sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Historiador lança livro sobre oratórios dos séculos XVIII e XIX no Museu da Inconfidência




O Museu da Inconfidência (Ibram/MinC) sedia o lançamento do livro Os Oratórios - A Privatização da Fé na Sociedade Colonial nos Séculos XVIII e XIX, do historiador e especialista em História da Arte Sacra Rennan Pimentel, às 19h30min desta sexta-feira, 10 de novembro, no Auditório, Anexo I. Os livros estarão à venda na ocasião, com preço promocional. O estudo tem por objetivo pesquisar a função exercida pela arte através dos oratórios na sociedade colonial como meio de privatização e propagação da fé católica.

A análise trata do oratório como um elo entre o fiel e o sagrado no cotidiano, onde é possível perceber uma influência local traduzida na confecção desses objetos que exprimem uma religiosidade fora do espaço sagrado. Através das reflexões impostas pela temática e da análise dessas peças, torna-se evidente a influência da tradição religiosa no cotidiano da sociedade colonial na América Portuguesa, vindas de tempos distantes que se proliferam e permanecem nos séculos XVIII e XIX.

Saiba mais - O autor

Rennan Pimentel é um estudioso das artes no campo sacro há 10 anos. Graduado em História e Especialista em História da Arte Sacra pela Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro, dedica-se ao estudo e análise iconográfica dos mais variados estilos artísticos e desenvolve parte de seu trabalho em solo mineiro. Como Guia de Turismo realiza visitas guiadas no campo artístico, histórico e cultural. Lecionou História da Arte para alunos do Ensino Médio e atualmente ministra cursos e palestras variadas voltadas para o tema.

Serviço

O QUÊ: Lançamento e apresentação do livro Os Oratórios - A Privatização da Fé na Sociedade Colonial nos Séculos XVIII e XIX, de Rennan Pimentel, e Apresentação do Coral do Instituto Federal de Ouro Preto-MG
. Regência: Arlindo Gomes.
QUANDO: 10 de novembro, sexta-feira, às 19h30min
ONDE: Auditório do Museu da Inconfidência, Anexo I. Rua Vereador Antônio Pereira, 33, Centro Histórico.
INFORMAÇÕES: (31) 3551-6023 / 3551-5233
ENTRADA GRATUITA.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Capela barroca do século 18 é reinaugurada em Conceição do Mato Dentro (MG)

Reinauguração de capela marca nova etapa da restauração de matriz do século 18 em Conceição do Mato Dentro, iniciada há dois anos e que deverá ficar pronta em 2018.


As obras ressaltaram a beleza das pinturas feitas sobre o reboco no templo barroco. Foto: Beto Novaes/EM

Alegria, música e emoção para celebrar um patrimônio barroco de Minas ainda desconhecido de muitos brasileiros e dos estrangeiros em visita ao país. Na tarde de ontem, depois de 12 anos de muita expectativa, moradores de Conceição do Mato Dentro, na Região Central, conheceram parte do restauro da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, do século 18, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Agora livre dos andaimes, a Capela do Bonfim, no interior do templo, foi reinaugurada depois de obras que deram mais beleza às pinturas parietais originais (feitas diretamente sobre o reboco) recriando a Paixão de Cristo. No forro, podem ser contempladas a figura de Verônica e as representações das três virtudes (fé, esperança e caridade) e dos cinco sentidos emoldurando a Sagrada Família.

Na capela, que funciona como sacristia do templo, e só estará aberta à visitação pública no fim de toda a obra, os olhos se dirigem naturalmente para um arcaz de madeira escura com fechaduras e puxadores das gavetas dourados. Típico de igrejas coloniais, o móvel restaurado se destina a guardar vestes litúrgicas e alfaias. Ao ver o resultado de toda a intervenção, a moradora Maria Costa Lima Guimarães, a dona Maroca, de 95 anos, disse que não fazia ideia da beleza da restauração da sacristia. “Lindíssima! Maravilhosa! Quero viver o bastante para ver esta igreja toda pronta. Foi aqui que me casei em 1946 e onde batizei os meus 11 filhos. Esta igreja representa muito para minha família e significa também renovação da fé”, disse dona Maroca.

Os serviços de restauração dos elementos artísticos da matriz – anteriormente foram executadas as etapas civil e arquitetônica – tiveram início efetivamente há dois anos, mas há muito trabalho para a equipe técnica, pois a conclusão de todo o projeto está prevista para o fim do ano que vem. Os fiéis torcem para tudo terminar até 8 de dezembro, data consagrada à padroeira Nossa Senhora da Conceição. Entre as novidades apresentadas está o conserto do relógio inglês de 200 anos, que aciona o sino e marca a vida da população.


Detalhes da Capela do Bonfim, que funciona como sacristia da Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Foto: Beto Novaes/EM

Presente à cerimônia, a superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino, disse que a Matriz de Nossa Senhora da Conceição abre as portas para o turismo cultural e ecológico na região, destacando belezas e tesouros de Minas, que vão da Serra do Cipó até Diamantina, passando pelo distrito de Itapanhoacanga, em Alvorada de Minas, e a cidade do Serro. Já o secretário de Estado da Cultura, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, afirmou que há muitas obras de igrejas sendo conduzidas em Minas e espera que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas não seja uma frustração em Minas. Admirado com o resultado da restauração, o bispo de Guanhães, dom Jeremias Antônio de Jesus, ressaltou que a obra ficou, simplesmente, maravilhosa e valoriza o patrimônio de Conceição do Mato Dentro, de Minas e do Brasil. “Foi recuperada uma joia que estava perdida. Ver esta sacristia é como ir ao céu e voltar.” A cerimônia teve a participação de autoridades e houve uma apresentação da Orquestra Jovem da Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes de Belo Horizonte.

Descobertas. Quem esteve na festa de reinauguração da sacristia da Matriz de Nossa Senhora da Conceição pôde admirar outras joias descobertas durante o restauro e mostradas pelo Estado de Minas no dia 25. A que causa maior encantamento, sem dúvida, está na capela-mor, onde especialistas encontraram 10 pinturas contando a vida de Nossa Senhora e de Jesus. As cenas bíblicas estavam escondidas sob camadas de tinta e agora resplandecem nos tons avermelhados originais.


Foto: Beto Novaes/EM

À frente da equipe de 38 pessoas, entre restauradores e auxiliares, alguns da cidade, e técnicos, Dulce Senra, da Cantaria Conservação e Restauro, com supervisão do Iphan, se entusiasma com cada detalhe da empreitada, em especial da capela-mor, com ações adiantadas no altar-mor e no retábulo colateral direito. As ações, no momento, se voltam para as tábuas do arco-cruzeiro e, na sequência, para o retábulo do lado esquerdo. Dulce diz que o maior desafio da obra foi retirar as camadas de tinta sem perda das pinturas originais, que têm ouro e prata. “Foi um trabalho de técnica e delicadeza”, afirmou.

Na capela-mor, causa um grande impacto ver as cenas da vida de Nossa Senhora e Cristo: As pinturas do início do século 18 trazem à luz A anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria, Visita a Santa Isabel, Adoração dos pastores, Visita dos reis magos, Apresentação de Jesus ao templo, A fuga para o Egito, O batismo de Cristo. O falso pastor, O verdadeiro pastor e A tentação de Cristo. No alto, no forro, está a Assunção de Nossa Senhora, original que foi repintado com a imagem de Nossa Senhora da Conceição e depois com a do Divino Espírito Santo.

Conforme estudos, o artista que fez as pinturas retratadas nos azulejos copiou as gravuras do livro de Bartolomeo Ricci, de 1607. Muito usadas como modelo pelos artistas coloniais, “as gravuras de Ricci estão nas parietais da matriz e reproduzidas com muita fidelidade ao original, com algumas modificações em que o autor coloca sua interpretação pessoal”. Os especialistas ficaram surpresos, pois não havia registros sobre os elementos artísticos da igreja.

O coordenador da obra, o engenheiro civil Alexandre Leal, destaca a umidade como um fator de risco para as pinturas do século 18 e adianta que foi feita a revisão na cobertura e tomadas as providências de segurança, a exemplo de parte elétrica, sistema contra raios e incêndios – projeto luminotécnico está previsto.

Tombada em 1948 pelo Iphan e interditada desde 2005, a matriz apresentava uma série de problemas estruturais e nos elementos artísticos. Entre as questões mais graves estavam a torre, a cobertura e o madeirame, que cedia lentamente, com risco de ruir. Os recursos para salvar a construção provêm da mineradora Anglo American, por meio de medida compensatória firmada, via termo de ajustamento de conduta (TAC), com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio dos promotores de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, ex-coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), hoje na comarca de Santa Luzia, na Grande BH, e Marcelo da Matta Machado, de Conceição do Mato Dentro.

Os serviços em andamento estão a cargo da Cantaria Conservação e Restauro, com supervisão do Iphan. O projeto total está orçado em R$ 8,5 milhões, mas, segundo o administrador paroquial e reitor do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinho, padre João Evangelista dos Santos, deverão ser gastos cerca de R$ 10 milhões. A intervenção, a maior parte bancada pela Anglo American, já teve também recursos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, vinculada à diocese de Guanhães, e um aporte de R$ 350 mil da prefeitura.

Bandeirante iniciou obra

Segundo pesquisas, a edificação da Matriz de Nossa Senhora da Conceição começou por iniciativa do bandeirante paraguaio Gabriel Ponce de Leon, que chegou à região em 1702. “No ano seguinte, a mulher dele mandou vir de Itu (SP) a imagem da padroeira”, conta Rosângela Domingues, integrante da Cantaria, destacando que, em sinal de agradecimento por ter encontrado ouro, o desbravador pediu para ser enterrado na frente do altar-mor da igreja. Em 1722, o templo já realizava cultos, mas as obras se estenderam por todo o século 18, devido à falta de recursos para terminá-la. Só em 1722 o auxílio real permitiu que fosse dado prosseguimento às intervenções, concluídas há 210 anos. O valor histórico e cultural é ressaltado pela comunidade, e as pinturas internas, representando cenas da Paixão de Cristo, foram consideradas “das mais encantadoras e delicadas do patrimônio de arte religiosa do país” pelo primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o advogado, jornalista e escritor Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898-1969).

Por Gustavo Werneck

Fonte original da notícia: Estado de Minas / Defender

Polônia oferece salvar estátua de São João Paulo II cuja cruz mandaram retirar na França

Por María Ximena Rondón



Monumento dedicado a São João Paulo II em Ploërmel (França) / Foto: Flickr Titem (CC-BY-NC-ND-2.0)

Em meio da polêmica causada na França, depois da ordem do Conselho Estadual de retirar a cruz de uma estátua dedicada a São João Paulo II, a Primeira Ministra da Polônia, Beata Szydlo, ofereceu acolher o monumento em seu país para salvá-lo da “ditadura do politicamente correto” e da “secularização do Estado”.

Em 25 de outubro, o Conselho de Estado da França, a última instância da jurisdição administrativa do país, ordenou ao município de Ploërmel, no departamento de Morhiban, retirar a cruz da estátua dedicada ao Pontífice polonês em um prazo de seis meses, porque contradiz a lei promulgada em 1905 sobre a separação entre a Igreja e o Estado.

Esta norma proíbe a instalação de símbolos religiosos como emblema nos monumentos ou em qualquer lugar público. Os únicos espaços permitidos são os lugares de culto, cemitérios ou museus.

Szydlo anunciou em 28 de outubro, através da Agência de Imprensa da Polônia, que “nós fizemos a proposta de transferi-lo (o monumento) à Polônia, caso as autoridades francesas e a comunidade local concordem”.

A Primeira Ministra destacou que São João Paulo II, “nosso grande compatriota, um grande europeu, é um símbolo da Europa cristã unida” e afirmou que “a ditadura do politicamente correto – da secularização do Estado – abre um espaço aos valores que são culturalmente alheios a nós e que levam a aterrorizar a vida diária dos europeus”.

O monumento de bronze, elaborado pelo artista russo Zourab Tsereteli, tem oito metros de altura e tem um arco sobre o qual está uma cruz. Foi instalado em 2006, em Ploërmel, a pedido do então prefeito, Paul Anselin.

Quatro anos depois, começou a polêmica da cruz, a partir de uma reclamação da Federação Morbihanesa de Livre Pensamento e, após uma longa batalha legal, em 2015 um tribunal francês ordenou ao prefeito da cidade que retirasse o sinal em um período de seis meses.

Essa decisão foi revertida por um tribunal administrativo de Nantes em dezembro daquele mesmo ano e agora foi anulada pela decisão do Conselho de Estado da França.

Dom Raymond Centène, Bispo de Vannes, Diocese onde o monumento foi colocado, disse ao jornal ‘Famille Chrétienne’ que este caso mostra “a grande preocupação sobre a identidade e filiação religiosa” da França.

“Muitos franceses se sentem ameaçados em sua identidade, é por isso que esse tema se tornou um símbolo que agita as redes sociais. O mais doloroso é que a missão da cruz é reunir os homens, como dizem as escrituras, e não dividi-los”.

“Jesus entregou a sua vida para reunir os filhos de Deus dispersos. A cruz é um sinal de identidade cultural tanto quanto um sinal de unidade”, disse Dom Centène.

“Mesmo que os pensadores livres queiram ou não, o cristianismo faz parte da nossa identidade europeia. O cristianismo é mais do que uma religião, é constitutivo do nosso ser, do nosso modo de viver e da nossa forma de entender os problemas de convivência”, acrescentou.

Por sua vez, o atual prefeito de Ploërmel, Patrick Le Diffon, disse à Agência France-Presse que poderia levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

“Há doze anos a estátua faz parte da paisagem de Ploërmel, não prejudica os habitantes. Muito pelo contrário, é algo turístico para a comunidade”, afirmou o prefeito.

Também indicou que planeja vender o terreno onde o monumento foi erguido a um proprietário privado, a fim de que já não possa ser aplicada a lei da separação entre a Igreja e o Estado.

Fonte: ACI Digital

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Igreja do Carmo espera restauro há 108 anos

Museu e sacristia de templo histórico estão fechados há 20 anos.


Frei Alberto de Santana mostra uma das gavetas onde estão sendo guardados rebocos folheados a ouro. (Foto: Marina Silva/Correio)

As paredes pintadas de folhas de ouro, o teto e azulejos coloridos e os altares detalhadamente esculpidos da Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo, no Centro Antigo, são parte importante da história da Bahia. Ali é possível reviver passagens que remontam o século XVI, quando a edificação começou a funcionar. No entanto, basta uma caminhada atenta na construção para perceber que o local não recebe cuidados há tempos.

Reconhecida como patrimônio material pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938, a igreja foi restaurada pela última vez em 1909. Hoje, o conjunto arquitetônico é composto por duas igrejas, um antigo convento, além de museu sacristia desativados – não são abertos ao público há 20 anos, por causa da ação de cupins que ameaçam as estruturas.

As rachaduras e trincas na igreja denunciam o abandono. Outro problema que a construção sofre é com a infiltração. Nos períodos mais chuvosos, os fiéis e responsáveis chegam a colocar baldes para conter a invasão da água. O industriário Adailton Ribeiro Silva Gama, 51 anos, foi um dos que já ajudou a enxugar o local. Ele frequenta a igreja diariamente e já chegou a ficar com medo dos rebocos, que costumam se desprender.

Segundo ele, houve uma promessa de reforma do local, mas, até agora, nada foi feito. “Essa reforma está se arrastando há muito tempo. Deixamos até de fazer casamentos”, completou ele, que nem lembra a última vez que isso ocorreu.

Ouro na gaveta
Os pedaços de reboco que caem são guardados na sacristia desativada, dentro de duas gavetas de um grande móvel feito com madeira de jacarandá. O espaço foi escolhido por um dos freis da igreja, Eduardo Rufino.

Funcionário da igreja há 16 anos, Reinaldo Cerqueira, 36, também costuma guardar os materiais que caem das paredes. “Tá bem precária a situação. Quando a gente olha de perto é que dá pra ver. Tem coisa que vai caindo, a gente cola, mas, quando não dá, a gente guarda para quando for restaurar”.

A manutenção e segurança de todo o conjunto é feita por dois funcionários e três freis. Segundo outro frei responsável pela igreja, Alberto de Santana, o dinheiro utilizado para pagar os gastos é da Província Carmelitana de Santa Elias.

Para ajudar a manter o templo, os freis ainda alugam a parte do convento ao Hotel Pestana. O contrato foi assinado no ano 2000. Esse dinheiro também é usado para pagar as despesas, como água, luz e salários.

Com medo de não pagar as dívidas do local, um dos freis teme que um dia o hotel saia do convento. “Se sair vai ser difícil pagar as contas, porque é muita coisa”, comenta o frei Raymundo Brito. De acordo com ele, uma conta de luz do local chega a custar R$ 1,5 mil. “Já foi R$ 3 mil, mas nós reclamamos, aí eles (Coelba) abaixaram”, completa o religioso.

Muita história
Foi no Convento do Carmo que os holandeses assinaram o termo de rendição para sair do Brasil, em 1626. Quem diz isso é o arquiteto e historiador Francisco Senna. De acordo com ele, o local foi utilizado como quartel general dos portugueses durante quase um ano. “Em 1624, quando os holandeses invadiram a Bahia e tomaram o Mosteiro de São Bento, os portugueses tomaram o Convento do Carmo”, conta.

Ainda de acordo com ele, o espaço do conjunto foi doado à Ordem Carmelita, que vinha fazer missões no Brasil. “É o maior convento carmelita, em área construída, do mundo”, destaca Senna. O local possui 80 celas e dois claustros.

Além da importância histórica, o local também guarda mais de 2 mil obras de arte sacra. Entre as peças estão: mobiliários, prataria, armaduras e porcelanatos. Uma das obras que o historiador destaca é o Cristo Atado à Coluna, uma peça esculpida em madeira e cravejada de rubis, os quais se assemelham às gotas de sangue e representam a dor vivida por Jesus Cristo. A obra é atribuída ao escravo Francisco Chagas, que é conhecido como Cabra ou Aleijadinho da Bahia.

Segundo o historiador, a igreja foi construída ao longo de séculos. Por conta disso, o estilo do local é variado. “Na fachada da igreja, você tem a presença do barroco. Já no interior, existe o neoclássico. Supostamente, essas mudanças aconteceram por causa da moda de cada época”, comenta.

O relicário de Santa Teresinha também é outra importante obra do local. Nele, segundo o historiador, é possível encontrar fragmentos de objetos e roupas da santa, morta no final do século XIX.

Beleza escondida
Ao lado da Igreja do Carmo, que fica anexa ao grandioso convento, há ainda a Igreja da Ordem Terceira do Carmo. O templo guarda a imagem do Cristo Morto com mil rubis, também feita pelo escravo Francisco Chagas.

O restaurador e professor José Dirson Argolo lamenta que a sacristia da igreja esteja fechada. “É uma das mais belas sacristias do Brasil”, garante. O local, segundo ele, é em estilo rococó. “As pinturas feitas em madeira, os quadros e altares dão todo o esplendor ao lugar”, completa.

Para o professor, o trabalho de restauração deve ser feito com urgência.

Comunidade se une para reabrir espaços após 20 anos
Engenheiros, arquitetos, produtores e museólogos e profissionais de diversas áreas de Salvador se reuniram com o objetivo recuperar o museu e a sacristia da Igreja do Carmo, fechada há 20 anos, através do movimento multicultural Viva o Carmo – Aqui, a Cultura é Sagrada.

O projeto promove um evento que reúne artistas de diferentes linguagens no Convento do Carmo. No local, são feitos oficinas de yoga para crianças, recreação infantil, contação de histórias, feira de artesanato, exposição de fotografias, recital de poesia, oficina de culinária, rodas de conversa e desfile de marcas de estilistas baianos. A ação já teve três edições e a última ocorreu no dia 28 de outubro. Na ocasião, duas mil pessoas participaram das atividades.

Madrinha do projeto, a cozinheira Tereza Paim, do Restaurante Casa de Tereza, diz que entrou em contato com as pessoas interessadas em participar do movimento. “Falei com os freis e com o pessoal interessado no projeto. O evento traz a sociedade para interagir com o patrimônio e arrecadar fundos para a igreja”, afirma.

Inicialmente, o dinheiro que já foi arrecadado na primeira edição do evento vai servir para o museu.


A segunda fase do projeto vai tentar captar recursos para a igreja. “Não temos a capacidade de fazer tudo de vez, porque é muito grande. Estamos fatiando para facilitar”, detalha o religioso.

A Arquidiocese de Salvador é formada por 15 municípios, 113 paróquias, e mais três quase paróquias. As paróquias e quase paróquias são divididas em pequenas comunidades que, somadas, dão em torno de 800 templos.

Segundo a assessoria da Arquidiocese, no bairro Santo Antônio Além do Carmo existe a Paróquia Santo Antônio Além do Carmo, que é formada pela matriz e mais oito comunidades. Ou seja, são nove templos no bairro, ao todo.

Iphan diz que pedirá verificação do espaço
Em relação aos problemas com a estrutura do Museu e Igreja do Carmo, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que vai consultar um técnico, para analisar a situação da obra, antes de emitir um parecer.

Segundo a assessoria do órgão, que é responsável pela fiscalização e conservação dos bens tombados no país, o tombamento não garante a manutenção e a conservação no imóvel. “O Iphan realiza a fiscalização do estado de conservação dos bens tombados, cabendo ao proprietário a manutenção e a conservação do imóvel. Isso vale para qualquer bem tombado, seja de uso público ou privado”, afirmou o instituto, em nota enviada ao Correio.

“O tombamento é uma ação de reconhecimento de um bem como parte do Patrimônio Cultural Brasileiro, ou seja, é um reconhecimento do Estado de que este bem tem relevância nacional. A partir do tombamento, e como consequência dele, o Iphan passa a ter responsabilidade no acompanhamento da preservação do bem. Contudo, a responsabilidade pela conservação continua sendo dos proprietários”, reforça o comunicado.

Por Milena Teixeira

Fonte original da notícia: O Correio – Bahia / DEFENDER

IV Encontro Luso-brasileiro de Conservação e Restauro





27 DE NOVEMBRO A 1º DE DEZEMBRO DE 2017

Fundação Casa de Rui Barbosa

Rua São Clemente, 134
Rio de Janeiro,
Brasil



O IV Encontro Luso-brasileiro de Conservação e Restauro tem como tema central “Conservação-Restauração: a unidade na transdisciplinaridade” e o objetivo de aprofundar o debate acerca da relevância e função da Conservação-Restauração na gestão do patrimônio cultural, considerando a inserção de novas tecnologias e de parâmetros científicos em ações integradas de preservação, a atuação do conservador-restaurador, bem como a avaliação dos processos de formação nos níveis de graduação e pós-graduação. Nesta perspectiva, visamos promover um fórum de discussões e intercâmbio através da troca de experiências entre profissionais e instituições da área e o estreitamento das relações entre instituições de língua portuguesa.

Público-alvo: estudantes de graduação e pós-graduação em Conservação e Restauração de Bens Culturais; estudantes de graduação e pós-graduação interessados na área de Patrimônio Cultural; profissionais Conservadores-Restauradores; profissionais de museus, arquivos e bibliotecas; docentes e pesquisadores da área de conservação e restauração; agentes culturais e procedentes de cargos da administração pública voltados para a área da cultura.

Fonte: Site Oficial

Veja a Página Oficial e saiba mais

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Tríptico retábulo de Van Eyck on line e em alta resolução

O site permite não apenas um mergulho para as imagens de alta resolução do famoso retábulo de Gana, além das diversas etapas de conservação e restauração iniciadas em 2012



ROMA - A nova versão do aplicativo web "Closer to Van Eyck" está online , permitindo um olhar atento sobre o artista e sua obra-prima, feita em 1432 com seu irmão Hubert.

Novo conteúdo está disponível na plataforma http://closertovaneyck.kikirpa.be . O site não só permite que você mergulhar em imagens em altíssima resolução do famoso retábulo de Gand , mas também em diferentes estágios de tratamento de conservação e restauro começou em 2012, em seguida, com a capacidade de comparar simultaneamente as primeiras imagens , durante e após a restauração, com uma função de zoom simples .

Todas as etapas do processo de conservação foram documentadas com técnicas fotográficas e científicas de ponta, como radiografias e reflexografia infravermelha, que permitem obter um alto nível de detalhes na pintura e uma resolução de imagem de alta qualidade para 100 bilhões de pixels.

As novas imagens mostram tão perfeitamente o longo processo de redescoberta nas mãos dos restauradores belga Real Instituto do Patrimônio KIK-IRPA, que entre 2012 e 2016 ter eliminado séculos de pintura dos painéis exteriores do retábulo, trazendo para nova vida e nova luz, a pintura original de Van Eyck , com suas cores e volumes, às vezes inesperada.

Deborah Marrow, diretor da Fundação Getty, que, juntamente com a Fundação Gieskes-Strijbis eo governo Flamengo, financia o local mais perto de Van Eyck e a restauração diz: " A nova documentação mais perto de Van Eyck permite que você mergulhar o gênio de artistas. É um presente para os olhos e uma enorme fonte de inspiração para a pesquisa ", diz ele.

Outros parceiros na iniciativa são os Kathedrale Kerkfabriek Sint Baafs (KKSB) de Gent Lukas - Arte em Flandres (LAF) de Gent, Universum Digitalis (UD), em Bruxelas, Visscher & Van Rijckevorsel filmproducties Amsterdam e os Departamentos de Matemática e Eletrônica e Informática na Vrije Universiteit Brussel em Bruxelas.

O tratamento no poliptico continua em painéis internos, sempre em laboratórios instalados no MSK - Museu de Belas Artes de Ghent , aos olhos dos visitantes dos museus. As saias já restauradas podem ser admiradas na Catedral de St. Bavon em Gent , onde o trabalho é historicamente preservado. Um bilhete de 12 euros garante a entrada nos dois sites, incluindo uma visita ao antigo convento em Caermersklooster, onde até 26 de novembro é uma exposição nos primeiros 4 anos de restauração.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Concurso Nacional de Presépios da FAOP segue com inscrições abertas

Foto | Arquivo FAOP
As inscrições para o 45º Concurso Nacional de Presépios, realizado pela Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP, seguem abertas. Os interessados em participar podem acessar o edital no site da Fundação, que fica aberto até 1º de dezembro de 2017.

Buscando estimular a criatividade, arte, técnica, memória e valorizar esta tradição, o concurso permite que artesãos, artistas e quaisquer interessados explorem diversas linguagens e técnicas para a confecção de presépios. Nesses 45 anos de trajetória, foram apresentados trabalhos realizados com metal reciclado, giz escolar, madeira, pedra sabão e outros materiais não perecíveis.

Para participar, basta preencher a ficha de inscrição que está disponível no site www.faop.mg.gov.br, ou na sede da FAOP do Rosário, e entregar pessoalmente, ou via Correios, acompanhada da documentação e do presépio até a data de encerramento do edital.

Maristela Reis, participante habitual do concurso, destaca a relevância do evento. “Participar do Concurso de Presépios da FAOP é uma grande honra e sempre um desafio. Já participo há mais de 10 anos e sempre tento me superar. Já confeccionei presépios em vários estilos e materiais e tive a felicidade de ganhar alguns prêmios.”

Serão quatro premiações que somam um total de R$3.200. Três obras serão indicadas por um júri técnico, no dia da abertura da exposição, e recebem respectivamente os valores de R$1.000, R$700 e R$500. O primeiro selecionado não pode ser votado pelo júri popular. Os outros presépios, participam da votação por meio de uma cédula que os visitantes recebem ao visitar a Galeria de Arte Nello Nuno, em Ouro Preto/MG, local onde ficam expostos do dia 8 de dezembro até o dia 6 de janeiro. Ao final da exposição, são somados os votos e o ganhador recebe um prêmio no valor de R$1.000. As premiações serão entregues até o dia 30 de março de 2018.

Os trabalhos eleitos pelo júri técnico e pelo júri popular serão incorporados ao acervo de presépios que a FAOP



PRESÉPIOS

A representação do nascimento de Jesus Cristo, em Belém, norte de Israel, cercado de animais, anjos, pastores e dos três reis magos – Baltazar, Belchior e Gaspar – teve início no século XIII, pelas mãos de São Francisco de Assis, com o objetivo de tornar mais fácil a assimilação da história pelos camponeses da época.

O costume, assim como a fé cristã, ganhou o mundo com as colonizações. No século XVII, o religioso Gaspar, homônimo do rei mago, de Santo Agostinho criou o primeiro presépio no Brasil, na cidade de Olinda, Pernambuco.

EXPOSIÇÃO FAOP NA FIEMG

Em dezembro, o acervo de presépios da FAOP será exposto na SESI Ouro Preto – Centro Cultural e Turístico do Sistema FIEMG, 4, Praça Tiradentes, para a visitação de moradores e turistas interessados em conhecer uma amostra dos trabalhos ganhadores que foram desenvolvidos ao longo dos anos de concurso.

Premiação

- Primeiro Lugar | Comissão Julgadora - R$ 1.000,00

- Segundo Lugar | Comissão Julgadora - R$ 700,00

- Terceiro Lugar | Comissão Julgadora - R$ 500,00

- Prêmio Popular | R$ 1.000,00




Acesse o edital no link: https://goo.gl/Z89mVG

Acesse a ficha de inscrição no link: https://goo.gl/5N6foo




Serviço Edital da Abertura do Concurso de Presépios 2017

Local: Rua Getúlio Vargas, 185, bairro Rosário, em Ouro Preto/MG

Inscrições: 4 de setembro a 1º de dezembro de 2017

Ficha de Inscrição e Edital: Site da FAOP

Informações: (31) 3552-2480 ou producao@faop.mg.gov.br


Fonte: FAOP
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