domingo, 23 de outubro de 2011

Ícones


Uma Janela para o Mundo Divino

Cristo Pantocrator, Monastério de Santa Catarina do Sinai - Constantinopla - meados do século VI

pintado sobre madeira 84 x 45.5 cm x 33.1 x 19.4


“O ícone, visto com os olhos do coração iluminados pela fé, nos abre para a realidade invisível, para o mundo do Espírito, para a economia divina, para o mistério cristão na sua totalidade ultraterrena. È lugar teológico” (Maria. Donadeo, em Os Ícones, Imagens do Invisível, p. 20).

A palavra ícone deriva do grego eikón que significa imagem. São representações de Jesus Cristo, cenas de sua vida, da Virgem e dos santos venerados pela Igreja.
O ícone pode ser realizado de várias maneiras: pintado sobre madeira com a técnica de tempera a ovo ou com a técnica da encáustica (que usa cera de abelha); como afresco sobre paredes; com esmalte ou mosaico ou ainda em ilustrações de pergaminhos ou livros. Entretanto, qualquer que seja a técnica em que o ícone é realizado, não podemos nos referir a ele como sendo simplesmente uma obra de arte.
Na arte comum os artistas representam pessoas e eventos que pertencem ao mundo material. Mesmo quando o tema a ser pintado é algo abstrato como, por exemplo, um mito, sua representação será na linguagem das imagens terrenas. Na busca de uma melhor expressão de seus sentimentos interiores, pintores abstratos usam cores ou deformam os objetos. Entretanto as experiências diante dessas obras não levam o expectador para um mundo de natureza diferente onde o espaço, o tempo e os valores são outros.
Esse é o objetivo dos ícones: transportar-nos para um outro mundo. Os ícones não representam o mundo natural, terreno, mas o espiritual. E isso é feito através de técnicas artísticas especiais que foram desenvolvidas no curso de vários séculos. Portanto, não podemos olhar para os ícones como se eles fossem simplesmente obras de arte. Eles não representam o espaço como o conhecemos, nem os eventos são condicionados pelas relações comuns de causa e efeito.
O tratamento da perspectiva, as proporções do corpo e os planos representados em um ícone não seguem as regras conhecidas no mundo da arte, mas sim as regras de uma dimensão divina, diferentes das regras mundanas. A ausência de uma paisagem mais elaborada também simboliza esta entrada no mundo divino. Não existe lugar para o supérfluo na representação do mundo divino, somente cabe o essencial.
A perspectiva invertida empregada nos ícones é especialmente interessante. Ao contrário do que ocorre na pintura clássica, onde o ponto de fuga está na linha do horizonte, no ícone o observador é situado no ponto de fuga das linhas, como se o ícone fosse uma janela aberta para o mundo divino, vislumbrado a partir da perspectiva daquele que reza diante dele.
A aparência dos objetos visíveis é alterada a fim de que uma outra realidade seja discernida e que a lógica da percepção sensorial seja suspensa, já que os elementos do sagrado não se encontram localizados no espaço-tempo terrestre.
O ícone é uma janela olhando para um mundo de uma outra natureza, mas essa janela só estará aberta para aqueles que tiverem uma visão espiritual. A cava na tábua do ícone ou a borda externa pintada sobre a madeira simboliza essa janela por onde entraremos para o mundo divino.
A cor tem um papel muito especial na iconografia porque é uma linguagem simbólica. Assim, as cores são usadas em função das virtudes ou características que representam e não em função de um realismo terreno.
O ícone quer revelar a realidade espiritual que está além de toda expressão verbal. As técnicas envolvidas no emprego da luz e da cor foram criadas para gerar a sensação de estarmos olhando para um mundo que não está sendo iluminado por uma luz externa que lança sombras, mas pela luz da graça divina que transforma edificações e paisagens e que se manifesta principalmente na iluminação interior daqueles que testemunharam a fé no Todo-Poderoso. O sentido mais amplo tem de ser encontrado na alma do espectador. Os ícones são, assim, um meio de entrar na quietude do coração onde Deus pode ser tudo em todos e todas.
A luz divina que está dentro de cada pessoa não está no mundo visível. Nos ícones essa luz divina é representada por meio de linhas de ouro ou linhas brancas. O fundo do ícone em ouro representa o espaço “que não é desse mundo”. Como a luz é do mundo divino, ela está em todas as partes e não existem sombras projetadas nos ícones, como na arte naturalista, pois no mundo de Deus tudo está permeado por essa luz.
Aqueles que quiserem compreender os ícones terão que vê-los com os olhos da fé, para quem Deus é uma realidade indiscutível, presente em todos os lugares, uma testemunha e um juiz invisível de nossos atos, pensamentos e emoções, de quem nada pode ser oculto. O ícone atualiza-se como uma realidade viva quando o artista, pela oração e compreensão espiritual realiza o Divino em si mesmo.

1. Uma Arte Espiritual por Excelência

A iconografia é uma arte sagrada, espiritual tanto em sua essência quanto em seus objetivos. São João Damasceno, em sua defesa dos santos ícones, chama a atenção para suas funções na vida espiritual dos cristãos ortodoxos:

1) Os ícones são meios de honrar a Deus, seus Santos e os santos anjos.
2) Eles servem como instrumentos para a instrução na Fé Cristã e nos ensinamentos da Igreja.
3) Eles nos relembram desses ensinamentos.
4) Eles nos elevam aos protótipos, aos personagens ali representados e a um nível mais elevado de pensamento e sentimento.
5) Eles promovem a virtude e nos auxiliam evitar os vícios, despertando em nós o desejo de imitar esses personagens sagrados.
6) Eles contribuem com a nossa santificação.
7) Eles aumentam a beleza de uma igreja.

Atualmente, a principal função dos ícones não é a didática, isto é, oferecer um ensino religioso acessível a todos, ainda que analfabetos. O ícone depois de abençoado é um sacramental, isto é, um sinal da graça, eficaz em virtude dos poderes e da oração da Igreja. E nesse sentido é um poderoso auxílio na vida espiritual do cristão que o utiliza com respeito e com fé.
“Aquilo que o Evangelho nos diz com palavras, o ícone anuncia com cores e no-lo torna presente.” Representando o Cristo, a Mãe de Deus, os anjos ou os santos, ele os torna misteriosamente presentes e nesse aspecto ele difere de um quadro. Diz a resolução do VII Concílio Ecumênico:

“O ícone é para nós ocasião de um encontro pessoal, na graça do Espírito, com aquele que ele representa... Quanto mais o fiel olha os ícones, mais se recorda daqueles que estão ali representados e se esforça por imitá-los. Aos ícones ele testemunha respeito e veneração, mas não adoração, que é devida unicamente a Deus.”.

O fiel reza diante do ícone de Cristo como se estivesse diante do próprio Cristo, que se apresenta no ícone. Porém o ícone em si, lugar dessa presença, permanece um objeto, nunca se torna um ídolo. A exigência de ter o ícone advém da concretização do sentimento religioso, que não se contenta com uma simples contemplação espiritual, mas procura também avizinhar-se de Deus diretamente, sensivelmente, como é natural ao homem de corpo e alma.
O iconógrafo grego Photius Kontaglou costumava dizer que os santos ícones estão repletos da luz de Cristo, e o cristão ortodoxo que os admira com atenção e os venera com fé e simplicidade de coração, é preenchido por essa luz abençoada. Os cristãos que já passaram pela experiência de estar em frente a um ícone, fitando-o intensamente e rezando como se estivesse diante da própria pessoa ali representada, sabem que a afirmação de Kontaglou é verdadeira.
Para os não cristãos, essa luz suave e plena de alegria silenciosa não será perceptível. Tendo olhos, não poderão ver. O homem secular vê no ícone apenas cores, formas, arte e cultura. Ele pode até mesmo apreciar a habilidade artística com que foi executado, mas o mundo interno, oculto, não estará ao seu alcance. Para os cristãos os ícones são como um banquete espiritual, um deleite para os olhos, o coração e a alma.
Para poder expressar o ícone em toda sua plenitude espiritual, é necessário que o iconógrafo procure não apenas compreender, mas ter uma vivência no mundo espiritual. O mundo espiritual pode ser conhecido através da metafísica e da filosofia, mas a vivência não será alcançada por esses meios.
O primeiro sinal da vida é a respiração. Tudo o que vive respira. No âmbito espiritual, os santos Padres testemunham que “A respiração da alma é a oração.” (Os Ícones da Mãe de Deus, p. 32). Sem a oração, “o iconógrafo encontra-se morto para o mundo espiritual e ainda que possuísse perfeitamente a técnica do ícone, sua obra sempre seria sem alma.” (Os Ícones da Mãe de Deus, p. 35).

2. Arte e Cânone

No passado, o iconógrafo era, sobretudo, um monge acostumado a obedecer, que seguia fielmente os cânones da pintura. A fidelidade dos iconógrafos à Tradição permite que qualquer pessoa, mesmo as mais simples, possa logo reconhecer o ícone de uma festa, apesar de sua complexidade. Todavia, não existem dois ícones iguais, porque o artista, embora fiel às regras, conserva sua liberdade. A tradição assegurou aos ícones força e continuidade ao longo dos séculos.
Numerosas são as advertências e ameaçadores os tormentos eternos a quem queira pintar um ícone não segundo a Tradição, mas segundo suas próprias concepções. Os historiadores vêem nisso um exemplo de conservadorismo da Igreja e consideram essas normas um obstáculo à renovação da arte sacra. Na verdade, esse ponto de vista é uma falta total de compreensão do que é o ícone.
O cânone jamais prejudicou a iconografia. Elevando o artista ao nível espiritual já adquirido pela humanidade, tais cânones libertam a sua energia criadora para novas aquisições, livrando-o da necessidade de repetir o que já está em declínio. A exigência de ater-se às formas canônicas é uma libertação, não um obstáculo.
A Igreja não busca formas antigas ou modernas, mas aquelas que sejam verdadeiras; se elas o são, a Igreja aprova e abençoa a obra. Quando o cânone é respeitado, há uma garantia de que o ícone reproduz uma verdade já reconhecida. Quando o cânone não é respeitado ou a obra está bem abaixo do admissível, ou constitui uma nova revelação, o que deve ser verificado.
É claro que não esperamos que os iconógrafos modernos se preparem praticando ascetismo espiritual, mas é necessário pelo menos conhecer os cânones da pintura antiga e dominar a linguagem da pintura iconográfica, pois no caminho os iconógrafos encontrarão as tentações das estilizações e alterações. A pintura não pode ser apenas uma decoração, mas deve ser feita com compreensão de todo o seu profundo significado, para que a luz do Monte Tabor possa sempre brilhar através dos ícones.


Referências

Cavarnos, C.. Guide to Byzantine Iconography, Vol. 1 e 2. Holy Transfiguration Monastery, Boston, MA, 1993.
Chibikova, I.U. Problems on Returning to the Canon in Modern Icon Painting www.iconofile.com
Davidov, F. The Responsibility of Modern Icon Painters www.iconofile.com
Donadeo, M. Os Ícones, Imagens do Invisível. Ed. Paulinas, SP, 1996
Ouspensky, L.A.. Theology of the Icon. Crestwood, New York, St. Vladimir's Seminary Press, 1992.—Ed.]
Prostov, Vladimir e Tatiana. The Icon as an Image. www.iconofile.com
Serfes, Archimandrite Nektarios Prayers To The Healer of Cancer, http://www.serfes.org/orthodox/prayersforcancer.htm

Fonte: http://www.iconografiabrasil.com/Icone.htm

sábado, 22 de outubro de 2011

Arte Cusquenha de Wilber Flores

Histórico da Arte Cusquenha

A Arte Cusquenha inicia com a conquista de Cuzco (Peru)  pelos espanhóis, em 1534, houve uma profunda transformação na história política do Império Inca, como também um novo capítulo em sua arte. A pintura cusquenha surge como arte eclesiástica e sua finalidade principal foi didática - sobretudo catequética, uma vez que os espanhóis, com o crescente processo de apropriação das riquezas da nova colônia, partem para a conversão das almas pagãs à religião católica. A imagem era - aliada à palavra - o único meio bastante eficaz de transmitir o catolicismo com temas exclusivamente religiosos: a glorificação de Jesus, Virgem Maria e Santos, Juízo Final, com as glórias do Paraíso e a condenação do Inferno. Apostando na evangelização dos povos da comunidade incaica, a Espanha envia um grupo de religiosos artistas para a criação de obras doutrinárias, formando escolas de pintores índios ou mestiços, com o ensino da arte do desenho e do óleo. O termo "cusquenho", no entanto, não se limita a Cuzco, origem destas pinturas coloniais hispano-americanas, que foram produzidas igualmente em outros países andinos, como Bolívia e Equador, entre os séculos XVI a XVIII. A denominação se generalizou mais por ser a cidade de Cuzco, no Peru, a capital e o centro do Império Inca. De qualquer forma, a Escola de Cuzco é considerada como o primeiro centro pictórico organizado no chamado Novo Mundo. Mesmo sofrendo influência das escolas bizantina, flamenga e renascentista italiana, os cusquenhos peruanos mostram uma liberdade desconhecida dos europeus: cores vivas, imagens distorcidas para dar maior dramaticidade à cena, sobre fundo ilustrado com fauna e flora dos Andes adornado com anjos e arcanjos.
Nossa Senhora de Guadalupe

Wilber Flores
Atualmente no Brasil, Wilber Flores continua confeccionando peças artísticas, ornamentos e entalhes, principalmente objetos sacros. Sobre encomenda, fez inúmeras obras para a Paróquia Imaculada Conceição de Jacareí (http://www.imaculadajacarei.org.br/newsite/), como novo altar, ambões, quadros da via-sacra. 
Ele conta que essa arte é passada por gerações de famílias, sendo popular por toda e região de Cusco no Peru, ele mesmo diz ter aprendido desde pequeno, com seus parentes. “(...no Brasil) há muita falta de madeira grossa que atenda as necessidades da arte” – explica porque de algumas peças serem feitas separadas. 
Sem previsão de estádia, Wilber permanece trabalhando com muito vigor em suas peças pensando na sua família em Cusco, Peru. De poucas palavras e muito trabalho faz da madeira uma expressão da sua fé.






 Wilber Flores e sua obra: Ambão para Igreja Matriz de Jacareí.

 O artista ao lado do Altar-mor da Igreja Matriz. A direta: Élcio Roberto (jornalista) e Rodolfo Cristiano (desenhista).


 
Os irmãos Wilber e Daniel Cusi trabalhando no seu atelie no Peru.


Pequeno Oratório.


"Arcanjos" - Trabalhos de Wilber Flores

 Exposição de Wilber Flores em Jacareí.

Algumas Obras Cusquenhas:


Nossa Senhora Aparecida no Oratório e Arcanjo

Santa Ceia

Madonna 

Arte Cusquenha de Wilber Flores






O trabalho de Flores Cusi impressiona e encanta. 
A arte do entalhe e da pintura, nos faz perceber a importância histórico-cultural de vários povos que relativamente tão próximos, com semelhanças e contrastes tão fortes. 
Traz por excelência uma nova experiência pelo olhar e nos incorporar a uma realidade nova. 
O abuso de ‘ondulações’ e formas que o artista tira, ou expõe da madeira pode nos parecer até certo ponto impossível, inviável, mas atentos a movimentação de suas ações vemos um Michelangelo peruano que não tendo o mármore, busca dos montes a obra-prima.


Fontes:
- Wilber Flores – Entrevista (Maio/2009 – Arquivo Pastoral da Comunicação da Paróquia Imaculada Conceição)
- “Arquivo Peruano” – http://www.peruvianaccents.com/index.php

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Necrópole Vaticana: visita estendida até o túmulo de São Pedro


Cidade do Vaticano (RV) – Uma nova parte da Necrópole do Vaticano - que data dos primeiros séculos depois de Cristo e que conduz até o túmulo de São Pedro - se tornou desde o último dia 12 de outubro um novo espaço de turismo e peregrinação religiosa sob a Basílica de São Pedro. A informação é do Cardeal Angelo Comastri, Arcipreste da Basílica.

Cardeal Comastri disse que a restauração da Necrópole do Vaticano "é um momento muito importante, mas também difícil, pois restaurar obras que ficaram enterradas por séculos, claramente requer uma extraordinária delicadeza de restauração."

"Se Constantino decidiu construir a Basílica de São Pedro num lugar já ocupado por um cemitério, isso tem uma razão: o túmulo de São Pedro. Isso também reconfirma as fontes literárias que dizem que este é o lugar do martírio de Pedro e onde foi enterrado o Apóstolo”, completou.

Ele explicou ainda que a confirmação arqueológica "é a razão pela qual o Papa está aqui em Roma, e também porque o Bispo de Roma é o Papa, justamente porque ele é o sucessor de Pedro."

"Estamos confiantes de que este é o lugar do martírio de Pedro e sepultamento de Pedro, e, portanto, a continuidade dos Bispos de Roma com o sucessor de Pedro é uma continuidade absolutamente legítima", disse ele.

A Necrópole do Vaticano é um cemitério romano que foi soterrado por ordem do Imperador Constantino, que decidiu construir a primeira Basílica de São Pedro. O Mausoléu foi descoberto em 1941. Depois da descoberta, os Papas são enterrados nas Grutas do Vaticano, o lugar mais próximo ao túmulo de São Pedro. (RB)


domingo, 16 de outubro de 2011

Um pouco mais do êxtase de Santa Tereza

Poema “Véante mis ojos”
Véante mis ojos,
Dulce Jesús Bueno,
Véante mis ojos,
Muérame yo luego.
Vea quien quisiere,
Rosas y jazmines,
Que si yo te viere,
Veré mil jardines.
Flor de serafines,
Jesús Nazareno,
Véante mis ojos
Mueráme yo luego.
Veo me cautivo
sin tal compania.
Muerte es la que vivo,
Sin vos, vida mia.
Cuando vendrá el dia
Que alceis mi destierro?
Véante mis ojos,
Mueráme yo luego.
No quiero contento,
Mi Jesús ausente,
Que todo es tormento
A quien esto siente.

Vejam-te meus olhos,
doce e bom Senhor;
Vejam-te meus olhos,
e morra eu de amor.
Olhe quem quiser
rosas e jasmins:
que eu, com tua vista,
verei mil jardins.
Flor de Serafins,
Jesus nazareno,
vejam-te meus olhos
e morra eu sereno
Sem tal companhia,
vejo-me, cativo
sem Ti, vida minha,
é morte o que eu vivo.
Este meu desterro
quando terá fim
vejam-te meus olhos
e morra eu, enfim.
Prazeres não quero,
meu Jesus ausente:
que tudo é suplício
a quem tanto sente.
Esta cantiga – o “catarcillo” – provocou em Santa Teresa um êxtase doloroso quando a ouviu, segundo se lê nas Sextas Moradas do Castelo Interior.

sábado, 15 de outubro de 2011

O Êxtase de Santa Tereza


O Êxtase de Santa Tereza é uma escultura de Gian Lorenzo Bernini (1598-1680) um dos maiores escultores do século XVII, representando a experiência mística de Santa Teresa de Ávila trespassada por uma seta de amor divino por um anjo, realizada para a capela do cardeal Federico Cornaro.
Esculpida durante o período de 1645-1652, seguindo as tendências do estilo barroco, hoje ela se encontra em um nicho em mármore e bronze dourado na Capela Cornaro, Igreja de Santa Maria della Vittoria, Roma. A beleza da obra se deve ao uso da iluminação e da fidelidade da escultura, que conferem à obra sensibilidade, pois o escultor aplicava em suas esculturas o uso de corpos alongados, gestos expressivos, expressões mais simples mas mais emocionadas.
Bernini seguia as determinações da Igreja Católica Romana, que diziam que a a arte religiosa deveria ser inteligível e realista, e servir, acima de tudo, como um estímulo emocional à religiosidade. Bernini serviu a Cidade do Vaticano durante muito tempo, criando esculturas feitas por pedido.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_%C3%8Axtase_de_Santa_Teresa


 Detalhes:




Santa Tereza D'Ávila

  Santa Tereza de Ávila - 1615 - Peter Paul Rubens

Santa Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus (Gotarrendura, 28 de março de 1515 — Alba de Tormes, 4 de outubro de 1582) foi uma religiosa e escritora espanhola, famosa pela reforma que realizou no Carmelo e por suas obras místicas.
Teresa é uma das maiores personalidades da mística católica de todos os tempos. Suas obras, especialmente as mais conhecidas (Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Moradas e Fundações), contém uma doutrina que abraça toda a vida da alma, desde os primeiros passos até à intimidade com Deus no centro do Castelo Interior. Suas cartas no-la mostram absorvida com os problemas mais triviais. Sua doutrina sobre a união da alma com Deus é bem firmada na trilha da espiritualidade carmelita, que ela tão notavelmente soube enriquecer e transmitir, não apenas a seus irmãos, filhos e filhas espirituais, mas à toda Igreja, à qual serviu fiel e generosamente. Ao morrer sua alegria foi poder afirmar: "Morro como filha da Igreja".
Foi canonizada em 1622. No dia 27 de setembro de 1970, o papa Paulo VI conferiu-lhe o título de Doutora da Igreja.
Santa Teresa de Ávila é considerada um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer sua viva e arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e atraente e seu profundo bom senso. O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, a tinha em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teresa_de_%C3%81vila
 

É Padroeira dos Professores!


Dia do Professor

No Brasil, o Dia do Professor é comemorado em 15 de outubro.
No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Teresa de Ávila), Pedro I, Imperador do Brasil baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, "todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras". Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.
Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia efetivamente dedicado ao professor.
Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como "Caetaninho". O longo período letivo do segundo semestre ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça - inclusive dos pais. O discurso do professor Becker, além de ratificar a idéia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pela frase " Professor é profissão. Educador é missão". Com a participação dos professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".
Fonte: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_professor


 Ser Professor

Ser professor é professar a fé e a certeza de que tudo terá valido a pena se o aluno sentir-se feliz pelo que aprendeu com você e pelo que ele lhe ensinou... Ser professor é consumir horas e horas pensando em cada detalhe daquela aula que, mesmo ocorrendo todos os dias, a cada dia é única e original... Ser professor é entrar cansado numa sala de aula e, diante da reação da turma, transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender... Ser professor é importar-se com o outro numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara que necessita de atenção, amor e cuidado. Ser professor é ter a capacidade de "sair de cena, sem sair do espetáculo". Ser professor é apontar caminhos, mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés...
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