, OSB
Fonte: Wikipédia/ 
Barroco Brasileiro/
Biblioteca do Mosteiro de São Bento de São Paulo

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sacrosanctum Concilium na Música e na Arte Litúrgica

Nas comemorações dos 50 anos da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, a Comissão de Liturgia do Regional Leste 2 (Minas Gerais e Espírito Santo) realiza nos dias 16 a 20 de setembro, na Casa de Retiros São José, em Belo Horizonte, o Encontro Regional de Liturgia.
 
Com o tema central Sacrosanctum Concilium na Música e na Arte Litúrgica, o encontro pretende refletir sobre duas grandes dimensões: Música e Arte Litúrgica no espaço celebrativo. O tema terá as assessorias do padre Joaquim Cavalcante, da diocese de Itumbiara (GO); e Frei Joaquim Fonseca de Souza, ex-assessor nacional da CNBB para a Música Litúrgica.
O Encontro é direcionado a sacerdotes e leigos(as) da pastoral litúrgica, coordenadores de música, músicos, arquitetos e membros da comissão de Arte Sacra das (arqui) dioceses do Leste 2. As inscrições podem ser feitas até o dia 6 de setembro no site do Regional Leste 2 www.cnbbleste2.org.br .

Confira o vídeo que convida para o Encontro Regional de Liturgia. Clique aqui

Um milhão de fiéis na Rússia veneram a cruz de Santo André

A relíquia, trazida da cidade grega de Patras, foi exposta na Rússia, na Ucrânia e na Bielorrússia durante as celebrações do 1025º aniversário do Batismo Cristão da Rússia

Roma, (Zenit.org) Don Mariusz Frukacz | 

Mais de um milhão de pessoas, entre 11 de julho e 2 de agosto, veneraram a cruz de Santo André em São Petersburgo, durante a exposição pelas comemorações do 1025º aniversário do Batismo Cristão da Rússia.
A peregrinação da relíquia sagrada, na qual, segundo a tradição, o apóstolo foi crucificado em 62 d.C., foi organizada pela Fundação Santo André. A cruz veio da cidade grega de Patras, com a bênção do patriarca de Moscou e de Toda a Rússia, Kirill I, e do arcebispo Jerônimo de Atenas e Toda a Grécia. Durante 23 dias, a relíquia percorreu a Rússia, a Ucrânia e a Bielorrússia, visitando as cidades de Moscou, Kiev e Minsk, para ser venerada pelos fiéis da Igreja ortodoxa.

"Algumas igrejas ficaram abertas aos visitantes durante todo o dia", disse o porta-voz da Fundação Santo André. Segundo a agência de notícias russa Interfax, os fiéis esperaram de 30 minutos até nove horas para venerar a cruz.

"As visitas à cruz de Santo André demonstram a atitude genuína dos nossos compatriotas na sua relação com a religião ortodoxa e com as nossas tradições multiétnicas", disse à Interfax um dos organizadores da peregrinação.

Em maio passado, Kirill I tinha solicitado que a cruz de Santo André fosse levada no mês de julho até Kiev para o aniversário do Batismo Cristão da Rússia, porque, de acordo com ele, as Igrejas russa e grega "estão espiritualmente unidas pela pessoa do apóstolo André".

Um comunicado de imprensa da Igreja ortodoxa russa confirma o apoio de Patras à iniciativa. Desde o primeiro momento, o metropolita Crisóstomo de Patras tratou do assunto com muito respeito pela tradição ortodoxa, "voltada a trazer benefícios espirituais para os povos russos e gregos".

O patriarca de Moscou e de Toda a Rússia convidou para a celebração também o arcebispo de Atenas e de Toda a Grécia, Jerônimo, e o metropolita Crisóstomo de Patras.


Foto: EFE
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