quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Para autor dos mosaicos gigantes do Santuário de Aparecida, a maior tentação para a igreja é a religião

 Para autor dos mosaicos gigantes do Santuário de Aparecida, a maior tentação para a igreja é a religião

Por Luan Galani e Fernanda Massarotto, especial para HAUS

Gazeta do Povo

Curitiba e Milão

No dia que um jovem promissor de uma família simples dos alpes eslovenos alcançou seu sonho foi também o início de uma pequena crise que o levou à transformação. O jovem Marko Ivan Rupnik, da minúscula Zadlog, na Eslovênia, havia se feito notar, ganhara prêmios, as pessoas gostavam e estavam consumindo sua arte. Mas, depois de uma reflexão, após ter embalado suas novas obras que em breve seriam destaque em uma renomada galeria em Nova York, Marko desembalou tudo, enfileirou as telas sobre a mesa do seu ateliê e cobriu todas com tinta preta. Como em uma espécie de luto. O que ele estava fazendo com aquele dom? Para que servia sua arte? "Minha arte leva a Deus ou somente a mim?", perguntou à época.

A partir daquele momento, ofereceu suas tintas definitivamente a Deus. Hoje com 68 anos Rupnik é considerado o maior nome da arte sacra contemporânea. Esse jesuíta, teólogo e artista responsável pelo Centro Aletti, de Roma, assina mais de 200 obras em mosaico nos mais importantes santuários marianos de Fátima, em Portugal, e Lourdes, na França, na Igreja de São Pio de Pietrelcina, em San Giovanni Rotondo, na Itália, no Santuário Nacional de Washington, nos EUA, e, no Brasil, na Catedral de Santa Maria Mãe de Deus, em Castanhal, no Pará, e no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo.

Marko Ivan Rupnik, 68 anos, é considerado o maior artista sacro contemporâneo| Centro Aletti

No último dia 30 de novembro, Rupnik esteve em Curitiba para uma palestra gratuita na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) sobre "Educar pela Beleza" (assista aqui), e para receber o título de "Doutor Honoris Causa" pela mesma instituição, quando ele parou por quarenta minutos para conversar com a reportagem sobre arte, arquitetura, modernidade e espiritualidade.


Qual a sua primeira lembrança de arte?

Ver meu pai desenhando e pintando cervos nas paredes de casa [nos alpes da Eslovênia].


E quando e como você tomou consciência de que a arte ia se tornar parte importante da sua vida?

Eu sempre gostei de desenhar. Não queria escrever. Tanto que na escola os professores tinham um problema, porque eu não queria escrever, eu desenhava. Mas a arte se tornou um caminho para mim no noviciado dos jesuítas, quando tanto o mestre de noviços quanto o provincial entenderam imediatamente que talvez fosse um caminho em que eu pudesse servir a igreja. Lembro-me quando os superiores me mandaram a Roma para estudar na Academia de Belas Artes. O provincial me levou ao aeroporto em Trieste e me disse: “Eu não sei porque você deve estudar arte, mas eu sei que você deve ir. E um dia o Senhor tornará isso útil para a Igreja”. Foi bem assim.


O que é a arte sacra?

Penso que a expressão mais precisa seria arte litúrgica, o que entende-se na prática como arte sacra. De modo muito simples é possível dizer que a arte suscita o assombro, desperta sentimentos, a memória, ela nos maravilha. A arte litúrgica ou sacra faz você perceber-se dentro de um olhar, que não está sozinho, que está com alguém, e faz com que faça um sinal da cruz, se incline, toque levemente com a mão sobre a obra. Suscita uma relação. Chama a uma abertura, a uma saída de si mesmo. E a não se deter naquilo que se sente, mas acolher. Em um segundo nível seria possível dizer que a arte litúrgica é a tradução da palavra de Deus em imagens e cores, e por isso faz com que a gente veja de modo imediato o nexo entre a palavra e a vida. Ela não pode se deter sobre a própria obra de arte. Da mesma forma que a palavra de Deus não se detém na palavra de Deus. Ela é dirigida a alguém. E a obra de arte litúrgica faz você ver que a sua história faz parte de um todo. Porque a arte litúrgica não apenas traduz a palavra, mas permite que você veja a palavra em seu conjunto orgânico, porque o olhar da liturgia é o olhar do todo. A liturgia não permite que se isolem os detalhes, mas ela mantém o conjunto. Isso é muito importante para a vida. Hoje somos muito fortes na análise. Mas o problema é uma visão de conjunto. Esse é o lugar em que a arte litúrgica tem a sua grande missão, porque não apenas diz, mas mostra.



A arte defendida e praticada pelo Centro Aletti tem sua própria identidade, e é particularmente diferente daquela que decora muitas igrejas antigas renascentistas e barrocas. Poderia explicar qual mal que essa arte barroca ajudou a causar na sociedade atual? E por que vocês fizeram a escolha por uma arte mais simbólica?

O problema do renascimento e do barroco não é um problema dessas correntes artísticas. O problema é quando essas correntes ocupam o espaço litúrgico. Por exemplo, no renascimento a perfeição ideal é compreendida pelo homem através do seu intelecto, através da sua intuição intelectual, do conhecimento cultural. Eu vejo como melhorar e aperfeiçoar uma realidade que não é perfeita. Essa perfeição adquire uma perfeição da forma: equilíbrio das cores, das formas, figurações etc. Isso a humanidade fez, os gregos já fizeram isso, mas isso está em contraste pleno com a liturgia e com a visão da obra de Cristo. Por isso já o Concílio de Trullo, no século 7º, diz que uma linguagem assim não é adequada para o espaço da liturgia. Por que não? Porque na liturgia a ação principal é do Espírito Santo, e nós acolhemos, não somos nós os protagonistas, nós suplicamos o dom do Espírito Santo. E a perfeição é uma convergência da nossa oração, da nossa acolhida, da nossa abertura com a ação que Deus realiza. A perfeição do pão e do vinho da Eucaristia não se realiza graças a quem fez o pão e o vinho. Mas graças à descida do Espírito Santo. Não se trata da absolutização da ação de Deus. Aquilo é fruto da terra e do trabalho do homem, é uma convergência. É justamente esse o problema. Em vez de considerar a sinergia com o Espírito Santo, somos formados de modo a pensar que tudo depende de mim, que preciso me empenhar, imaginar meu futuro, projetar, programar, realizar. Se me realizo, existe o risco do orgulho, depois quando começam as doenças e acidentes, acontece um problema. E se não me realizo, me deprimo. Já o barroco é todo um imaginário, tudo projetado para cima, tudo no teto, no forro. Mas Cristo se fez homem, veio nos tomar, assumir a humanidade, não somos nós a nos imaginar nessa subida. Nós não vamos ao céu, somos levados ao céu. Na liturgia somos corpo de Cristo, e vivemos de sua vida, do pão e do vinho. E é o sacerdócio de Cristo que nos eleva, por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Deus Pai, na unidade do Espírito Santo. Não sou eu que vou ao Pai. Sou conduzido pelo sacerdócio de Cristo. Essa dimensão é problemática depois do barroco e renascimento. Mas a arte pode exprimir a vida biológica, a vida psíquica e, portanto, a vida intelectual, do imaginário, do mito etc. Mas para os cristãos a arte exprime a vida segundo o Espírito Santo.


Como está sendo fazer os mosaicos de Aparecida?

O convite foi da Igreja do Brasil, da conferência episcopal, dos responsáveis pelo Santuário Nacional de Aparecida, os redentoristas. Apresentei um projeto bastante complexo, o qual estudei por muitos meses, e houve um encontro com uma comissão. Tenho muita experiência com comissões, mas essa no Brasil está entre as mais honestas, competentes, sérias e dialógicas. Falava-se, conversava-se. As conversas eram aderentes e profundas. Não havia nenhuma questão ideológica, nenhum preconceito. Apenas a competência nos argumentos em questão. Depois chegamos ao Brasil, com temor e tremor, do mesmo modo que começamos a trabalhar em Roma. Começamos a trabalhar um ano antes em Roma fazendo os rostos, desenhando as figuras. Trabalhamos sempre dizendo aos artistas que a Igreja nos chama, e estamos respondendo. Não estamos propondo algo, estamos respondendo. É uma grandíssima responsabilidade. Porque quem nos chama pode ser muito iludido. Pode ficar muito decepcionado por não estarmos no nível exigido. Por isso o temor e o tremor. E preciso dizer que os redentoristas, principalmente o padre Luiz Cláudio [Alves de Macedo] e o bispo, Dom Orlando [Brandes], nos sustentaram, nos fizeram sentir que estamos trabalhando a partir da Igreja e para a Igreja. O trabalho foi duríssimo. Porque se trabalha em uma área externa, o tempo muda a cada 20 minutos, de 35 graus a 18 graus no mesmo dia, do sol e vento que seca a cola à chuva e a um dilúvio terrível. E a gente na área externa. Para mim o maior milagre, em três meses que passamos aqui no ano passado, foi que nenhum artista se lamentou, ninguém protestou, ninguém se desencontrou com o outro, sem ciúme e sem inveja, com amizade, um mútuo entendimento na fé. Realmente a vida no Espírito, por isso acho que a arte mostra isso, que se está fazendo o edifício eclesial, que é imagem e corpo de Cristo. Não podemos trabalhar se não sabemos que somos realmente parte do corpo de Cristo.


De todas as igrejas que você já ajudou a pintar, montar mural, preparar, qual a mais especial para você, e por quê?

Sou muito sincero. Os artistas e outros amigos que me conhecem bem brincam comigo porque cada vez que terminamos um trabalho, digo que essa é realmente uma graça de Deus, é a melhor que a gente fez, e por isso penso que é Aparecida.


O Brasil atualmente mergulha em um movimento de fé com práticas e ideias que remontam a antes do Concílio de Trento. Como o Papa Francisco diz, um indietrismo [essa é uma palavra inventada pelo papa Francisco a partir de indietro, que significa “para trás” em italiano, e poderia ser traduzida como “paratrasismo”]. Por que isso é tão sedutor para as pessoas? E como a arte pode ajudar a sairmos do buraco?

É uma pergunta muito complexa. Só direi uma coisinha. A maior tentação para o Evangelho, para a vida no Espírito Santo, para a Igreja como corpo de Cristo, para a humanidade reunida na humanidade de Cristo, é a religião. A religião são as estruturas que gerenciam a relação entre Deus e a humanidade. Se alguém realiza algo, então é religiosamente perfeito e Deus vai recompensá-lo. Já a fé, como diz São Paulo, faz com que Cristo habite em nós. A fé é a acolhida de Cristo, acolhida de um modo de existir, em que participo graças a uma Pessoa divina, que é o Espírito Santo. O maior problema dos últimos séculos é a ausência do Espírito Santo em nossa teologia. Há diversos textos e estudos sobre essa ausência. Porque é daí que a gente escorrega para a religião. A fé é um dom da vida, que me transforma, que me preenche de um modo de existir, que é o modo do Filho. Por isso sou filho no Filho. A religião se apega àquilo que eu tenho que fazer, tem efeitos psicorreligiosos, dolorismo, pietismo etc. Penso que é muito importante algo que o então cardeal Ratzinger dizia, um homem que chegou a muitas sínteses importantes, e uma delas é: no século 13, a arte nossa, latina, registra uma mudança perigosa. Ela se deteve na crucificação, isolando-a, e aí não se consegue mais vê-la com os olhos de ressuscitados, a partir do eschaton, do cumprimento de tudo em Cristo. E Ratzinger diz que a visão escatológica, a visão com olhos de ressuscitados, não é uma questão intelectual, mas uma questão de participação, de participar da vida do Ressuscitado, de viver o batismo, de viver a crisma, de viver a Eucaristia, de viver verdadeiramente como ressuscitados. E ao contrário, não ter o olhar de ressuscitados, o olhar que enxerga do cumprimento para cá, é justamente o sinal de que o que perdemos é a vida. Aí ficam os argumentos religiosos. Por exemplo, nos desenhos de crucificações depois do século 13, é difícil ver que se trata do Filho de Deus, é apenas um homem que sofre. Não se consegue ver que é o Filho de Deus. Então se arrisca que sejamos os dois discípulos de Emaús, que se detiveram na morte, na crucificação, e não se deram conta que o Ressuscitado caminha com eles.


O Oriente é importante para você, que interagiu e interage com diversos teólogos orientais. Para pessoas que não conhecem tão a fundo, qual o maior ensinamento deles, o mais importante, que podemos levar adiante?

É muito complexo, mas muito humildemente ousaria dizer que os autores orientais seriam muito úteis para a Igreja latino-americana para abrir visões da grande tradição do primeiro milênio e da contemporaneidade, porque, como você me disse antes, é fácil nesses países que a gente só consiga beber da teologia do século 16 em diante [a partir da colonização]. Porque foi nesse tempo que vocês foram evangelizados, com uma visão teológica e eclesial que não respirava mais o primeiro milênio. O Concílio Vaticano II pede que retomemos essa respiração, pede que nos sintamos parte da Igreja universal, que superemos individualismos eclesiais, que respiremos a comunhão eclesial. Não será fácil, porque a mentalidade está muito formada e é míope. Por exemplo, se você entra em uma casa religiosa, seja franciscana, salesiana, jesuíta etc., todos os santos expostos são os deles. São eles mesmos. Não se respira a comunhão universal. E a doutrina da Igreja é muito clara: a comunhão dos santos. Mas nesse caso não a temos. São só os nossos. Existe então o risco de viver a Igreja dessa forma. E isso enfraquece a Igreja terrivelmente, a expõe a tentações culturais, políticas, decisões dos governos, porque é só isso que eu vejo, não acesso a sabedoria eclesial, porque os santos do primeiro milênio eu não os escuto, não os conheço. Interessante que se me fecho aqui nessa sala, posso sentir falta de água, mas aí tento sobreviver tomando leite e tomo só leite. Uma hora vou ficar mal. Como não entendo que tem outra sala com água e que posso trocar o leite pela água, e o outro receber um pouco de leite? Assim é a Igreja. É a troca de dons, como dizia São João Paulo II.


Alguns dias após a realização desta entrevista, notícias alcançaram o Brasil sobre possíveis abusos sexuais e psicológicos que o jesuíta teria praticado 30 anos atrás contra nove freiras de sua terra natal. De acordo com a Agência de Notícias Italiana (Ansa), não se sabe o teor da suspeita. O Vaticano passou um ano investigando o caso e decidiu arquivá-lo.


A ordem jesuíta, por meio de um comunicado escrito, disse que editou medidas cautelares contra Rupnik logo no início das investigações e que agora decidiu manter algumas limitações, como não ter permissão para ouvir confissões ou conduzir direções espirituais.



Procurado pela reportagem em Roma, só que desta vez por telefone, Rupnik e o Centro Aletti afirmaram que não querem, neste momento, fazer nenhuma declaração sobre o ocorrido.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/haus/arquitetura/tentacao-arquitetura-nao-convivencia-igreja-religiao-arte-marko-rupnik/ 

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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Catedral construída no período do Brasil Colônia é reinaugurada em Mariana

Conhecida como Sé de Mariana, a Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção passou por reformas durante quase sete anos; templo foi construído no século XVIII

Fé através da pintura sacra: forro da nave da Basílica da Conceição da Praia traz perspectiva ilusionista

Quem entra na Basílica fica impressionado com a beleza arquitetônica e também com as pinturas sacras do templo religioso.


Por g1 BA e TV Bahia






Basílica da Conceição da Praia abriga história e cultura


O forro da nave da Basílica da Conceição da Praia traz uma perspectiva ilusionista. A Padroeira do Estado da Bahia, sob o título de Nossa Senhora da Conceição da Praia, é celebrada nesta quinta-feira (8), em Salvador.

Quem entra na Basílica fica impressionado com a beleza arquitetônica e também com as pinturas sacras que estão na igreja. Pelo mar, os portugueses trouxeram a primeira imagem de Nossa Senhora. A Bahia de Todos-os-Santos descortinou os caminhos da devoção e a praia do passado deu o sobrenome a mãe de Jesus.



Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia — Foto: Egi Santana/G1


O nome Conceição é sinônimo de concepção, em uma reverência a ser concebida sem pecado. Daí também o título de "imaculada".


Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Praia esperou um século para ter a "casa" pronta. A suntuosa basílica de beleza barroca abriga uma rica arte sacra.


A evangelização está por toda parte e a rainha do céu "convida" os visitantes a olhar para o alto. Não é fácil encontrar uma posição para comtemplar e decifrar a mensagem.


"Para eu olhar, verificar, tive que deitar no banco. Percebi que o teto parece que foi feito em uma tela só", disse a turista de Belém, Andrews de Carvalho Fairchild.


A turista fez uma comparação com a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, e contou que quem visita o local, percebe o espaçamento, diferentemente da igreja de Salvador.

"Parece uma coisa inteira e é belíssima", elogiou.


A técnica de figuras perfeitas pintadas desde Moisés até o Apocalipse é rica em detalhes. Revela mestre em cronografia sacra.


"Na imagem, a imagem da Imaculada da Conceição parece estar em Assunção, mas não é o caso. É uma representação do Apocalipse e abaixo dela tem quatro mulheres. Essas são as alegorias dos quatro continentes conhecidos na antiguidade", explicou o mestre em arte visuais Robson Santana.



Os olhos da turista alagoana Milena Ferreira se encantaram, mas também buscaram respostas diante da tamanha grandeza.

"A primeira coisa que faço quando entro na igreja é olhar para o teto. De repente essa ligação com o divino, que quando chega chama a atenção e desperta a curiosidade de como foi feito", analisou Milena Ferreira.

São mais de 100 placas pintadas ao longo de alguns anos por uma equipe liderada por José Joaquim da Rocha. Elas foram fixadas em toras de madeiras e unidas por pequenos pedaços de cedro.

O maior restauro no teto foi feito na segunda metade do século XX. O forro da basílica, de perspectiva ilusionista, é considerada uma preciosidade.


Celebração a Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador — Foto: Max Haack/Ag Haack

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Frei Gabriel Chávez

 Fonte: MVS Noticias

Falece Frei Gabriel Chávez, uma referência mundial em arte sacra

Entre suas primeiras obras está a restauração da capela do mosteiro de Cuernavaca, além do condicionamento litúrgico da Basílica de Guadalupe.

Frei Gabriel Chávez de la Mora, arquiteto, morre aos 93 anos.Créditos: Cuartoscuro

Frei Gabriel Chávez de la Mora, que foi um dos arquitetos da Basílica de Guadalupe e uma das principais referências mundiais de arte sacra, morreu aos 93 anos durante a noite de 17 de dezembro enquanto realizava suas orações.

A Arquidiocese do México confirmou a morte do monge beneditino que em 1955 foi o primeiro graduado da escola de arquitetura da Universidade de Guadalajara e pouco depois entrou no Mosteiro Beneditino de Santa María de la Resurrección em Morelos.

Seu primeiro trabalho foi a restauração da capela do mosteiro em Cuernavaca; ele se destacou por seu trabalho na Abadia de Tepeyac, o condicionamento litúrgico da Basílica de Guadalupe e a Capela de Nossa Senhora de Guadalupe no Vaticano.

Em dezembro de 2021, ele recebeu o Prêmio Nacional de Arquitetura 2020 das mãos do presidente Andrés Manuel López Obrador na conferência da manhã.

Até os 93 anos, Frei Gabriel continuou trabalhando; um de seus últimos projetos foi o que seria a cruz mais alta do mundo, chamada "O Memorial da Misericórdia", que é construída em Monterrey.

Exposição de presépios é atração do Museu de Arte Sacra de SP

Por Estadão \ MSN

Como já é tradição nesta época de Natal, o Museu de Arte Sacra de São Paulo realiza exposição de presépios com obras de vários locais. Tradicionais, Modernos e Contemporâneos reúne 11 trabalhos criados em momentos diferentes da história, do século 17 ao 21, confeccionados no Brasil, Itália, Portugal e França.



Exposição de presépios está em cartaz no Museu de Arte Sacra Foto: Sonia Balady© Fornecido por Estadão

O MAS de São Paulo tem em seu acervo 160 conjuntos de presépios e para essa mostra fez um recorte com trabalhos exibidos junto à exposição Arte Sacra Através dos Séculos. Há ainda uma obra que é resultado de trabalho colaborativo dos artistas Icaro Hueza e Vagner Rodrigues, que pode ser visto nos jardins da instituição e que tem tamanho real. Essas peças são feitas de tramas em alumínio, que dão ar de contemporaneidade neste ambiente histórico, e se destacam pela representação fiel das imagens religiosas.

História

Em 1223, São Francisco de Assis decidiu usar a criatividade para mostrar às pessoas como teria acontecido o nascimento de Jesus. Para isso, de forma teatral, com autorização do papa da época, construiu um cenário vivo, o que impressionou as pessoas que viam a cena.



Presépio Napolitano está na mostra do Museu de Arte Sacra Foto: Sonia Balady© Fornecido por Estadão

Como toda boa tradição, a montagem dos presépios pelas famílias foi se mantendo através dos tempos, seja um simples ou os sofisticados. Há também obras de grandes mestres que se encontram em museus de diversos países, que escolheram representar a história do nascimento de Jesus. O certo é que essa é a forma de manter viva na memória o verdadeiro sentido do Natal, que é mais amplo e mais profundo do que apenas ações comerciais ou sociais.



Presépio equatoriano integra mostra do Museu de Arte Sacra de SP Foto: Sonia Balady© Fornecido por Estadão
SERVIÇO

Tradicionais, Modernos e Contemporâneos - Presépios MAS

Período: de 28 de novembro de 2022 a 8 de janeiro de 2023

Museu de Arte Sacra de São Paulo. Avenida Tiradentes, 676 - Luz, São Paulo (ao lado da estação Tiradentes do Metrô). Tel. 3322-5393.

Horários: de terça a domingo, das 9 às 17h.

Ingresso: R$ 6 /R$ 3 (meia entrada nacional para estudantes, professores da rede privada e I.D. Jovem - mediante comprovação), e gratuito aos sábados. Isenção para crianças de até 7 anos, adultos a partir de 60, professores da rede pública, pessoas com deficiência, membros do ICOM, policiais e militares - mediante comprovação

Exposição conta a trajetória da artista plástica Olga Faneco

 Fonte: Diário do Rio Claro


A trajetória de obra e vida da artista plástica e restauradora Olga Cristofoleti Faneco está sendo apresentada através da “Exposição Arte aos 90” em exibição na Casa de Cultura Paulo Rodrigues em Rio Claro. A visitação acontece até o dia 23 de dezembro, às segundas, terças e quartas-feiras das 13 às 17 horas; às quintas e sextas-feiras das 13 às 21 horas; e aos sábados e domingos das 9 às 13 horas. A entrada é gratuita.

A mostra contém trabalhos de pinturas em giz pastel, óleo sobre tela e técnicas mistas, pinturas decorativas em porcelana e objetos utilitários, peças em artesanato em argila pintada e découpage, pôsteres com ilustrações de restaurações realizadas pela artista e de momentos importantes de sua carreira como coordenadora da Pinacoteca Municipal “Pimentel Jr.” e do setor de artes plásticas da Secretaria Municipal de Cultura.

Olga Faneco foi uma das fundadoras do N’Arte (Núcleo dos Artistas Plásticos de Rio Claro e Região) e incentivou muitos artistas na organização de salões de artes, exposições, cursos e outras atividades. A artista deixou um expressivo legado para a cidade e região por meio da preservação de seu patrimônio cultural.

Por meio de sua arte, demonstrou a importância da profissionalização e valorização desta área com a realização de restaurações de obras para instituições públicas e privadas, museus, igrejas, fazendas históricas e colecionadores particulares.

A Casa de Cultura Paulo Rodrigues fica na Rua 4, nº 583, entre as avenidas 11 e 13, no Centro de Rio Claro.

Sobre a artista

Olga Cristofoleti Faneco, nascida em Rio Claro, completará 90 anos no próximo dia 16 de dezembro. Sua longa trajetória foi marcada por seu talento e dedicação como professora, pintora e restauradora de obras de arte.  Cursou o ginásio e o magistério no Instituto de Educação “Joaquim Ribeiro” e iniciou sua carreira como professora do ensino fundamental. Posteriormente, lecionou artesanato na rede pública de ensino. Foi aluna de pintura da professora Ilara Machado e do professor Nelson Cabral, e recebeu orientações de outros professores em diversos cursos.

Participou de muitas exposições e, em 1990, foi classificada em primeiro lugar no concurso estadual de cartazes sobre a Campanha do Aleitamento Materno, promovido pelo Sesi de São Paulo. Sua carreira como restauradora teve início em 1988 quando diplomou-se no Instituto Técnico de Restauro Domingo Tellechea, em São Paulo.

Procurando constantemente atualizar-se nas técnicas e materiais para restauro, participou de muitos cursos, congressos e seminários, com destaque ao Seminário Internacional Teoria e Prática do Restauro com o professor Gianluigi Colalucci, diretor da equipe de restauração da Capela Sistina, no Vaticano, em 2001.

Na Escola Templo da Arte, em Ribeirão Preto, especializou-se em restauração de imagens sacras policromadas e découpage artística, em 2006. Restaurou obras de arte pertencentes a acervos públicos e privados.

Pinacoteca Municipal “Pimentel Junior”, Museu Histórico e Pedagógico “Amador Bueno da Veiga”, Museu “Theodor Koelle”, Museu do Eucalipto e outras instituições museológicas.

Imagens e objetos sacros de Igrejas de Rio Claro e região, obras de fazendas históricas da região e colecionadores particulares do Brasil. Em termos técnicos, foi uma restauradora completa no desenvolvimento das etapas dos procedimentos. Trabalhou com obras das mais variadas procedências, épocas, matérias primas e manufaturas.

Foi coordenadora da Pinacoteca Municipal “Pimentel Junior” preservando e ampliando seu acervo. No início da década de 1990, quando assumiu a função, reuniu todas as suas obras e realizou a restauração. Também atuou como coordenadora de Artes Plásticas da Secretaria Municipal de Cultura de Rio Claro incentivando artistas através de exposições, cursos e oficinas e dos Salões de Artes Plásticas que organizava.

Foi uma das fundadoras do N’Arte – Núcleo de Artistas Plásticos de Rio Claro e Região que promoveu múltiplas atividades fomentando a integração dos artistas. Realizou a limpeza para conservação de monumentos nas praças. Sempre generosa, com simplicidade Olga Cristofoleti Faneco deixou sua marca para a cidade na preservação de seu patrimônio cultural e nos artistas que incentivou. Mostrou que a capacitação e profissionalização são fundamentais.    

Foto: Divulgação

domingo, 18 de dezembro de 2022

Nossa Senhora do Ó

 


18/12/22 - Dia de Nossa Senhora do Ó


Origens


Nossa Senhora do Ó é uma invocação à Virgem Maria que se originou na Espanha. A devoção é inspirada nos últimos dias de gravidez da Mãe do Salvador, em sua expectativa de ver seu Filho Primogênito. Tanto que hoje, a devoção é conhecida como “Expectação do parto de Nossa Senhora”. Essa expectativa, porém, não se resume à mera curiosidade de uma mãe que quer muito ver o filho que carrega em seu ventre. Trata-se de uma expectativa bem mais profunda e sobrenatural, que envolve toda a missão do Salvador que vai nascer.


Expectativa sobrenatural


A expectativa da Virgem Maria por ver o Filho Bendito que está em seu ventre resume a expectativa da humanidade pelo Salvador. É uma expectativa que se baseia nas promessas bíblicas que o próprio Deus fez à humanidade a respeito do Salvador. Tais promessas começam no livro do Gênesis, quando o Senhor Deus mostra sua misericórdia depois do pecado de Adão e Eva, prometendo que a descendência da mulher esmagará a cabeça da serpente. As promessas de que Deus enviaria o Salvador à humanidade perpassam todo o Antigo Testamento até se cumprirem totalmente em Jesus. E esta era a grande expectativa da Virgem Maria: não só de ver o rosto de seu Filho, mas de contemplar e colaborar com sua missão redentora da humanidade. Trata-se, portanto, de uma expectativa maravilhosa e sobrenatural.


Porque Nossa Senhora do “Ó”

A origem da denominação Nossa Senhora do “Ó” vem das expressões contidas nas orações litúrgicas que antecediam o Natal de Jesus. Com efeito, na liturgia pré-natalina, as orações começam sempre com a interjeição exclamativa “Ó”, como por exemplo: “Ó rebento da Raiz de Jessé… vinde libertar-nos, não tardeis mais”; “Ó Sabedoria… vinde ensinar-nos o caminho da salvação”; “Ó Emanuel…, vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus” Por causa disso, o povo passou a chama-la carinhosamente de Nossa Senhora do “Ó”.


Instituição


A comemoração litúrgica de Nossa Senhora do Ó foi instituída oficialmente no século VI, por ocasião do décimo Concílio de Toledo, Espanha. Neste Concílio, estiveram presentes três santos espanhóis: São Frutuoso de Braga, Santo Ildefonso e Santo Eugênio III de Toledo. Santo Idelfonso foi quem estabeleceu a festa litúrgica de Nossa Senhora do Ó no dia 18 de dezembro, sete dias antes do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.


🕯️"O R A Ç A O"


“Doce Virgem Maria, cujo coração foi por Deus preparado para morada do verbo feito carne pelas inefáveis alegrias da expectação de vosso santíssimo parto, ensinai-nos as disposições perfeitas de uma íntegra pureza no corpo e na alma, de uma humildade profunda no espírito e no coração, de um ardente e sincero desejo de união com Deus, para que o meigo fruto de vossas benditas entranhas, venha a nascer misericordiosamente em nossos corações, a eles trazendo a abundância dos dons divinos, para redenção dos nossos pecados, santificação de nossa vida e obtenção de nossa coroa no Paraíso, em vossa companhia. Assim seja.  Amém.”


Nossa Senhora do Ó, rogai por nós.


Por Pedro Lucas

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