quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Bauru recebe exposição internacional do Santo Sudário em parceria com a Diocese


Como publicamos aqui e aqui, a Exposição "Quem é o Home do Sudário?" permanece percorrendo o país.
Agora está na cidade de Bauru:

De 2 de novembro a 1º de dezembro será realizada em Bauru a exposição internacional “Quem é o Homem do Sudário?”, no Piso L1 do Boulevard Shopping Nações, que traz a mostra em parceria com a Universidade Sagrado Coração (USC) e a Diocese de Bauru, dentro da programação cultural de seu Jubileu de Ouro.

Na instalação ficará disponível uma capela, réplica daquela em que Jesus teria realizado a primeira missa, na Santa Ceia. Nesta capela, padres da Diocese irão celebrar missas de segunda a sexta-feira, às 17h. A primeira, no dia 4, será presidida por Dom Caetano Ferrari.

O curador da exposição é o Padre Alexandre Paciolli, um dos consultores do filme “A Paixão de Cristo”, dirigido por Mel Gibson. “A ideia de trazer a mostra para a região de Bauru é apoiar a formação cultura, religiosa e científica do povo. Tenho certeza de que os visitantes terão com uma experiência positiva”, destaca.

A mostra "Quem é o Homem do Sudário" estará aberta ao público de segunda-feira a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 14h às 20h. No feriado de 2 de novembro, o horário é o mesmo definido no sábado. A entrada é gratuita.

Haverá visitas guiadas, que podem ser agendadas pelo telefone (14) 3233-7012. Essa iniciativa terá a participação de estudantes da USC e vocacionados inacianos em formação na Diocese de Bauru.

Ciência, cultura e fé

As experiências científicas e os mistérios envolvendo o manto que teria coberto o corpo de Jesus Cristo após sua morte serão contados em 30 painéis, idênticos aos originais, que estão em Israel. O visitante poderá, por exemplo, saber mais sobre um estudo feito por mais de 40 cientistas comprovando que o Santo Sudário realmente pertenceu à época de Jesus.

Para se aprofundar no tema, o público contará com vídeos e infográficos explicativos, além de réplicas como flagelos, coroa de espinhos e pregos feitos em Israel, assim como os utilizados na crucificação de Jesus. A mostra traz ainda um quadro inédito, que reproduz como seria a mãe do homem do sudário.

Outros destaques da exposição são o holograma em 3D do Santo Sudário, que mede cerca de 2 metros de altura, produzido pelo cientista holandês PetrusSoons; e a estátua em bronze que reproduz as dimensões legítimas do corpo do sudário, feita pelo escultor italiano Luigi Enzo Mattei.

Santo Sudário

O lençol mortuário de Jesus Cristo está guardado na catedral de Turim (Itália), desde o século XIV. Cercado por misteriosas crenças e fonte de estudos científicos, a peça apresenta marcas impressas no tecido, semelhantes ao rosto de Cristo.

A exposição, que reconstitui a trajetória do Homem do Sudário por meio de réplicas de objetos da antiguidade, confeccionados em Israel, reuniu mais de 500 mil pessoas somente no Rio de Janeiro, durante a Jornada Mundial da Juventude, em julho desse ano.

Serviço
Exposição “Quem é o Homem do Sudário?”
De 2 de novembro a 1 de dezembro, das 10h às 22h (segunda a sexta) e das 14h às 20h (domingo)
Local: Área de Expansão – Piso L1, do Boulevard Shopping Nações (Rua Marcondes Salgado, 11-39, Chácara das Flores)
Missas: segunda a sexta, às 17h

Mais informações e agendamento de visitas: (14) 3233-7012


Fonte: Página de Dom Caetano Ferrari no facebook

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Frei Agostinho de Jesus

Frei Agostinho de Jesus

Nossa Senhora da Purificação (século XVII). Obra de Frei Agostinho de Jesus no Museu de Arte Sacra de São Paulo.
Frei Agostinho de Jesus, um dos mais expressivos escultores do Séc. XVII esculpiu, modelou e policromou em terra cota, dezenas de imagens que hoje se fazem presentes na Arte Sacra Brasileira, originária do Estado de São Paulo, e também as famosas "Paulistinhas" esculturas sacras em terracota dos seculos XVIII e XIX, que fora muito presente nas devoções de cultos domésticos dos Paulistanos,da Capital e interior.

Nossa Senhora do Rosário-Sec.XVII Barro cozido e policromado- Frei Agostinho de Jesus
 Frei Agostinho de Jesus (c. 1600-1661) foi um dos primeiros escultores a trabalhar no Brasil.
Possivelmente foi discípulo do frei Agostinho da Piedade, trabalhando em estilo semelhante na produção de estatuária sacra em terracota. A maior parte de suas obras foram criadas para as congregações beneditinas do Rio de Janeiro e São Paulo. Das suas obras reconhecidas estão as estátuas em tamanho natural de São Bento e de Santa Escolástica, preservadas no Mosteiro de São Bento, e uma Nossa Senhora da Purificação, no Museu de Arte Sacra de São Paulo.
Nascido no Rio de Janeiro, passou boa parte de sua vida na cidade de Santana do Parnaíba, região da Grande São Paulo, onde, segundo estudiosos, confeccionou a belíssima imagem de Nossa Senhora da Conceição em terracota, que, encontrada nas águas do Rio Paraíba do sul, região de Guaratinguetá, em meados de outubro do ano de 1717, veio a dar início a uma grande devoção à milagrosa santa "aparecida", mais tarde conhecida como Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil.
Nossa Senhora da Conceição-Sec.XVII Barro cozido e policromado- Frei Agostinho de Jesus

O Brasil sempre nos surpreende. Um país tão rico de cultura, com grande variedade artística, conhece muito pouco sobre sua história e aqueles que construíram esta grande nação. No Século XVIII Nosso país conheceu a arte de um dos mais importantes artistas Brasileiros e o precursores da chamada arte barroca colonial. Trata-se de Frei Agostinho de Jesus. Nascido no Rio de Janeiro em 1600, Agostinho de Jesus foi monge Beneditino e um dos discípulos de um outro Agostinho, o da Piedade. Sabe-se que a maioria de suas obras foi criada para os mosteiros Beneditinos, especialmente os do Rio de Janeiro e São Paulo.
No Mosteiro de São Bento paulistano, encontram-se as mais importantes obras de Agostinho de Jesus. No altar mor da Basílica de Nossa Senhora da Assunção – nome oficial da igreja do Mosteiro – estão as estátuas em tamanho natural de São Bento e de Santa Escolástica.
Assinado no Mosteiro de São Bento de São Paulo, Agostinho de Jesus passou boa parte de sua vida na cidade de Santana do Parnaíba, onde havia um mosteiro, hoje desaparecido.
Os Mosteiros beneditinos sempre foram grandes propagadores da arte e da cultura. Seguindo a mesma tendência, Os mosteiros de São Bento de São Paulo, Santana do Parnaína e Sorocaba também deram sua contribuição às artes. Tais mosteiros se concentraram como grandes difusores da escola artística de barro cozido – arte bandeirante. É aqui que Frei Agostinho de Jesus ganha destaque. Sua influência foi tamanha chegando aos santeiros populares. Acredita-se que sua obra tenha inspirado o trabalho do mestre do barroco brasileiro, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
Ainda hoje, a influência artística de Frei Agostinho de Jesus nos alcança com grande força. Um dos maiores símbolos brasileiros, a imagem milagrosa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, situada na Basílica Nacional em Aparecida do Norte, São Paulo, foi confeccionada por este ilustre beneditino. A catalogação da obra de Agostinho de Jesus se deve a um outro ilustre beneditino, Dom Clemente Maria da Silva Nigra. Com maestria incomparável Dom Clemente reuniu toda obra de nosso artista e a partir de pesquisas minuciosas de estilemas e demais técnicas, atribuiu a imagem de Aparecida a Frei Agostinho de Jesus.
O monge-escultor Agostinho de Jesus morreu em São Paulo em 1661.
frei Agostinho de Jesus - Murilo Sá Toledo (2001) Santana do Parnaíba, São Paulo
Em Santana do Parnaíba, no ano de 2001, houve um reconhecimento singular a este grande religioso-artista brasileiro. Foi inaugurado na cidade um monumento, a estátua de Frei Agostinho de Jesus no seu ofício de escultor. A estátua faz alusão à produção da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Esculpida pelo artista plástico parnaibano Murilo Sá Toledo, a estátua de Frei Agostinho de Jesus e pode ser vista no Largo São Bento – local originário do Mosteiro beneditino onde viveu o escultor.
Ir. João Baptista Barbosa Neto, OSB
Fonte: Wikipédia/  Barroco Brasileiro/ Biblioteca do Mosteiro de São Bento de São Paulo

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Museu de Arte Sacra e Mosteiro da Luz


alt
O Mosteiro da Luz foi construído e fundado em 1774 por Frei Antônio de Sant'Anna Galvão, mais conhecido como Frei Galvão, que foi canonizado pelo Papa Bento XVI durante sua visita ao Brasil em maio de 2007, passando a ser o primeiro santo nascido no País.
Considerada a mais importante construção arquitetônica colonial do século XVIII em São Paulo, sua importância é tanta que já foi declarado “Patrimônio Cultural da Humanidade” pela Unesco.
O prédio também é o lugar de recolhimento das Irmãs Concepcionistas que ainda hoje dedicam seus dias à oração e ao trabalho e vivem em clausura. São elas as responsáveis por confeccionar as famosas pílulas milagrosas do Frei Galvão. O “santo remédio” é distribuído das 9h às 17h na igreja arquitetada e construída com ajuda do próprio frei. Missas são celebradas todos os dias (veja os horários abaixo).
Lá também está localizado o Museu de Arte Sacra de São Paulo, onde fica um dos mais representativos acervos do patrimônio sacro brasileiro. Foi Dom Duarte Leopoldo, o primeiro arcebispo de São Paulo, que no início do século XX reuniu e organizou as obras que mais tarde deram origem ao museu.
Quem entra no prédio, localizado no centro da cidade, próximo à estação da Luz e em frente à Pinacoteca, logo é tomado pela atmosfera espiritual do lugar. O silêncio só é quebrado pela voz dos monitores que explicam sobre as 800 peças em exposição, entre as quatro mil vindas das principais igrejas e das mais peculiares capelas do Estado de São Paulo e do Brasil.
As relíquias da arte barroca, que datam do século XVI até os dias atuais, são pratarias e ourivesaria religiosas, pintura, mobiliário, retábulos, altares, vestimentas sacras e livros litúrgicos raros. A coleção de lampadários só é menor que a dos Museus Vaticanos e também há uma rica coleção de ícones russos.
Além da beleza e do mistério que envolve cada peça, pois os autores buscavam principalmente o culto do divino, o lugar ensina muito sobre a história do catolicismo no País. Antonio Francisco Lisboa, o "Aleijadinho" (1730-1814), deixou sua marca por lá. Frei Agostinho da Piedade (1580-1661), Frei Agostinho de Jesus (1600 ou 1610-1661), Manuel da Costa Athayde (1762-1830) e Padre Jesuíno do Monte Carmelo (1764-1819), entre tantos outros artistas, também têm seu espaço no conjunto. Há ainda telas de Benedito Calixto e Anita Malfatti.
Outros dois acervos importantes ficam expostos no local. O esplêndido Museu dos Presépios é uma atração à parte, pois abriga 190 singulares conjuntos presepistas, originários de diversos países e regiões do Brasil e produzidos em técnicas diferenciadas. Ele mostra desde o extenso Presépio Napolitano, com 1,5 mil peças, até uma das últimas montagens do tipo. Outro destaque é a Coleção de Numismática composta por nove mil peças, entre elas moedas do período colonial e medalhas pontifícias.
Serviço:
Mosteiro da Luz 
Avenida Tiradentes, 676 - Luz (Metrô São Bento)
Tel.: (11) 3311-8745
Horário: 8h30 às 11h e 14h30 às 16h30. Missas: segunda a sexta, às 7h; sábado, às 8h e às 16h; e domingo, às 8h, 10h30 e 16h
Museu de Arte Sacra de São PauloAvenida Tiradentes, 676 - Luz (Metrô Tiradentes)
Tel.: (11) 3326-1373 / 3326-5393 / 3326-3336
E-mail: mas@museuartesacra.org.br 
Site: www.museuartesacra.org.br 
Horário: Terça a domingo, das 11h às 19h
Preço: R$ 4 (inteira) e R$ 2 para estudantes. Grátis para idosos e crianças de até sete anos

Mosteiro da Luz - vista aérea

Mosteiro da Luz em 1860

Mosteiro da Luz - fachada atual
 

Restauração revela obras de arte nas paredes das igrejas em Itu (SP)

Arquitetos e historiadores foram surpreendidos durante obras de reparo. Templos agora ganham motivo a mais para atrair visitantes.

Durante a restauração das igrejas, novas pinturas estão sendo descobertas.(Foto: Reprodução/TV TEM)
Durante a restauração das igrejas, novas pinturas estão sendo descobertas.(Foto: Reprodução/TV TEM)
Arquitetos e historiadores foram surpreendidos ao restaurar igrejas em Itu (SP). Durante as obras, pinturas que não eram conhecidas surgiram nas paredes centenárias. Com isso, se antes as duas igrejas já representavam o que há de mais valioso no Barroco Paulista, agora ganham  um motivo a mais para atrair os visitantes.
Mas para resgatar essas verdadeiras obras de arte, outra obra precisa começar primeiro. A tradicional, com andaimes e pedreiros. “Para conseguir restaurar o que existe de artístico, precisa proteger primeiro esse acervo e é isso o que estamos fazendo: para restauração da pintura, primeiro tem que restaurar o edifício”, explica o arquiteto-restaurador das igrejas históricas de Itu, Alberto Magno de Arruda.
Na igreja de Bom Jesus, altar-mor, todo em mármore, destaca-se a realeza do Sagrado Coração de Jesus. A igreja foi erguida no local onde ficava a capela primitiva de Itu, no século XVII. Em 1765, por estar ruindo, precisou ser reedificada e até hoje conserva as linhas originais. Desde o início do século, o local passa por reformas estruturais: primeiro o muro lateral que ameaçava cair e, agora, o telhado foi tomado por infiltração. Além disso, o teto da igreja também precisou receber reforço.
Na medida em que a obra avança, algumas surpresas aparecem. Em um das paredes da igreja, os restauradores encontraram indícios de que uma obra de arte poderá ser descoberta. “A pintura original ainda está lá. Atrás dessa pintura dos anos 1950, tem uma pintura do início do século XX, que está encobrindo a original, do século XVIII”, conta o arquiteto-restaurador.
Mas restaurar patrimônios não é nada barato. É preciso contar com a ajuda de muita gente, segundo o padre Francisco Carlos Rossi. “99% é totalmente da comunidade, da igreja que desenvolve esse trabalho. Campanhas, festas italianas, sorteios, promoções e a doação do povo de Deus mesmo”.
No coração da cidade de Itu, está a imponência da igreja matriz. A igreja Nossa Senhora da Candelária foi construída em 1780 e está em reforma há 13 anos. Suas paredes também guardam tesouros da obra de arte. Os painéis são de autoria do padre Jesuíno do Monte Carmelo e mostram momentos da vida de Jesus.
Foi só começar a tirar a tinta e mais surpresas surgiram. Pintura sobre pintura: o que está escondido também pode ser do mesmo artista. “É um conjunto, ele tem um fala litúrgica única, vai revelando uma a uma, descrevendo as cenas do antigo testamento”, explica Arruda.
O que vai se revelar durante a reforma é um mistério, explica o restaurador. Patrimônio construído há tanto tempo e que tem justamente na idade avançada o elemento mais rico e valioso: tudo é acessível para quem quiser ver.
“O ituano não só gosta. Ele participa dos projetos de restauração, contribui da forma que pode, vive essa história, mas também elas estão abertas a visitação de escolas, dos turistas. Formando assim um ciclo de transmissão desse conhecimento e de preservação dessa memória”, conta a secretária municipal de Turismo de Itu, Allie Marie de Queiroz.

domingo, 27 de outubro de 2013

Cristo morto de Mariano Benlliure para Crevillent (Alicante)

Artigo de Sergio Lledó Mas (05/09/2013)
 


 
 
 A iconografia de Jesus deitado no Sepulcro é um dos mais recorrentes no imaginário espanhol, existentes em nosso país grandes obras de arte que retratam este título. Artistas clássicos do porte de Gregorio Fernández, Juan de Juni ou Gaspar Becerra, e o próprio Mariano Benlliure, durante o século passado, fizeram esculturas retratando Jesus morto no sudário.

Sem dúvida, uma das representações da Paixão de Jesus que o prestigiado escultor valenciano cultivou com mais êxito foi o tema da deposição de Cristo, especificamente, Mariano Benlliure fez três criações sob essa invocação com poucas variações entre eles: uma para o município de Hellin, uma para a cidade valenciana de Ontinyent (Onteniente), e o último para Crevillent (Alicante).



 

 
 

A imagem que ocupa o nosso estudo é a de Crevillent, concebido para ser vista pelo espectador frontalmente. Ele tem a cabeça e do corpo que descansa sobre a blindagem a partir da parte dianteira, e os braços estendidos sobre a cama, separados a partir do tronco, formando uma figura completamente simétrica.

O Cristo deitado de Crevillent, obra talhada por Benlliure em 1946, e é considerado uma das obras-primas do escultor levantino. Representa o momento em que Cristo, crucificado e levado para o túmulo está em posição deitada sobre um lençol. Falamos, portanto, de uma estátua de Cristo, morto e retirado da cruz, coberto apenas com "pano da pureza".

Benlliure realiza uma imagem totalmente contrária ao conceito do barroco espanhol: um Cristo morto, sem enfatizar feridas visíveis ou ao rigor mortis. O escultor valenciano com grande realismo mostra uma simulação da divindade que apenas exibe sinais de dor de sofrimento, um corpo nu, equilibrado e sereno deitado em uma mortalha branca, em que destaca as dobras delicadas.

Ao mesmo tempo, Benlliure, um especialista sobre a funcionalidade devocional e procissional dessas obras, oferece muitos detalhes pungentes fiéis de grande impacto dramático, como sua cabeça caiu para o lado esquerdo e os olhos e a boca semi-aberta, com o dentes à mostra; representa neste caso da morte violenta de Jesus. Em seu rosto olhar escorre finas de sangue causado pela coroa de espinhos.


 
 

Existem várias histórias sobre a "Deposição de Cristo" de Crevillent, a mais famosa é que o próprio Benlliure professava uma grande devoção a ele, situado numa localização central em seu estudio-casa em Madrid Rua Abascal, a tal ponto que todas as manhãs, ao levantar, colocava um buquê de rosas aos pés da imagem, e coletá-los ao final do dia para o colocar em sua mesa de cabeceira.

Outra história diz que, para modelar essa imagem, o escultor realizada em várias visitas em Madri para um hospital de tuberculosos, tomando como modelo alguns pacientes da temida doença infecciosa, cujos sintomas, tais como características magros ou perda de peso, refletida na figura reclinada (deitada).

Como mencionado acima, este magnífico Benlliure "Deposição de Cristo" é a imagem da procissão e participar toda Sexta-feira Santa à noite na famosa Procissão do Cristo Morto da Semana Santa crevillentina. Ao longo do ano, é preservada no Museu da Semana Santa de Crevillent.

 
 

Nota: Sergio Lledó Mas é diretor do Museu da Semana Santa de Crevillent (Alicante).


Arquivo de fotografias do Museu da Semana Santa de Crevillent (Alicante)  

 Texto original em espanhol: La Hornacina

 

Curso de Extensão Universitária Intesivo em Conservação e Restauro


sábado, 26 de outubro de 2013

Homilia de Dom Geraldo Lyrio Rocha por ocasião do tricentenário do início da construção da Catedral de Mariana


IMG_0053m
Homilia de Dom Geraldo Lyrio Rocha, por ocasião da celebração do tricentenário do início da construção da Catedral Basílica de Mariana, aos 24 de outubro de 2013:

A Arquidiocese de Mariana rejubila-se com a celebração do tricentenário do início da construção desta Catedral, a primeira do Estado de Minas Gerais e do interior do Brasil, e a única que conserva os traços originais do período colonial.

Há trezentos anos, iniciou-se a construção deste templo, como nova igreja matriz da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, que havia sido criada em 1704, pelo Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei Francisco de São Jerônimo. Como sabemos, iniciou-se na costa a colonização portuguesa das terras brasileiras. Assim, as primeiras dioceses se encontram no litoral: São Salvador da Bahia, São Sebastião do Rio de Janeiro, Olinda, São Luís do Maranhão e Belém do Pará.

Em 1745, pela Bula Candor lucis aeternae, o Papa Bento XIV criou a Diocese de Mariana, desmembrada do Rio de Janeiro, e a igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição foi elevada à categoria de Catedral com o título de Nossa Senhora da Assunção.

Dizem os historiadores que a mudança do título se deve a um voto do Rei de Portugal quando, em 1385, o reino português encontrava-se ameaçado pelo reino de Castela. A razão era a sucessão ao trono de Portugal, ambicionado pelo Rei de Castela que, através das complicadas linhas dinásticas, era um dos pretendentes. Os portugueses, comandados por aquele que seria D. João I, resistiram às pretensões de Castela. O momento decisivo da disputa se deu na manhã de 14 de agosto de 1385. Foi a célebre batalha de Aljubarrota onde os portugueses, com um exército visivelmente inferior, venceram as armas de Castela, na véspera da festa da Assunção de Maria. Os lusitanos tomaram essa vitória como um verdadeiro milagre e o atribuíram a Nossa Senhora da Assunção.

Segundo Augusto de Lima Júnior, “para agradecer à Senhora, os benefícios e a salvação de Portugal nesse momento de tantos perigos, Dom João I determinou que de então em diante, todas as catedrais do Reino fossem consagradas a Nossa Senhora da Assunção” (LIMA JÚNIOR, Augusto de. História de Nossa Senhora em Minas Gerais. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1965, p. 105). Ao que tudo indica, D. João V, em 1745, fez cumprir esse voto em Mariana e São Paulo, as duas dioceses criadas pela mesma bula pontifícia.
Este evento que hoje celebramos é carregado de significação: Mariana é a primeira vila, primeira cidade, primeira capital e primeira diocese de Minas. Aqui nasceu Minas Gerais.

Com sua peculiar erudição e inconfundível estilo, diz-nos Mons. Flávio Carneiro Rodrigues, Diretor do Arquivo Eclesiástico de Mariana: “O território coberto pela diocese primaz de Minas, que compreendia a região mineira então habitada (centro e sudeste), aproximadamente um quinto do Estado, hoje repartido entre sete províncias eclesiásticas, se subdividiu numa radiosa constelação de bispados: Diamantina, Pouso Alegre, Campanha, Juiz de Fora, Belo Horizonte, Caratinga, Luz, Leopoldina, São João del Rei e Itabira-Fabriciano. A sua Catedral tornou-se assim a mãe dadivosa de tantas outras Catedrais”.

E prossegue Mons. Flávio: “De Mariana, irradiou-se para todos os horizontes mineiros o facho sagrado do Evangelho que civilizou, educou e engrandeceu a gente mineira. Em Mariana, se ergueram sólidos os umbrais da Religião Católica para os montanheses. Assumindo a sua história, nossa Arquidiocese quer guardar ciosamente o precioso legado que recebeu de seus ancestrais na fé” (CARNEIRO RODRIGUES, Flávio – Guia Geral da Arquidiocese de Mariana, Ed. Dom Viçoso, Mariana, 2008, p. 20).

Louvamos e bendizemos a Deus pelos bispos, presbíteros, religiosos e religiosas, leigos e leigas que nos precederam na fé e escreveram as belas páginas desta rica história tricentenária. Doze bispos me antecederam na Cátedra Marianense, formando uma esplendorosa coroa que fulgura no firmamento desta Igreja particular. Entre as mais brilhantes estrelas destacam-se especialmente: O primeiro Bispo Dom Frei Manoel da Cruz que aqui chegou, vindo de São Luís do Maranhão, depois de uma homérica viagem de 4.000 quilômetros, pelo interior brasileiro, que durou quatorze meses. Foi um apóstolo intrépido e entre os seus feitos destaca-se a fundação do seminário de Mariana em 1750. Marcante foi a presença e atuação do Servo de Deus Dom Antônio Ferreira Viçoso, cujo processo de beatificação se encontra em Roma, depois de concluída a fase diocesana. Missionário, educador da juventude, defensor dos direitos da Igreja, protetor dos escravos e dos pobres, Dom Viçoso empenhando-se heroicamente pela exaltação da Igreja e dignidade do Clero. 

O primeiro Arcebispo de Mariana foi o grande Dom Silvério Gomes Pimenta, negro, sábio e santo. Foi padre Conciliar no Vaticano I, a quem coube saudar o Papa Beato Pio IX, em nome do Episcopado da América Latina. Participou também do Concílio Plenário Latino Americano e foi brilhante membro da Academia Brasileira de Letras. Como estrela de primeira grandeza, nessa luminosa constelação, reluz com extraordinário brilho meu querido e saudoso predecessor Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, Irmão do outro, Doctor amoris causa, Homem de Deus, Servidor da Igreja, Profeta da esperança, Amigo dos pobres, Defensor da vida, da justiça e da dignidade humana. Homem de inteligência prodigiosa, memória privilegiada, mas sobretudo de extraordinárias virtudes, especialmente na vivência da caridade e no serviço aos pobres. Aguarda-se o nihil obstat da Congregação para a Causa dos Santos a fim de que possa ser iniciado seu processo de beatificação.

Na celebração deste auspicioso evento, queremos reafirmar nossa obediência ao Papa Francisco, legítimo Sucessor de Pedro a quem disse o Senhor “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 18-19), conforme ouvimos no evangelho proclamado.

O Senhor nos ajude, com a força de sua graça, para que, diante das interpelações dos tempos atuais, possamos proclamar com os lábios, o coração e a vida que Jesus é “o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16, 16).

A comemoração dos trezentos anos do início da construção desta Catedral, nos leva a recordar que, para nós cristãos, o templo é ícone do santuário espiritual que é a Igreja. Pela graça do Batismo, nós fomos “integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal, para nos tornarmos morada de Deus pelo Espírito” (cf. Ef 2,20.22).

Por intercessão de Nossa Senhora da Assunção, titular desta Catedral Basílica e, juntamente com seu esposo São José, Padroeira da Arquidiocese de Mariana, o Senhor nos conceda a graça de vivermos o que nos diz o Apóstolo Pedro na primeira leitura há pouco proclamada: “Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formais um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pd 2, 4-5), como nos disse a Primeira carta de Pedro que ouvimos.
 
AMÉM!

25 outubro, 2013
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...