sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Semana acadêmica integrada dos cursos de Museologia e de Conservação e Restauro da UFPEL



O PET Conservação e Restauro (PET-C&R) e o Diretório Acadêmico de Museologia (DAMU), ambos da Universidade Federal de Pelotas, promovem a 1° Semana Acadêmica Integrada dos Cursos de Museologia e Conservação e Restauro, que acontecerá entre os dias 21 e 25 de novembro de 2011.

Dentre as atividades propostas estão Palestra, Mesas Redondas, Minicursos, Oficinas e Comunicações em Sessões Temáticas.
As inscrições para comunicações estão abertas!!!
Maiores informações no site: http://sai-2011.blogspot.com/
E-mail para contato: semanaacademicaintegrada.2011@gmail.com

Pós Graduação em História da Arte Sacra na Faculdade São Bento - RJ

PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU > HISTÓRIA DA ARTE SACRA

SÁBADOS, DAS 8H ÀS 16H30 


OBJETIVOS

Criar um espaço de ensino e de pesquisa relativo à arte e à arquitetura religiosas brasileiras e estrangeiras, promovendo o crescimento intelectual da população interessada por temas voltados tanto à Igreja, como também às artes visuais e à arquitetura.

Concorrer no imprescindível esforço de se adensar criticamente a bibliografia existente sobre a arte religiosa, tanto brasileira quanto estrangeira.


JUSTIFICATIVA 


Não existe, em todo ambiente acadêmico brasileiro, uma pós-graduação em História da Arte Sacra destinada ao ensino e à produção do conhecimento sobre a arquitetura e a arte religiosas brasileiras, não apenas voltada ao período colonial, mas também à fase monárquica e ainda ao final do século XIX. Trata-se de uma área de enorme potencial, havendo já organizações voltadas ao estudo da arte colonial do país, com encontros anuais e discussões amadurecidas nesta área.
Apenas o IPHAN, criado em 1936, mas funcionando efetivamente a partir do ano seguinte, com a criação do Decreto-lei n. 25, de 30 de novembro de 1937, é que tem reservado algum espaço de interesse sistemático para a arte e a arquitetura sacras brasileiras.
Mas muito ainda há por ser feito, inclusive no campo da preservação. Os estudos sobre a arte sacra brasileira e estrangeira apenas engatinham. A necessidade de preservação do patrimônio cultural religioso brasileiro tem sido assinalada pela necessidade propedêutica e imperiosa de se conhecer esse patrimônio religioso.


PÚBLICO-ALVO

Os cursos de pós-graduação lato sensu estão abertos a todos os portadores de diploma de curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação.


HORÁRIO
Sábados, das 8h às 16h30
 1ª disciplina 2ª disciplina 3ª disciplina
 das 8h às 10h30 das 10h40 às 13h10 das 14h às 16h30


PERÍODO
O curso tem duração de 1 ano (360 h/a), excluindo o período de elaboração da monografia.

MÓDULO FEVEREIRO-JULHO - de 12 de fevereiro de 2012 a 14 de julho de 2012
MÓDULO JULHO-DEZEMBRO - de 21 de julho de 2012 a 22 de dezembro de 2012


VAGAS

O curso será ministrado somente com um número mínimo de 30 alunos.


CRITÉRIOS PARA CONCESSÃO DO TÍTULO

O aluno deverá cumprir a frequência de, no mínimo, 75% da carga horária total de cada disciplina. O aproveitamento será aferido em processo de avaliação em que se obtenha um mínimo de 60% em cada disciplina. Para conclusão do curso, além de cumprir o que dispõe o regimento, o aluno deverá apresentar uma monografia de acordo com a área do curso pretendido.


INVESTIMENTO

Taxa única de inscrição: R$ 60,00
18 parcelas de R$ 240,00 (mensalidade com vencimento no dia 5 de cada mês)


INÍCIO DAS AULAS DO PRÓXIMO MÓDULO
12 de fevereiro de 2012, sábado, às 8 horas


INSCRIÇÕES ABERTAS 

Taxa de inscrição R$ 60,00

A inscrição deverá ser realizada na secretaria da Faculdade mediante preenchimento da ficha de inscrição e apresentação da documentação. O boleto bancário para pagamento da taxa de inscrição será encaminhado pelo correio para o endereço indicado pelo candidato.
 


DOCUMENTAÇÃO

• cópia do diploma do curso superior
• curriculum vitae
• cópia do histórico escolar
• cópia do documento de identidade
• cópia do CPF
• duas fotos 3 X 4
• certidão de nascimento ou casamento
• título de eleitor
• comprovante de residência
• ficha de inscrição - preenchida na secretaria da Faculdade

As inscrições apenas serão aceitas mediante apresentação da documentação (original e cópia)


ADMISSÃO E ENTREVISTA

O processo de seleção consiste numa entrevista com o coordenador do curso e numa análise do curriculum vitae de cada candidato. A entrevista visa esclarecer dúvidas eventuais, além de apresentar a instituição ao futuro aluno.

A Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro entrará em contato com os candidatos que fizerem a pré-inscrição on line para agendar a data da entrevista. Para inscrições presenciais, a data da entrevista deverá ser agendada na secretaria da Faculdade no momento da inscrição.

No dia agendado, o candidato deverá dirigir-se à secretaria da faculdade, no 6º andar, meia hora antes do horário marcado para a entrevista. Na ocasião, deverá entregar a documentação solicitada e preencher a ficha de inscrição. Após este procedimento, o candidato será encaminhado para a entrevista.


DATAS DISPONÍVEIS PARA A ENTREVISTA

9 de dezembro de 2011, sexta-feira, das 16h às 19h30
10 de dezembro de 2011, sábado, das 9h às 11h30 e das 13h às 14h30
12 de dezembro de 2011, segunda-feira, das 12h às 12h30 e das 14h às 17h30
13 de dezembro de 2011, terça-feira, das 18h30 às 19h30
14 de dezembro de 2011, quarta-feira, das 10h às 11h e das 12h30 às 17h30
16 de dezembro de 2011, sexta-feira, das 16h às 19h30
19 de dezembro de 2011, segunda-feira, das 12h às 12h30 e das 14h às 17h30
20 de dezembro de 2011, terça-feira, das 18h30 às 19h30
21 de dezembro de 2011, quarta-feira, das 10h às 11h e das 12h30 às 17h30
26 de dezembro de 2011, segunda-feira, das 12h às 12h30 e das 14h às 17h30
27 de dezembro de 2011, terça-feira, das 18h30 às 19h30
28 de dezembro de 2011, quarta-feira, das 10h às 11h e das 12h30 às 17h30

OBS: A Faculdade de São Bento entrará em contato por telefone para agendar o horário da entrevista em um dos dias especificados acima. Para inscrições presenciais, os horários deverão ser agendados na secretaria da faculdade no momento da inscrição.


ORGANIZAÇÃO CURRICULAR

O curso tem duração 1 ano, com carga horária de 360 horas/aula, divididas em dois módulos. Após concluídas as aulas presencias, cujas disciplinas seguem abaixo, o aluno terá mais seis meses para a elaboração da monografia.


MÓDULO FEVEREIRO-JULHO

História da Arte Sacra - Do Renascimento ao Séc. XIX
Liturgia e Espaço Sagrado
História da Música Sacra
Patrimônio e Conservação
Imaginária Devocional
Seminários Especiais
Metodologia da pesquisa


MÓDULO JULHO-DEZEMBRO

História da Arte Sacra - do Cristianismo Clássico ao final da Idade Média
Teoria e Metodologia da Arte Sacra
Iconografia Cristã
História da Igreja
Arquitetura Religiosa no Brasil - Revestimentos Ornamentais: Talha, Pintura e Azulejaria
Arquitetura Religiosa no Brasil - Estilos e Programas Arquitetônicos
Metodologia da pesquisa


MONOGRAFIA

Para obter o Certificado de Especialização, o aluno do curso de pós-graduação lato sensu, após concluir as aulas presenciais, terá um prazo de seis meses para a conclusão do trabalho monográfico. Na aula de Metodologia da Pesquisa receberá um manual com orientações formais acerca do projeto e da monografia. A monografia que obtiver grau de excelência ficará disponível para consulta na biblioteca da Faculdade.


SUPERVISÃO DO CURSO

Marcus Tadeu Daniel Ribeiro - Historiador da Arte e Doutor em História Social
E-mail da coordenação: marcustadeudaniel@gmail.com


CORPO DOCENTE

Ana Carmen Amorim Jara Casco - Doutora em Antropologia Social
Cesar Augusto Tovar Silva - Mestre em História Social da Cultura
Cyro Illidio Corrêa de Oliveira Lyra - Doutor em História da Arte
Lucia Cavalcante Reis Arruda - Doutora em Filosofia
Marcus Tadeu Daniel Ribeiro - Historiador da Arte e Doutor em História Social
Maria Clara da Silva Machado - Doutora em Teologia Bíblica
Marli Assis Martins - Especialista em Docência do Ensino Superior
D. Mauro Maia Fragoso, OSB - Mestre em História da Arte
Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira - Historiadora. Doutora em Arqueologia e História da Arte
Ricardo Wilson Duarte da Rocha - Maestro. Pós-graduado na Escola Superior de Música da Universidade de Karlsruhe, Alemanha






quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Arte dos Primeiros Crstãos

As catacumbas testemunho da fé dos primeiros cristãos
por Ernesto Arosio


Catacumba de São Calixto - Roma - galeria com os loculos, pequenos locais destinados ao sepultamento individual


As catacumbas são antigos cemitérios subterrâneos, utilizados durante os tempos do Império romano, entre o segundo e o quinto século da Era Cristã. Foram também encontradas catacumbas em Nápoles, na Sicília e até no norte da África, mas as mais conhecidas se localizam em Roma, surgidas em conseqüência de um Edito Imperial que proibia o sepultamento dos mortos dentro do perímetro urbano.

Em vista de tal proibição, os cidadãos romanos e, mais tarde os cristãos, construíram seus cemitérios ao longo das grandes estradas, chamadas consulares, fora dos muros da cidade. Os cristãos preferiam sepultar seus mortos nas galerias subterrâneas das catacumbas. Eis as maiores: catacumba de São Sebastião, de Priscila, de São Calixto, de Domitila, de São Pancracio, de São Lorenzo e de Santa Inês.

Algumas denominações se referiam ao nome do mártir aí sepultado; outras, designavam a área geográfica; outras, ainda, recebiam o nome do proprietário do referido terreno. As catacumbas eram lugares onde os primeiros cristãos celebravam, ocasionalmente, a Eucaristia, mas não consta que foram usadas normalmente de esconderijos em vista das perseguições. Excepcionalmente, transformavam-se em refúgios temporários, já que seus inúmeros túneis sinuosos formavam um verdadeiro labirinto.

Elas chegavam a ter, às vezes, dezenas de quilômetros em diversos pisos subterrâneos, como a de Domitila, com a extensão de 15 quilômetros. Algumas estão abertas aos visitantes; outras, em reparos, devido aos desmoronamentos das galerias durante os vinte séculos de existência. Tais cemitérios subterrâneos, saqueados e violados durante e após as invasões bárbaras e pelos devotos em busca de relíquias dos mártires, foram em seguida abandonados. De alguns, perdeu-se até a localização. Vários foram redescobertos e estudados a partir de 1600 e, uma vez examinados com minúcia, tornaram-se concorridos locais de visitação pública e piedoso recinto de veneração.


                                                       Peixe eucarístico na catacumba de São Calixto - Roma


As catacumbas: relíquia de mártires cristãos

As catacumbas são de extrema importância porque nos revelam, desde os primeiros decênios do cristianismo, qual era a crença dos cristãos após a morte, que era chamada “dies natalis”, dia do nascimento. Os loculos formavam uma espécie de dormitório, chamado “cemitério” ou “lugar do repouso”. Além dos loculos, as catacumbas continham os cubículos, pequenas salas que abrigavam vários nichos, muitas delas com afrescos ou mosaicos, e as criptas, salas maiores, com a função de pequenas igrejas subterrâneas. As criptas eram mais solenes e embelezadas com um altar, pinturas e mosaicos. Em geral, eram preparadas para receber o cadáver de um mártir ilustre. As catacumbas são formadas por longos túneis, em cujas paredes foram cavados os loculos, ou nichos retangulares, superpostos, suficientemente espaçosos para abrigar um ou mais cadáveres, envolvidos em mortalha ou num simples lençol. Não se usavam caixões. 


Bom Pastor na cripta de Lucina na catacumba de São Calixto

Os loculos eram fechados com argamassa, tijolos ou com uma placa de mármore, onde se escrevia o nome do falecido. Alguns ostentavam grafites simbólicos com votos de paz na eternidade. Os cristãos, como demonstram as inscrições das lápides, sempre acreditaram na ressurreição dos mortos. Sepultando seus mortos, repudiavam a cremação dos cadáveres, um procedimento comum na Roma Imperial.
A escavação dos túneis era feita à mão por associações de trabalhadores chamados fossores. A terra, retirada através de poços que chegavam à superfície, também servia para arear as galerias. Os símbolos eram sinais ou a descrição gráfica de um tema espiritual, entendido somente pelos cristãos. Entre muitos, desenhados, grafitados ou pintados, foram encontrados: o desenho do Orante, uma pessoa com braços abertos em sinal de oração; a figura do bom Pastor, com sua ovelha no ombro simbolizando o Cristo; uma pomba, símbolo da alma e da paz divina; as letras gregas Alfa e Ômega, significando que Cristo é o começo e o fim da criação; o peixe, cujas letras gregas significam “Cristo, Filho de Deus, Salvador”,... e outros mais.


Nossa Senhora e o menino e o profeta Balaam na catacumba de Priscila

As pinturas celebram fatos da Bíblia. Na catacumba de Priscila há uma pintura de Maria com o Menino no colo; supostamente o primeiro registro iconográfico da Mãe de Jesus. Lá também se encontram: a adoração dos magos, a barca de Pedro, a celebração da Eucaristia, alguns milagres de Cristo e outros desenhos. Eles são as mais antigas representações dos evangelhos, desenhados de maneira singela, facilmente compreensível para os primeiros cristãos, muitos dos quais eram analfabetos e impedidos de entender as Sagradas Escrituras. Tais cemitérios são os documentos e arquivos da Igreja primitiva e, por isso, eles têm extraordinária importância como demonstração de que o núcleo da nossa fé – na Igreja de hoje – é o mesmo dos primeiros cristãos que pagaram até com o martírio a sua entrega a Cristo.

 Nossa Senhora e o menino na catacumba de Comodila



Cripta dos papas na catacumba de São Calixto


Outras Imagens:

Adão e Eva - Catacumbas dos Santos Marcelino e Pedro

 Batismo - Catacumba de São Calixto

 A Fornalha Ardente - Catacumba de Priscilla

 São Paulo

Virgem e o Menino

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Arte nos Cemitérios

Quando visitamos um cemitério, rezamos pelos nossos entes queridos, pelas suas almas e demais almas do purgatório. Porém já falamos sobre a Comemoração do dia dos fiéis defuntos na postagem anterior, agora vamos mostrar algumas fotos de esculturas artísticas em vários cemitérios ao redor do mundo, porém a maioria das obras está localizada nos túmulos do Cemitério Monumental de Staglieno em Genova - Itália.




















 Imagens: http://www.google.com.br/search?q=Staglieno&biw=1280&bih=856&sei=%20mMCxTuaDEYqIgwfvg4TZAQ&tbm=isch

Comemoração do Fiéis Defuntos


Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, a Igreja reza pelos cristãos que morreram na amizade com Deus. 
É um momento de profunda oração pelas almas do purgatório. 

Para se entender bem a questão, temos que relembrar algumas verdades:
- Constituição do homem em duas naturezas;
- Realidade da morte;
- Juízo particular;
- Inferno, Purgatório e Céu;
- Aqueles por quem rezamos.

I. CONSTITUIÇÃO DO HOMEM EM DUAS NATUREZAS

É simples compreender que o ser humano é constituído de duas naturezas. Uma delas, a física, material (o corpo), não precisa de demonstração. A ela estão ligados os fatos ou fenômenos fisiológicos. É uma realidade palpável e inquestionável.
Já os fenômenos que não estão restritos ao físico, como é o pensamento, as recordações, o raciocínio, os quais chamamos de psicológicos nos forçam admitir um segundo princípio no homem - é aquilo que chamamos de alma.
A nossa consciência percebe um princípio pelo qual nos temos como a mesma pessoa, idêntica, desde nossa primeira recordação até o momento presente, por mais que o corpo tenha se desenvolvido, se ferido, se renovado em suas células e tecidos, recebido sangue ou órgãos alheios, perdido membros, em poucas palavras, mudado completamente. Este princípio que constitui nossa identidade pessoal é aquele mesmo que chamamos de alma.
Por não depender ou estar restrita ao físico, dizemos que a alma é espiritual, ao contrário do corpo que é material.
A fé católica professa a dicotomia (corpo e alma) e não a tricotomia (corpo, alma e espírito). Clássicas três faculdades do homem, como sejam vontade, entendimento e memória (ousensibilidade, noutros pensadores) são todas compreensíveis como faculdades de um só princípio ou substância, aquele espiritual: a alma. Fora isso, as faculdades e sentidos do homem são os que dependem do seu corpo como, por exemplo, os cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato).
Alguns relatos das Escrituras mostram essa divisão:
"Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água". (Sl 62,2)
"Meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo". (Sl 83,3b)
"Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena". (Mt 10,28)
"Aquela que não é casada cuida das coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito". (1Cor 7,34b)
"Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta". (Tg 2,26)

II. REALIDADE DA MORTE

A morte é para nós a interrupção da atividade vital corporal. Podemos rapidamente pensar em coisas como parada cardíaca, perca total de sangue, parada respiratória, parada cerebral, etc. Há pessoas que relatam ter passado por experiências de quase morte, ou seja, sofreram algo que em condições normais constituiria a morte de qualquer outra pessoa, mas recobraram logo depois a atividade vital corporal.
Diríamos que aquilo que conhecemos por morte é a interrupção ou término da atividade vital corporal, de um modo irrecuperável. A partir daí, dá-se a decomposição da matéria.
Sendo a alma imaterial, ou seja, espiritual, não sofre decomposição, nem de átomos, células, tecidos ou órgãos, ou seja, não sofre a morte do corpo. Interessante também é que temos capacidade de provocar nossa morte corporal, mas ninguém é capaz de causar a extinção de sua própria alma.
A imortalidade da alma também é uma exigência da justiça divina (não podemos entrar agora no assunto dos atributos de Deus, pode ficar para outra postagem). Ora, na vida vemos pessoas boas serem humilhadas, esquecidas e morrerem sob muitos tormentos enquanto pessoas más recebem louvores, homenagens, morrem cercadas de toda espécie de bens e honrarias. Se Deus é justo e "cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (Rm 14,12), um princípio nosso subsistirá para isso: a alma, que é imortal.

III. JUÍZO PARTICULAR

Depois de dar o assentimento à existência de Deus e a seus atributos, bem como à criação do homem, sua dupla constituição e a realidade da morte, chegamos inevitavelmente ao que chamamos de juízo particular, dado que Deus é justo e que os homens darão conta de seus pensamentos, palavras e obras. A Escritura diz: "está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo" (Hb 9,27), pelo que se conhece um juízo imediato à morte e a inconciliabilidade da crença na reencarnação com a doutrina cristã.
A justa retribuição, imediata ao juízo, está manifesta, por exemplo, na parábola que conta a história de um rico opulento e de um pobre Lázaro (Lc 16,19-31).


IV. INFERNO, PURGATÓRIO E CÉU

Todo juízo resulta numa sentença. Ao falarmos do homem e do que lhe acontece após a morte, falamos de retribuição, que acontece segundo as obras.
Aqui não acontece ainda a ressurreição da carne, pela qual a alma do homem se reunirá ao seu corpo, ainda que tenha sido cremado, despedaçado ou perdido, pois para Deus que o criou, nada é difícil ou impossível (noutra postagem podemos falar sobre a necessidade racional da ressurreição dos corpos).
Pois bem, vindo o juízo [particular] após a morte, depois deste vem a retribuição.
Os que tiverem morrido na amizade com Deus (em sua graça) e não necessitando de mais purificação pelas penas dos pecados, entrarão no céu.
Os que tiverem morrido na amizade com Deus, mas ainda carregando penas devidas pelos pecados já perdoados, passarão por uma purificação ou purgatório até que estejam nas disposições para gozar eternamente da Glória de Deus.
Os que não tiverem morrido na amizade com Deus, ou seja, sobretudo com pecados graves e dos quais não se manifesta um mínimo de arrependimento, entrarão no inferno. São os réprobos (=reprovados).
O Céu (glória, vida eterna, Reino de Deus, paraíso, bem-aventurança) é onde estão as almas aprovadas. Esta glória existe para os homens, como disse o Senhor (já tratando do juízo universal): "tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo" (Mt 25,34b). Lá se goza de Deus perfeitamente, numa felicidade indizível. A própria razão supõe esta felicidade, considerando que o homem estará na intimidade daquele que possui em grau infinito todas as perfeições.
O Inferno (condenação, abismo, fogo eterno) é onde estão as almas reprovadas. Esta desgraça existe não para os homens, como o Senhor atesta na mesma passagem acima: "Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos" (Mt 25,41b). Lá a alma sofre tormentos morais, como a eterna separação de Deus e o eterno remorso da consciência, e tormentos sensíveis. "Por uma visão momentânea, logo após a morte Deus se revela a todos os homens. Quando o pecador mergulha no tormento, seu primeiro grito não é de dor. Seu primeiro grito é de saudade de Deus".
O Purgatório é a purificação pela qual a alma passa para poder entrar no Céu. Daqui elas só partem para lá. No purgatório há penas sensíveis, pelas quais o homem satisfaz pelos pecados perdoados dos quais não pôde fazer uma devida reparação.
A razão concebe um "ponto intermediário" entre o estado de completa purificação e o de completa escravidão do pecado. Ademais, o apóstolo São João declarou: "Se alguém vê seu irmão cometer um pecado que não o conduza à morte, reze, e Deus lhe dará a vida; isto para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado que é para morte; não digo que se reze por este" (1Jo 5,16). Eis a distinção entre os pecados, fato inegável.
Não se pode dizer quanto "tempo" alguém fica no Purgatório.

"O Dia da Morte"- pintura de William Adolphe Bouguereau - 1859

V. AQUELES POR QUEM REZAMOS

É exatamente pelos que estão no purgatório que rezamos. Se já não entraram no Céu, é na purificação que cremos estarem os que foram fiéis de fato.
Como não se precisa de oração no Céu, e como não adianta orar pelos condenados, é por estes do Purgatório que rezamos, pedindo a Deus que sua purificação se complete o quanto antes, para que se lhes seja dado gozar do que tanto anseiam. Ora, todo fiel de Cristo, ao pensar no Céu, anela como o salmista: "Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário" (Sl 26,4).
A crença de que nossas orações servem para estes irmãos está unida à de que as orações dos santos nos servem. Tudo isso faz parte da mesma profissão de fé na Comunhão dos Santos- comunhão de bens espirituais entre todos os cristãos (vivos e falecidos, na terra, no purgatório e no céu). De modo muito coerente estas duas datas litúrgicas estão bem unidas: naSolenidade de Todos os Santos honramos e pedimos oração a todos os da Igreja Triunfante (no Céu); na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos oferecemos nossa oração e nosso sacrifício a Deus pela Igreja Padecente (no Purgatório).
Tal prática já é vista no II Livro de Macabeus (12,43-46), em breves orações escritas nas paredes das catacumbas e em primitivos escritores da Igreja como Tertuliano.
Por estas almas já rezamos, sobretudo, em todas as Missas, visto que no Cânon Romano e nas outras Orações Eucarísticas existe uma recordação e uma prece pelos fiéis que estão na purificação. Além da Missa temos a aplicação de indulgências pelas almas do purgatório. Aliás, toda indulgência recebida de Deus no dia da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, só a eles é aplicável.
É provável que muitos santos tenham recomendado a bela obra de caridade que é rezar pelas almas do purgatório. Diria que, quando um dos irmãos do purgatório, pelo qual rezamos, completar sua purificação e for admitido na pátria celeste, ele nos retribuirá, sendo um santo anônimo a interceder por nós.


VI. ESCLARECIMENTOS

Rezar pelos fiéis defuntos:
- é um dever de caridade;
- não é dirigir-se aos mortos;
- muito menos invocá-los;
- também não significa de maneira alguma que podemos tirar uma alma da condenação do inferno;
- é exercício da comunhão dos santos;
- não é rezar por quem não precisa;
- faz parte da doutrina e da prática cristã desde a antiguidade.


VII. APÊNDICE - Manual de Indulgências - Pelos fiéis defuntos

§ 1. Concede-se indulgência plenária, aplicável somente às almas do purgatório, ao fiel que:

1°55 Visitar devotamente o cemitério, a cada dia, de primeiro a oito de novembro, e aí rezar pelos defuntos, mesmo que só mentalmente;

2°56 Visitar devotamente uma igreja ou oratório e aí recitar o Pai nosso e o Creio, no dia da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (ou, de acordo com o Ordinário, no domingo anterior ou posterior à Solenidade de Todos os Santos).

§ 2. Concede-se indulgência parcial, aplicável somente às almas do purgatório, ao fiel que:

1°57 Visitar devotamente o cemitério e aí rezar pelos defuntos, mesmo que só mentalmente;

2°58 Rezar devotamente Laudes ou Vésperas do Ofício dos Defuntos ou a invocaçãoDai-lhes, Senhor.

Requiem æternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis. Requiescant in pace. Amen.
(Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno. E a luz perpétua os ilumine. Descansem em paz. Amém.)

Fonte: http://ars-the.blogspot.com/2010/11/rezando-pelos-fieis-defuntos.html


Para saber mais sobre As almas do purgatório segue um bom texto: http://www.arautos.org.br/especial/20573/As-almas-do-Purgatorio.html

Discurso do Papa Bento XVI - Comemoração dos Fiéis Defuntos

Cidade do Vaticano, 02 nov 2011

Bento XVI criticou hoje no Vaticano as tentativas de “eliminar” a reflexão sobre a morte nas sociedades ocidentais, considerando que esta diz respeito “a todos, em qualquer tempo e lugar”.

No dia que a Igreja Católica dedica à comemoração dos fiéis defuntos, o Papa afirmou que estas celebrações “ajudar a reconhecer na morta a grande esperança, que a vida do homem não termina aqui”.
Durante a audiência pública semanal que decorreu na sala Paulo VI, reunindo milhares de pessoas, Bento XVI falou de um “mundo positivista, incapaz de compreender este mistério”.
“Ainda que a nossa sociedade tente eliminar por todos os meios mesmo o pensamento sobre a morte, questionamo-nos: Porque é que isto é assim? A resposta é que a morte diz respeito a todos, em qualquer tempo e lugar”, assinalou.
O Papa lembrou que, por estes dias, se visitam os cemitérios para rezar pelos mortos, “recordando, desse modo, a comunhão dos santos” que os católicos professam no seu credo.
“O homem sempre teve os mortos em consideração”, prosseguiu.
Em português, Bento XVI disse que “o homem tem necessidade da eternidade”, mas sente “medo diante da morte”: “Temos medo do nada, de partir para o desconhecido”.
“Não podemos aceitar que, de improviso, caia no abismo do nada tudo aquilo que de belo e de grande tenhamos feito durante a nossa vida. Sobretudo, sentimos que o amor requer a eternidade, não pode ser destruído pela morte assim num momento”, acrescentou.
Para o Papa, “é consolador saber que existe um amor que supera a morte, um amor que é o próprio Deus que se fez homem”.
“Hoje, a Igreja convida-nos a pensar em todos aqueles que nos precederam, tendo concluído o seu caminho terreno. Na comunhão dos Santos, existe um profundo vínculo entre nós que ainda caminhamos nesta terra e a multidão de irmãos e irmãs que já alcançaram a eternidade”, declarou, a respeito da celebração litúrgica desta quarta-feira.
Como é habitual neste encontro semanal, Bento XVI deixou uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa: “Exorto-vos a construir a vossa vida aqui na terra trabalhando por um futuro marcado por uma esperança verdadeira e segura, que abra para a vida eterna”.
Esta tarde, o Papa vai visitar as grutas da basílica de São Pedro, no Vaticano, para “um momento de oração em privado, em sufrágio pelos Sumos Pontífices ali sepultados e por todos os defuntos”, anunciou a sala de imprensa da Santa Sé.

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